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Aveia, Trigo e Cevada

Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027 com queda da safra nacional

Menor produção e oferta restrita de cereal de qualidade devem ampliar as compras externas e pressionar a logística de abastecimento dos moinhos brasileiros


Publicado em: 26/10/2026 às 09:10hs

Brasil pode importar até 10 milhões de toneladas de trigo em 2027 com queda da safra nacional

As importações brasileiras de trigo podem alcançar entre 9,5 milhões e 10 milhões de toneladas em 2027, diante da redução da produção nacional e das preocupações com a qualidade do cereal disponível. A projeção foi apresentada por Tito Marquetti Martinho, diretor sênior de Originação e Trading de Trigo da Bunge Alimentos, durante o 33º Congresso Internacional da Indústria do Trigo, no Rio de Janeiro (RJ).

Promovido pela Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), o evento reuniu especialistas para discutir os desafios do abastecimento no encerramento de 2026 e ao longo do próximo ano. A capacidade dos portos, a eficiência dos moinhos e o acompanhamento das mudanças regulatórias também estiveram entre os temas debatidos.

Segundo Martinho, a combinação de menor oferta doméstica e limitações na qualidade do trigo brasileiro deve aumentar a necessidade de compras internacionais e exigir maior capacidade de movimentação portuária.

Argentina deve seguir como principal fornecedora de trigo

Na avaliação apresentada pelo executivo da Bunge, a Argentina continuará como a principal origem do trigo importado pelo Brasil, desempenhando papel central no atendimento à demanda nacional.

No mercado internacional, o conflito na região do Mar Negro permanece entre os fatores de incerteza para o comércio do cereal. Esse cenário integra os pontos de atenção do setor em um momento de maior dependência brasileira do abastecimento externo.

Produção brasileira é estimada em 5,12 milhões de toneladas

Durante o congresso, o especialista em mercado de trigo Elcio Bento apresentou uma estimativa de 5,12 milhões de toneladas para a produção nacional, volume equivalente a aproximadamente 36% do consumo brasileiro.

O levantamento indica uma retração de 37% em relação à base de comparação utilizada na apresentação. Com menor disponibilidade interna, a necessidade de importação ganha peso no planejamento de abastecimento da indústria.

Além do volume produzido, Bento destacou a oferta limitada de trigo de melhor qualidade. Em São Paulo, a estimativa apresentada apontou entre 70 mil e 80 mil toneladas de trigo Tipo 1.

No Paraná, onde cerca de 70% da área havia sido colhida no momento da análise, a disponibilidade dessa classificação foi estimada entre 500 mil e 600 mil toneladas.

Menor oferta altera o abastecimento no Paraná e no Rio Grande do Sul

As projeções apresentadas por Bento também apontam mudanças no balanço de oferta e demanda dos principais estados produtores.

No Paraná, o cenário passa de um excedente de 100 mil toneladas para um déficit de 1,85 milhão de toneladas. No Rio Grande do Sul, o excedente estimado em 4,07 milhões de toneladas dá lugar a uma situação próxima do equilíbrio entre disponibilidade e consumo.

A redução dos volumes disponíveis nos estados do Sul modifica os fluxos de abastecimento e aumenta a importância da estrutura logística dos moinhos.

Segundo o especialista, unidades bem localizadas e preparadas para receber trigo importado tendem a encontrar condições operacionais mais favoráveis. Já o processamento de lotes nacionais com características heterogêneas exigirá maior eficiência industrial.

Safra de trigo no RS enfrenta limitações de clima e manejo

O desempenho das lavouras gaúchas foi detalhado por Índio Brasil dos Santos, sócio da Solo Corretora de Cereais. Na avaliação apresentada, a safra de 2026 foi afetada por menor investimento, dificuldades nos tratos culturais e perfilhamento reduzido, associado às condições de adubação e luminosidade.

A sequência de chuvas e a baixa incidência de sol também limitaram o desenvolvimento das plantas ao longo do ciclo.

Julho teve elevada umidade e muitos dias encobertos. Em agosto, episódios de frio e precipitações ocorreram no início e no fim do mês. Setembro registrou chuvas acima da média, pouca luminosidade e geada no dia 7. Em outubro, os períodos chuvosos se alternaram com aberturas de sol.

No recorte regional apresentado por Santos, a produção prevista era de 1,85 milhão de toneladas, com produtividade informada de 2,5 mil quilos por hectare. No momento da análise, a colheita atingia 27% da área, enquanto a comercialização correspondia a aproximadamente 30% do volume esperado.

Logística e eficiência industrial ganham importância para os moinhos

A perspectiva de maior participação do trigo importado coloca a logística entre os principais desafios da cadeia. A capacidade de receber e movimentar o cereal será determinante para atender às necessidades da indústria.

Ao mesmo tempo, as diferenças de qualidade entre os lotes nacionais demandam atenção no processamento. Nesse contexto, o planejamento das compras e a preparação operacional dos moinhos ganham relevância para o abastecimento ao longo de 2027.

Setor defende participação antecipada nas discussões regulatórias

O último dia do congresso também abordou a importância de integrar os assuntos regulatórios às decisões estratégicas das empresas.

O painel sobre o tema foi mediado por Carlos Augusto Neves da Rocha, conselheiro da Abitrigo e CEO do Grande Moinho Cearense, com participação de Bruna Mourão Mesquita, gerente de Assuntos Regulatórios da M. Dias Branco, e Luiza Zanatta, CEO da NutraLíder Consultoria Regulatória.

As participantes destacaram que acompanhar propostas e contribuir com consultas públicas permite preparar as empresas para novas exigências. A orientação é envolver a área regulatória desde as primeiras etapas dos projetos, ampliando a capacidade de identificar oportunidades e antecipar possíveis entraves.

Fonte: Portal do Agronegócio

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