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Clima

Plantio da soja no RS chega a 3% com excesso de chuva; safra de trigo deve cair 37,48%

Umidade elevada limita semeadura e desenvolvimento das lavouras gaúchas; Emater revisa produtividade do trigo para cima, mas mantém previsão de forte queda na produção.


Publicado em: 26/10/2026 às 08:30hs

Plantio da soja no RS chega a 3% com excesso de chuva; safra de trigo deve cair 37,48%

O plantio da soja no Rio Grande do Sul alcançou 3% da área prevista para a safra 2026/27, com avanço limitado pelas chuvas frequentes e pela elevada umidade do solo. Segundo boletim da Emater/RS-Ascar divulgado na quinta-feira (22), o percentual está abaixo da média histórica de 5% para o período, embora acompanhe o ritmo registrado um ano antes.

As condições climáticas também afetam o desenvolvimento das primeiras lavouras e o crescimento do milho. No trigo, a Emater elevou a estimativa de produtividade em relação à projeção inicial, mas ainda prevê uma produção de 2,16 milhões de toneladas, queda de 37,48% sobre o ciclo anterior.

Chuvas restringem plantio e emergência da soja

A sequência de precipitações reduziu os períodos em que o solo apresenta condições adequadas para a entrada das máquinas. Ao mesmo tempo, temperaturas baixas e pouca radiação solar retardaram o desenvolvimento das áreas já semeadas.

De acordo com a Emater, lavouras implantadas antecipadamente apresentaram dificuldades de emergência após as chuvas volumosas. Apesar dos problemas, os estandes permanecem, em geral, satisfatórios.

O boletim também chama a atenção para o aparecimento do fungo causador da ferrugem asiática, acrescentando um ponto de monitoramento ao início da temporada.

No Paraná, o excesso de chuva associado ao El Niño também reduziu o ritmo dos trabalhos de semeadura.

Conab projeta 20,2 milhões de toneladas de soja no RS

Apesar das dificuldades iniciais, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra gaúcha de soja em 20,2 milhões de toneladas, crescimento de 8,3% em relação à temporada anterior.

Pela primeira projeção para 2026/27, o Rio Grande do Sul poderá ocupar a quarta posição entre os maiores produtores brasileiros da oleaginosa, atrás de Mato Grosso, Paraná e Goiás.

A confirmação desse potencial dependerá das condições de implantação e desenvolvimento das lavouras ao longo do ciclo.

Plantio do milho alcança 78% da área gaúcha

A semeadura do milho chegou a 78% da área prevista no estado, com avanço desigual entre as regiões, conforme a Emater.

Além das restrições às operações de campo, as temperaturas amenas diminuíram a velocidade de crescimento das plantas em algumas localidades.

A Conab projeta uma colheita de 6,6 milhões de toneladas de milho no Rio Grande do Sul, alta de 10,2% sobre o ciclo passado. O estado costuma ocupar a liderança nacional na produção do cereal na primeira safra.

Emater eleva produtividade prevista para o trigo

Mesmo com os danos provocados pelo excesso de chuva, a Emater revisou a produtividade estimada do trigo de 2.701 para 2.833 quilos por hectare.

Segundo o órgão, a projeção elaborada no início do plantio considerava um cenário de perdas mais intensas, com base no comportamento de safras anteriores sob influência do El Niño.

A revisão melhora a expectativa em relação ao cálculo inicial, mas o rendimento projetado ainda representa recuo de 5,55% frente ao ano anterior.

Menor área contribui para queda da safra de trigo

Com a colheita em andamento, a produção gaúcha de trigo está estimada em 2,16 milhões de toneladas, volume 37,48% inferior ao da temporada passada.

Além da redução esperada no rendimento, a retração reflete a menor área cultivada. No ciclo anterior, a superfície plantada havia superado 1 milhão de hectares.

O Rio Grande do Sul está entre os principais produtores brasileiros do cereal, ao lado do Paraná, o que torna o desempenho da colheita relevante para o abastecimento nacional.

Projeção do trigo ainda pode ser revisada

Neimar Peroni, um dos organizadores do Informativo Conjuntural da Emater, alertou que a estimativa poderá ser reduzida se os resultados obtidos nas lavouras não confirmarem o desempenho esperado.

Assim, a elevação da produtividade projetada não elimina as incertezas sobre o volume final. A evolução da colheita será determinante para dimensionar os efeitos das chuvas e consolidar os números da safra gaúcha.

Fonte: Portal do Agronegócio

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