Mais de 30 instituições lançam articulação para fortalecer bioeconomia e pequenos negócios na Amazônia
Sebrae e Ministério do Meio Ambiente estruturam governança para integrar projetos, ampliar acesso a crédito, tecnologia e mercados e fortalecer cooperativas e comunidades tradicionais
Publicado em: 25/09/2026 às 08:30hs
Mais de 30 instituições se uniram para criar uma agenda integrada de fortalecimento da bioeconomia na Amazônia, com foco em pequenos negócios, cooperativas e comunidades tradicionais. A iniciativa, denominada Governança pelos Negócios da Bioeconomia Amazônica, foi lançada em Rio Branco (AC), durante o Inova Amazônia Summit.
A articulação é liderada pelo Sebrae e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e busca integrar ações que já são desenvolvidas na região, reduzir a sobreposição de projetos e ampliar as oportunidades econômicas associadas à conservação da floresta.
A proposta reúne iniciativas relacionadas a inovação, acesso a crédito, capacitação, gestão e abertura de mercados para produtos extrativistas e artesanais.
Bioeconomia busca conectar conservação e geração de renda
A nova governança parte da necessidade de aproximar políticas, instituições e iniciativas que atuam nos territórios amazônicos.
Durante o lançamento, realizado no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (UFAC), representantes das instituições participantes destacaram a importância de considerar simultaneamente a conservação ambiental e as condições econômicas das populações que vivem na região.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, ressaltou a importância de conhecer as particularidades dos territórios e fortalecer o papel das cooperativas na geração de renda.
“Para manter a floresta em pé, é fundamental garantir que as pessoas que vivem nela tenham condições de viver com dignidade, gerar renda e sustentar suas famílias”, afirmou.
Segundo Soares, a articulação também deverá contribuir para levar novas tecnologias, inovação e oportunidades às cooperativas.
Governança terá calendário de ações até dezembro
Durante a reunião de lançamento, foi aprovado um cronograma de trabalho com ações previstas até dezembro.
A primeira etapa será realizada entre 18 de setembro e 28 de outubro, período em que as instituições participantes deverão levantar informações sobre suas iniciativas.
O diagnóstico deverá reunir dados sobre:
- projetos já desenvolvidos;
- programas em andamento;
- capacidades institucionais;
- informações disponíveis;
- oportunidades de atuação conjunta;
- iniciativas relacionadas à bioeconomia.
O material será analisado na segunda reunião da Governança, prevista para 30 de outubro.
Nesse encontro, a proposta é validar as chamadas microagendas e estabelecer prioridades para a atuação integrada das instituições.
MMA destaca construção de estratégia para a bioeconomia
A iniciativa também está alinhada às ações desenvolvidas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para consolidar políticas públicas voltadas à economia sustentável.
Segundo Carina Pimenta, secretária Nacional de Bioeconomia do MMA, a construção de um ambiente institucional para o setor vem avançando nos últimos anos.
A estratégia envolve programas e iniciativas que orientam políticas públicas relacionadas ao desenvolvimento da bioeconomia.
A governança lançada em Rio Branco busca aproximar essas ações da realidade dos territórios e dos empreendedores que atuam diretamente na cadeia produtiva amazônica.
Cooperativas ganham espaço na estratégia
A participação das cooperativas amazônicas aparece como um dos pontos centrais da articulação.
Para Emerson Baú, porta-voz da Abase Norte e diretor-superintendente do Sebrae/RR, o desenvolvimento da região precisa considerar tanto a conservação da floresta quanto as condições de vida da população.
O representante destacou a importância da economia como instrumento de conexão entre a valorização dos recursos naturais e a geração de oportunidades para as comunidades.
A estratégia busca, dessa forma, ampliar as condições para que pequenos negócios e organizações produtivas tenham acesso a ferramentas necessárias para desenvolver suas atividades e alcançar novos mercados.
Tecnologia, crédito e mercado são prioridades
Outro eixo da articulação será a aproximação dos produtores e empreendedores com tecnologia, crédito, gestão e canais de comercialização.
Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21, destacou a importância de conectar conhecimento tradicional e científico às ferramentas necessárias para aumentar a inserção dos produtos amazônicos no mercado.
Segundo ele, a valorização da produção das comunidades passa pela ampliação do acesso a tecnologias, financiamento, gestão e mercados, além da formalização dos produtores.
“A floresta em pé vale muito mais quando geramos renda digna. Precisamos posicionar a produção das comunidades, que une conhecimento ancestral e científico, dando acesso a tecnologia, crédito, gestão e mercado”, afirmou Thomé.
Modelo de governança pode ser ampliado para outros biomas
Além dos resultados esperados para a Amazônia, o modelo de articulação também é apresentado como uma experiência que poderá ser avaliada para aplicação em outras regiões brasileiras.
A proposta é consolidar uma estrutura capaz de conectar poder público, instituições de apoio, iniciativa privada, cooperativas e comunidades em torno de agendas comuns.
A expectativa é que a integração reduza a fragmentação das iniciativas e facilite a identificação de oportunidades para pequenos negócios ligados à bioeconomia.
Bioeconomia amazônica ganha agenda integrada
A criação da Governança pelos Negócios da Bioeconomia Amazônica coloca a geração de renda, inovação, acesso a mercados e conservação ambiental dentro de uma mesma agenda de desenvolvimento.
Com mais de 30 instituições envolvidas, a iniciativa pretende organizar informações, alinhar projetos e transformar ações dispersas em uma estratégia coordenada para apoiar empreendedores, cooperativas e comunidades tradicionais.
O desafio agora é transformar o diagnóstico e o calendário de ações em iniciativas concretas nos territórios, ampliando as oportunidades econômicas associadas aos produtos e serviços da bioeconomia amazônica.
Fonte: Portal do Agronegócio
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