Tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz cai ao menor nível em três meses
Apenas dois navios-tanque atravessaram a rota estratégica na segunda-feira, enquanto tensões com o Irã, ameaças de sanções dos Estados Unidos e riscos de segurança aumentam a pressão sobre o mercado global de petróleo
Publicado em: 25/08/2026 às 19:00hs
O tráfego de navios de carga pelo Estreito de Ormuz recuou ao menor patamar diário em três meses. Apenas dois petroleiros atravessaram a passagem marítima na segunda-feira, menor número registrado desde o início de maio, segundo dados de rastreamento naval.
As duas embarcações seguiram em direção ao Golfo Pérsico. De acordo com a plataforma Kpler, um navio-tanque de grande porte destinado ao transporte de gás e um superpetroleiro carregador de petróleo bruto entraram no estreito a partir do Golfo de Omã.
O movimento ficou muito abaixo da média dos últimos dez dias, calculada em 14 embarcações por dia. No domingo, sete navios de diferentes categorias haviam passado pela região.
Navios podem ter desligado sistemas de rastreamento
Os dados ainda são considerados preliminares e podem ser revisados. Algumas embarcações teriam desligado seus transponders de navegação durante a travessia, dificultando o acompanhamento em tempo real e a contabilização precisa do fluxo marítimo.
Informações separadas da empresa Vortexa indicaram que o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz alcançou aproximadamente 5 milhões de barris por dia na segunda-feira.
Na média móvel de sete dias, o volume transportado pela rota variava entre 6 milhões e 7 milhões de barris diários até 23 de agosto.
Irã ameaça agir contra petroleiros considerados irregulares
A redução no número de embarcações ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas na região. O Irã afirmou que 45 petroleiros teriam descumprido suas regras de passagem pelo estreito e ameaçou adotar medidas contra embarcações envolvidas em transferências de carga entre navios.
A advertência amplia a pressão sobre uma das principais rotas energéticas do planeta, seis meses após o início do conflito envolvendo o país.
O analista sênior de mercado da Vortexa, Xavier Tang, avaliou que ainda não está claro como a autoridade iraniana responsável pelo Estreito do Golfo Pérsico poderá exigir o cumprimento das normas por parte das embarcações classificadas como não conformes.
Segundo ele, uma eventual escalada do conflito ou ataques a navios nessa passagem estratégica poderiam provocar novas restrições ao tráfego marítimo.
Estreito de Ormuz é vital para petróleo e gás natural
Antes do conflito, aproximadamente um quinto dos fluxos mundiais de petróleo bruto e gás natural liquefeito passava pelo Estreito de Ormuz.
A localização transforma a rota em um dos principais pontos de atenção para o mercado internacional de energia. Qualquer interrupção mais prolongada pode afetar o abastecimento, elevar custos de transporte e seguros e aumentar a volatilidade das cotações do petróleo.
Os reflexos também podem alcançar os preços dos combustíveis, dos fertilizantes e do frete marítimo, com possíveis impactos sobre os custos de produção e a competitividade do agronegócio.
Novas sanções dos Estados Unidos elevam pressão
O Irã também prometeu retaliar diante da ampliação das sanções impostas pelos Estados Unidos, destinadas a restringir fontes de receita da economia iraniana. Ao mesmo tempo, Teerã demonstrou confiança de que seus principais parceiros comerciais resistirão à pressão de Washington.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, anunciou as novas medidas na segunda-feira, mas não aplicou as restrições mais severas disponíveis.
Bessent advertiu que países que mantiverem relações comerciais com o Irã poderão enfrentar o risco de perder acesso ao sistema financeiro baseado no dólar.
Tráfego segue estável em Bab el-Mandeb
No Estreito de Bab el-Mandeb, outra passagem estratégica situada no lado oposto da Península Arábica, 30 embarcações foram contabilizadas na segunda-feira, segundo a Kpler.
O movimento ficou próximo da média dos últimos dez dias e superou ligeiramente as 28 travessias registradas no domingo. A estabilidade nessa rota contrasta com a forte retração observada no Estreito de Ormuz, que permanece no centro das preocupações relacionadas ao fornecimento mundial de energia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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