Minas Gerais inaugura rota de baixo carbono para transportar açúcar ao Porto de Santos
Projeto utiliza biometano produzido com resíduos da cana, caminhões e ferrovia em uma operação integrada que prevê movimentar 200 mil toneladas de açúcar em 2027
Publicado em: 24/08/2026 às 14:00hs
Minas Gerais passa a contar com seu primeiro fluxo logístico de baixo carbono destinado ao transporte de açúcar até o Porto de Santos, em São Paulo. Batizada de Rota Verde, a operação integra biometano, transporte rodoviário e ferrovia para reduzir as emissões associadas ao escoamento da produção sucroenergética.
O projeto reúne a Bioenergética Aroeira, a Gasgrid/ZEG Biogás, a Aguetoni Transportes e a VLI Logística. O combustível renovável utilizado pelos caminhões é produzido com resíduos do processamento da cana-de-açúcar, criando uma cadeia baseada nos princípios da economia circular.
Biometano substitui diesel no trecho rodoviário
Na primeira etapa da operação, caminhões abastecidos com biometano transportam o açúcar até o Terminal Integrador de Uberaba, administrado pela VLI. A partir do terminal, a carga segue pela Ferrovia Centro-Atlântica até o Porto de Santos, onde é embarcada para exportação.
O modelo apresenta menor emissão de gases de efeito estufa em relação às rotas convencionais realizadas integralmente por caminhões movidos a diesel. A solução também combina a flexibilidade do transporte rodoviário com a maior eficiência ambiental do modal ferroviário.
“O diferencial desta iniciativa está no aproveitamento de resíduos gerados pela própria cadeia sucroenergética para a produção de biometano utilizado no transporte da carga”, afirma Eduardo Fioreze, gerente comercial da Bioenergética Aroeira.
Segundo o executivo, o projeto demonstra como a economia circular pode proporcionar benefícios ambientais e operacionais ao conectar a geração de energia renovável à logística do açúcar.
Resíduos da cana viram combustível renovável
O biometano empregado na operação é obtido por meio da biodigestão e purificação de resíduos gerados pela indústria sucroenergética. O processo transforma materiais anteriormente considerados passivos da produção em um combustível renovável com aplicação direta no transporte de cargas.
A planta responsável pela produção foi desenvolvida pela Bioenergética Aroeira em parceria com a Gasgrid/ZEG Biogás. O combustível abastece os veículos encarregados de levar o açúcar até o terminal ferroviário de Uberaba.
Além de reduzir o consumo de diesel, o sistema agrega valor aos resíduos da cana e fortalece a circularidade da cadeia produtiva. A solução também pode contribuir para ampliar a oferta nacional de combustíveis renováveis destinados ao transporte pesado.
Ferrovia pode reduzir emissões em até 75%
De acordo com a VLI, o transporte ferroviário pode emitir até 75% menos dióxido de carbono por tonelada movimentada em comparação com caminhões abastecidos com combustíveis fósseis.
Para Asley Fonseca Ribeiro, gerente-geral de Inteligência Comercial da VLI, a ferrovia representa uma importante alavanca para a descarbonização do transporte de cargas brasileiro.
“O trabalho com parceiros permite somar esforços para alcançar resultados ainda mais relevantes, aproveitando a vocação de cada modal e promovendo uma logística de menor carbono para a cadeia do açúcar”, ressalta.
Ao concentrar o trecho mais longo da viagem na ferrovia, a operação reduz a dependência do transporte rodoviário e aproveita a capacidade ferroviária para movimentar grandes volumes com maior eficiência energética.
Projeto prevê transportar 200 mil toneladas em 2027
A fase piloto da Rota Verde já está em andamento e prevê uma movimentação inicial de aproximadamente 12 mil toneladas de açúcar por mês. O volume poderá crescer ao longo do segundo semestre, conforme o desempenho da operação e a ampliação da demanda.
Para 2027, a expectativa dos parceiros é transportar cerca de 200 mil toneladas de açúcar utilizando o fluxo integrado de baixo carbono.
O avanço do projeto poderá demonstrar a viabilidade técnica e operacional do biometano em rotas logísticas de grande escala, especialmente em cadeias agroindustriais com disponibilidade de resíduos para a produção do combustível.
Biometano fortalece segurança energética
Produzido localmente, o biometano também representa uma alternativa para reforçar a segurança energética brasileira. Sua utilização reduz a dependência de combustíveis derivados do petróleo e diminui a exposição das transportadoras às oscilações do mercado internacional de energia.
O aproveitamento de resíduos da própria agroindústria permite ainda aproximar a geração do combustível dos pontos de consumo. Esse modelo pode reduzir custos logísticos e estimular novos investimentos em infraestrutura de produção e abastecimento.
A iniciativa desenvolvida em Minas Gerais mostra que inovação, competitividade e sustentabilidade podem avançar conjuntamente na logística do agronegócio. Ao integrar energia renovável, caminhões e ferrovia, a Rota Verde cria um novo modelo para o escoamento de açúcar com menor impacto ambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio
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