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Logística e Transporte

Estreito de Ormuz pode perder relevância em cinco anos com novas rotas, diz CEO do HSBC

Georges Elhedery avalia que investimentos em dutos e portos podem reduzir a dependência do corredor energético; conflito com o Irã amplia pressão por alternativas logísticas no Golfo Pérsico.


Publicado em: 21/10/2026 às 10:20hs

Estreito de Ormuz pode perder relevância em cinco anos com novas rotas, diz CEO do HSBC

O Estreito de Ormuz pode deixar de ser indispensável ao escoamento de energia do Golfo Pérsico nos próximos cinco anos, caso avancem os investimentos em rotas alternativas. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (20) por Georges Elhedery, presidente-executivo do Grupo HSBC, durante o HSBC Future Forum, em Dubai.

Segundo o executivo, a guerra com o Irã expôs a vulnerabilidade da região e incentivou projetos para transportar petróleo e gás até portos por outros caminhos. Antes do conflito, aproximadamente um quinto do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito passava pela via marítima.

A possibilidade de reduzir essa dependência está associada à construção de infraestrutura. Trata-se, portanto, de uma projeção condicionada à execução dos investimentos.

Dutos e portos podem reduzir dependência de Ormuz

Elhedery afirmou que os países do Golfo estão direcionando recursos para alternativas de transporte de energia, incluindo dutos conectados a terminais portuários.

Na avaliação do executivo, essas obras podem ajudar a região a superar os efeitos do conflito e retomar sua trajetória de expansão econômica.

“Acreditamos que essa região será capaz de se recuperar e, em seguida, continuar crescendo. Isso exigirá muitos investimentos”, declarou.

Ao comentar as mudanças possíveis na logística regional, o CEO disse esperar uma solução para a guerra, mas acrescentou que o Estreito de Ormuz poderá se tornar “obsoleto” em cerca de cinco anos.

Projetos de infraestrutura somam US$ 1,4 trilhão

O potencial de investimentos aparece em relatório divulgado pelo HSBC na segunda-feira (19), com dados da MEED, plataforma de inteligência de mercado do setor de construção sediada em Dubai.

Segundo o documento, Oriente Médio, Norte da África e Turquia reúnem um portfólio de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura planejada e ainda não concedida.

Dentro desse conjunto, os pacotes de projetos individuais em oferta somam US$ 872 bilhões. Os valores abrangem diferentes iniciativas de infraestrutura nessas regiões e não se restringem às alternativas ao Estreito de Ormuz.

Golfo mantém atratividade para empresas e investidores

Apesar da instabilidade, o Golfo Pérsico continua sendo considerado um destino atraente para investimentos, conforme pesquisa recente do HSBC.

O levantamento ouviu mais de 1.600 líderes empresariais e cerca de 820 investidores institucionais globais.

A percepção favorável convive, porém, com os riscos econômicos e de segurança provocados pela guerra, que afetam as perspectivas de crescimento e o ambiente de negócios.

Banco Mundial projeta retração econômica em 2026

Após crescimento de 3,3% em 2025, a região formada por Oriente Médio, Norte da África e Paquistão deverá registrar contração de 1,3% em 2026, segundo previsão divulgada pelo Banco Mundial na semana anterior.

A projeção considera os impactos do conflito. Para 2027, a instituição prevê recuperação forte, embora desigual entre as economias.

Esse recorte geográfico difere daquele utilizado no levantamento de infraestrutura do HSBC, que inclui a Turquia.

Ataques levam ao adiamento de conferência na Arábia Saudita

A deterioração das condições de segurança também atingiu a agenda internacional de negócios.

Elhedery estava entre os representantes do mercado financeiro que deveriam participar da principal conferência de investimentos da Arábia Saudita, prevista para a semana seguinte.

O encontro foi adiado para 2027, em decisão anunciada na segunda-feira, após ataques mortais em Riad atribuídos aos houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã.

O episódio reforça os desafios imediatos da região, enquanto a construção de novas rotas de energia permanece uma estratégia de longo prazo para reduzir sua exposição a interrupções no Estreito de Ormuz.

Fonte: Portal do Agronegócio

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