Tráfego nas rodovias de São Paulo cresce 7,8%, mas fluxo de caminhões recua em agosto
Movimento de veículos pesados caiu 1,3% na comparação mensal, embora permaneça em alta no ano; frota paulista se aproxima de 36 milhões de unidades
Publicado em: 15/09/2026 às 11:35hs
O tráfego nas rodovias de São Paulo cresceu 7,8% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O avanço foi impulsionado tanto pelos veículos leves, com alta de 8%, quanto pelos pesados, que registraram crescimento de 6,4% no período.
Os dados fazem parte do Monitor de Tráfego nas Rodovias, levantamento elaborado pela Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
Na comparação com julho, entretanto, o comportamento foi diferente entre as categorias. Após o ajuste dos efeitos sazonais, o movimento total nas estradas paulistas aumentou 1,5%. Enquanto o fluxo de veículos leves avançou 1,9%, o de pesados recuou 1,3%.
A redução mensal dos pesados, segmento que inclui caminhões responsáveis pelo transporte de grãos, alimentos, insumos e cargas industriais, é considerada uma oscilação de curto prazo. Nas comparações anuais e nos resultados acumulados, o fluxo permanece em crescimento.
Veículos leves sustentam crescimento mensal
A expansão das viagens realizadas por veículos leves foi o principal fator de sustentação do tráfego rodoviário paulista em agosto.
O movimento pode estar associado à retomada mais completa das atividades profissionais e escolares após as férias de julho, em um ambiente no qual o mercado formal de trabalho ainda apresentava desempenho positivo.
Para Alexandre Fontes, superintendente de Negócios B2C da Veloe, os números confirmam uma trajetória mais ampla de crescimento nas rodovias, apesar das diferenças mensais entre os tipos de veículos.
“São Paulo apresenta um crescimento consistente do tráfego quando analisamos períodos mais longos. O resultado mostra que as rodovias continuam com um fluxo relevante de veículos, embora o comportamento possa variar entre leves e pesados de um mês para outro”, afirma.
Segundo Fontes, acompanhar essas oscilações ajuda a compreender a dinâmica da mobilidade e as necessidades dos usuários das estradas.
Fluxo de veículos pesados recua 1,3% no mês
O tráfego de veículos pesados apresentou queda de 1,3% entre julho e agosto, considerando os dados dessazonalizados. O resultado pode refletir variações pontuais na movimentação de cargas, na atividade industrial e no calendário de escoamento da produção.
A redução, contudo, não indica até o momento uma mudança na tendência do segmento. Em relação a agosto de 2025, o fluxo de pesados cresceu 6,4%.
Esse desempenho é relevante para a logística do agronegócio, uma vez que São Paulo concentra importantes corredores utilizados no transporte de açúcar, etanol, café, grãos, carnes, fertilizantes e outros produtos.
O Estado também conecta regiões produtoras do Centro-Oeste e do Sudeste aos principais centros consumidores, indústrias, terminais ferroviários e portos.
Tráfego nas estradas de SP acumula alta de 5,3% em 2026
Entre janeiro e agosto, o tráfego total nas rodovias paulistas aumentou 5,3% em relação ao mesmo período de 2025.
O fluxo de veículos leves acumulou crescimento de 5,4%, enquanto o movimento de pesados avançou 4,9%.
Na análise dos últimos 12 meses, em comparação com os 12 meses imediatamente anteriores, o tráfego total cresceu 4,8%. Os veículos leves também avançaram 4,8%, e os pesados registraram expansão de 5,1%.
Os resultados mais longos reforçam a avaliação de que a queda mensal dos caminhões em agosto representa, por enquanto, uma acomodação pontual.
Frota de São Paulo chega a 35,97 milhões de veículos
Além de concentrar uma das maiores redes rodoviárias do país, São Paulo possuía em julho uma frota de 35,97 milhões de veículos, segundo os dados mais recentes da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
O volume representa 27,2% de toda a frota brasileira. Na comparação com junho, houve crescimento de 0,3%. Desde o início do ano, a expansão acumulada chegou a 1,8%, enquanto o avanço em 12 meses foi de 3%.
Os automóveis representam 58,4% dos veículos registrados no Estado. As motocicletas aparecem em segundo lugar, com participação de 17%.
Na sequência estão caminhonetes, com 6,5%; camionetas, com 5,2%; motonetas, com 4,1%; e caminhões, com 2,1%. Os demais tipos de veículos correspondem a 6,7% da frota.
Gasolina e modelos flex predominam na frota paulista
Os veículos flex, movidos a gasolina e etanol, representam 42,8% da frota de São Paulo. Outros 41,3% utilizam exclusivamente gasolina.
Os modelos movidos a diesel respondem por 6,4%, enquanto os abastecidos somente com etanol representam 5,1%.
Veículos elétricos e híbridos possuem participação de 0,8%, mesmo percentual registrado pelos modelos movidos a gás natural veicular (GNV). Outras fontes de energia somam 2,9%.
Os números mostram que a eletrificação ainda possui participação reduzida, enquanto os veículos flex e a gasolina continuam amplamente predominantes no Estado.
Mais de um terço dos veículos tem acima de 20 anos
A idade média estimada da frota paulista é de 19,4 anos. Do total, 37,7% dos veículos têm mais de duas décadas de fabricação.
Outros 16,1% possuem entre 16 e 20 anos. Com isso, mais da metade da frota registrada no Estado tem idade superior a 15 anos.
Entre os veículos mais novos, 15,7% têm até cinco anos de fabricação. A faixa entre seis e dez anos representa 12,1%, enquanto os modelos com idade entre 11 e 15 anos correspondem a 18,4%.
O envelhecimento da frota amplia os desafios relacionados à manutenção, segurança viária, consumo de combustíveis e emissão de poluentes. Somado ao crescimento do tráfego, esse cenário reforça a necessidade de investimentos permanentes em conservação, fiscalização e modernização da infraestrutura rodoviária paulista.
Fonte: Portal do Agronegócio
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