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Abrapa apresenta agenda da cotonicultura aos presidenciáveis para 2027–2030

Carta Aberta reúne propostas para segurança jurídica, política agrícola, logística, abertura de mercados, inovação e valorização das fibras naturais


Publicado em: 23/09/2026 às 17:30hs

Abrapa apresenta agenda da cotonicultura aos presidenciáveis para 2027–2030

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) apresentou aos candidatos à Presidência da República uma Carta Aberta com as principais prioridades da cotonicultura brasileira para o período de 2027 a 2030. O documento reúne propostas consideradas estratégicas pelo setor para preservar a competitividade do algodão brasileiro e ampliar sua participação no mercado internacional.

Intitulada “Carta Aberta aos Presidenciáveis – A visão do setor da cotonicultura brasileira para os próximos 4 anos”, a iniciativa busca contribuir para o debate sobre as políticas que deverão orientar o agronegócio e a economia brasileira a partir de 2027.

Segundo a Abrapa, o algodão deve ser tratado como um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional, integrando produção, indústria, comércio exterior, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional.

A entidade defende que a competitividade da cadeia seja considerada uma política de Estado, com ações de longo prazo capazes de proporcionar maior previsibilidade para investimentos e produção.

Oito prioridades para o algodão brasileiro

A Agenda 2027–2030 apresentada pela Abrapa está estruturada em oito frentes estratégicas:

  • fertilizantes;
  • bioinsumos;
  • segurança jurídica e estabilidade regulatória;
  • reforma tributária;
  • abertura comercial;
  • infraestrutura e logística;
  • modernização da política agrícola;
  • fortalecimento e valorização das fibras naturais.

Entre os pontos destacados está a necessidade de reduzir vulnerabilidades relacionadas à dependência brasileira de fertilizantes importados. Para a entidade, oscilações cambiais, conflitos geopolíticos e eventuais interrupções nas cadeias globais de fornecimento podem afetar os custos e a capacidade produtiva do setor.

A Abrapa também defende a conclusão da regulamentação da Lei nº 15.070/2024, que estabeleceu o marco regulatório dos bioinsumos no Brasil.

Segurança jurídica e infraestrutura estão entre as prioridades

A previsibilidade das regras também aparece como um dos principais pontos da agenda apresentada pela entidade.

A Abrapa considera que um ambiente de maior segurança jurídica e estabilidade regulatória é necessário para estimular investimentos no campo, na indústria e nos demais elos da cadeia algodoeira.

Na área de infraestrutura, o documento chama atenção para gargalos que envolvem rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, armazenagem e energia.

Para o setor, a eficiência logística tem impacto direto sobre os custos de produção e comercialização e, consequentemente, sobre a capacidade de o algodão brasileiro competir nos mercados internacionais.

A agenda também propõe o fortalecimento dos instrumentos de política agrícola, incluindo crédito rural, mecanismos de gestão de riscos, seguro agropecuário e acesso a novas modalidades de financiamento e ao mercado de capitais.

Abrapa defende ampliação dos mercados para o algodão

A abertura comercial é outro eixo central da Carta Aberta.

A entidade propõe acelerar negociações comerciais, fortalecer a atuação diplomática e sanitária do Brasil e trabalhar para reduzir barreiras tarifárias e não tarifárias enfrentadas pela cadeia.

A estratégia busca diversificar os destinos das exportações brasileiras de algodão, reduzindo a concentração dos embarques e ampliando as oportunidades para a fibra nacional.

Para o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, infraestrutura, segurança jurídica, política agrícola, abertura de mercados e inovação estão diretamente relacionadas à capacidade de expansão da cotonicultura.

“O Brasil construiu uma cotonicultura altamente tecnológica, sustentável e competitiva. Agora, precisamos garantir condições para continuar avançando”, afirma Portocarrero.

Segundo ele, os diferentes temas precisam ser tratados de forma integrada para criar condições favoráveis à produção, aos investimentos e à competição internacional.

Fibras naturais ganham espaço na agenda da cotonicultura

Outro destaque da Agenda 2027–2030 é a proposta de criação e fortalecimento de políticas públicas voltadas à valorização das fibras naturais.

Entre as medidas defendidas pela Abrapa estão estímulos à inovação, fortalecimento da indústria têxtil brasileira, compras públicas sustentáveis e desenvolvimento de novos materiais de base biológica.

A entidade também pretende ampliar as pesquisas relacionadas às aplicações das fibras naturais e aos possíveis impactos ambientais e à saúde associados ao avanço das fibras sintéticas e dos microplásticos.

A pauta ganhou novo espaço no debate institucional da Abrapa em 2026. Em setembro, a entidade informou que continuará defendendo políticas públicas de incentivo às fibras naturais e ações de conscientização sobre microplásticos, inclusive por meio de discussões que poderão avançar na próxima legislatura.

A estratégia busca ampliar as aplicações do algodão e de outras fibras naturais na indústria, inclusive em combinações com diferentes matérias-primas.

Agenda pretende orientar debate sobre o futuro do algodão

Para o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, o avanço alcançado pelo Brasil no mercado mundial aumenta a responsabilidade de criar condições para que o setor mantenha sua competitividade.

“O Brasil conquistou uma posição de protagonismo no algodão mundial, mas liderança não é permanente. Precisamos olhar para os próximos quatro anos e construir um ambiente que dê ao produtor segurança para investir, produzir e competir”, afirma Piccoli.

A Abrapa reúne 11 associações estaduais de produtores e, segundo informações institucionais da entidade, representa produtores responsáveis por aproximadamente 99% da área plantada e da produção nacional de algodão.

A construção da Carta contou com a participação das associações estaduais, consolidando uma agenda conjunta para o período de 2027 a 2030.

Congresso Brasileiro do Algodão amplia debate sobre competitividade

As prioridades apresentadas pela Abrapa aos presidenciáveis também dialogam com os temas que estarão em discussão no 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA).

O evento será realizado de 22 a 24 de setembro de 2026, no Expominas, em Belo Horizonte (MG), reunindo produtores, pesquisadores, empresas, consultores, especialistas e lideranças da cadeia algodoeira.

Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o congresso terá programação voltada a ciência aplicada, inovação, mercado, sustentabilidade e estratégias para o futuro da cotonicultura.

A programação inclui plenárias técnicas, hubs especializados, workshops e minicursos, conectando os desafios enfrentados no campo às discussões estratégicas sobre o desenvolvimento da cadeia.

Cotonicultura busca uma política de Estado

Mais do que apresentar reivindicações específicas, a Carta Aberta da Abrapa propõe uma visão de longo prazo para o algodão brasileiro.

A entidade defende que a cadeia seja reconhecida como estratégica para a economia nacional por conectar produção rural, indústria, geração de empregos, exportações, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional.

A proposta é ampliar o diálogo com o futuro governo federal e com o Congresso Nacional sobre medidas capazes de garantir previsibilidade, estimular investimentos e fortalecer a posição brasileira no comércio internacional de algodão.

“O algodão conecta produção, indústria, geração de empregos, exportações, inovação e sustentabilidade. Criar condições para que essa cadeia continue avançando significa também ampliar a capacidade do Brasil de gerar desenvolvimento e agregar valor ao que produz”, reforça Gustavo Piccoli.

A Agenda 2027–2030, portanto, coloca a competitividade da cotonicultura no centro de um debate mais amplo sobre política agrícola, infraestrutura, comércio exterior, inovação, sustentabilidade e industrialização, temas que deverão influenciar os próximos anos da cadeia produtiva brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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