Publicado em: 03/06/2026 às 16:00hs
O agronegócio brasileiro registrou um desempenho histórico em abril, com exportações que somaram US$ 16,6 bilhões, além da abertura de 600 mercados internacionais para produtos do setor.
O resultado reforça a posição do Brasil como um dos maiores players globais na exportação de alimentos e commodities agrícolas, sustentando a balança comercial e contribuindo diretamente para o Produto Interno Bruto (PIB).
O avanço das exportações foi liderado pelo setor de proteínas animais, com destaque para a carne bovina, que apresentou alta de 29,4% na receita, com cerca de 252 mil toneladas embarcadas em abril.
A China segue como principal destino, absorvendo aproximadamente 56% das exportações brasileiras de carne bovina.
A carne suína também registrou crescimento de 8,3%, enquanto a carne de frango alcançou 486,5 mil toneladas exportadas, consolidando a forte demanda internacional pelas proteínas brasileiras.
Apesar do recorde nas exportações, o sistema de defesa agropecuária brasileiro opera no limite para dar suporte ao volume crescente de embarques.
As operações dependem de certificações sanitárias rigorosas e liberação ágil em portos, aeroportos e fronteiras, o que exige estrutura técnica e quadro de pessoal suficiente para atender à demanda.
Entidades do setor alertam que a falta de recomposição de auditores fiscais pode gerar gargalos logísticos e comprometer a fluidez das exportações.
Segundo o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Ricardo Nascimento, a credibilidade sanitária conquistada pelo Brasil é fundamental para acessar mercados internacionais exigentes.
Ele afirma que a atuação dos auditores fiscais é decisiva para garantir a segurança dos produtos e viabilizar os embarques, funcionando como “passaporte” para as exportações brasileiras.
O dirigente também alerta que o enfraquecimento da estrutura de fiscalização pode impactar diretamente a velocidade dos embarques e a reputação do país no comércio global.
O sindicato destaca que a atuação técnica da fiscalização já foi decisiva em situações críticas, como o enfrentamento de surtos sanitários e exigências de rastreabilidade em mercados da Europa e da Ásia.
Segundo a entidade, respostas rápidas do serviço oficial ajudaram a evitar embargos e protegeram bilhões de dólares em comércio exterior.
Para o setor, a fiscalização é considerada um ativo estratégico para a competitividade do agronegócio brasileiro, e não apenas um custo regulatório.
O forte ritmo de exportações também impactou o mercado interno, reduzindo a oferta de animais para abate e pressionando os preços domésticos.
A arroba do boi gordo atingiu o maior valor nominal da série histórica do Cepea, ultrapassando R$ 344.
No acumulado recente, o preço da carne ao consumidor final registrou alta de até 45% em dois anos, refletindo o cenário de demanda global aquecida.
O Anffa Sindical defende que o fortalecimento da carreira dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários e a modernização dos sistemas de vigilância são fundamentais para garantir a continuidade do crescimento das exportações.
A entidade reforça que o equilíbrio entre expansão comercial, segurança sanitária e eficiência operacional será determinante para manter o Brasil em posição de destaque no comércio global de alimentos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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