Frete rodoviário fica mais barato em julho com queda do diesel, mas colheita do milho pode pressionar preços
Valor médio do transporte recuou 0,46%, para R$ 8,63 por quilômetro rodado; demanda por caminhões, nova tabela da ANTT e regulamentação do piso mínimo devem influenciar o mercado nos próximos meses
Publicado em: 21/08/2026 às 11:15hs
O preço médio do frete rodoviário no Brasil apresentou queda em julho, acompanhando a redução dos custos com combustíveis. O valor chegou a R$ 8,63 por quilômetro rodado, ante R$ 8,67 em junho, recuo mensal de 0,46%.
Os dados fazem parte do Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), elaborado com informações da plataforma Repom. Apesar da retração, o avanço da colheita do milho segunda safra deve manter aquecida a procura por caminhões e pode pressionar as cotações do transporte de cargas em agosto.
Queda do diesel reduz custos do transporte rodoviário
A diminuição do frete foi favorecida, principalmente, pelo recuo do preço do diesel, um dos componentes de maior peso na estrutura de custos das transportadoras e dos caminhoneiros.
Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), julho marcou o terceiro mês consecutivo de redução dos combustíveis, após o pico observado em abril.
O diesel comum registrou queda de 2,15%, encerrando o mês com preço médio nacional de R$ 6,83 por litro. Já o diesel S-10 recuou 1,66%, para R$ 7,10 por litro.
A trajetória dos combustíveis ajudou a aliviar as despesas operacionais do transporte rodoviário e abriu espaço para a acomodação do preço médio cobrado por quilômetro.
Nova tabela da ANTT reduz coeficientes do piso mínimo
O mercado também passou por mudanças regulatórias no fim de julho. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou a Resolução nº 6.084, que atualizou a tabela dos pisos mínimos de frete.
A revisão reduziu entre 0,002% e 2,18% os coeficientes de deslocamento, conhecidos como CCD, utilizados no cálculo dos valores mínimos do transporte rodoviário de cargas.
No mesmo período, foi sancionada a Lei nº 15.485, que regulamenta a fiscalização e o cumprimento do piso mínimo do frete. A legislação tornou permanentes as regras que estavam previstas na Medida Provisória nº 1.343/2026.
O objetivo é assegurar que os valores praticados no mercado considerem os custos operacionais do transporte, proporcionando maior conformidade às contratações de frete.
Colheita do milho aumenta procura por caminhões
Embora o diesel mais barato tenha contribuído para a redução dos preços em julho, a relação entre oferta e demanda pode mudar o comportamento do mercado nas próximas semanas.
O avanço da colheita do milho segunda safra mantém elevada a necessidade de transporte nas principais regiões produtoras. A movimentação de grãos entre propriedades rurais, armazéns, terminais ferroviários e portos tende a ampliar a disputa por caminhões.
Em Mato Grosso do Sul, 37,3% da área cultivada com milho, equivalente a aproximadamente 823,5 mil hectares, já havia sido colhida. A intensificação dos trabalhos pode elevar a contratação de veículos e gerar pressão sobre os fretes em agosto.
Além da sazonalidade do agronegócio, o setor acompanha os efeitos da redução da taxa Selic para 14% ao ano sobre o crédito, os investimentos e a atividade econômica.
Desaceleração industrial limita demanda por transporte
Enquanto o agronegócio sustenta uma demanda elevada por logística, a indústria brasileira apresentou sinais de perda de ritmo em julho.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) industrial caiu de 50,8 pontos em junho para 47,5 pontos em julho. O resultado indicou a contração mais acentuada dos últimos cinco meses, influenciada pelo aumento dos custos operacionais e pela redução das novas encomendas.
Apesar do enfraquecimento da atividade no curto prazo, as expectativas dos industriais melhoraram. A confiança para os próximos 12 meses avançou de 53% em junho para 66% em julho, sinalizando uma percepção mais positiva para o médio prazo.
Combustíveis, safra e regulamentação devem definir preços
Para Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócios da Edenred Mobilidade, a sequência de quedas do diesel criou um ambiente mais favorável ao transporte rodoviário e contribuiu para conter o preço médio do frete em julho.
Nos próximos meses, o comportamento dos valores deverá depender da evolução dos combustíveis, da demanda gerada pelos setores produtivos e dos efeitos das novas regras para o piso mínimo.
A atualização da tabela da ANTT e a regulamentação definitiva da fiscalização tendem a proporcionar maior previsibilidade ao mercado. Entretanto, a concentração do escoamento da safra de milho pode elevar a procura por caminhões e limitar novas quedas do frete rodoviário.
Fonte: Portal do Agronegócio
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