El Niño 2026/27: Embrapa divulga recomendações para reduzir perdas na agropecuária do Sul do Brasil
Nota técnica reúne estratégias para proteger lavouras, pastagens e pomares diante da previsão de chuvas intensas, aumento de doenças e temperaturas acima da média até o início de 2027
Publicado em: 20/07/2026 às 10:00hs
Com a elevada probabilidade de permanência do El Niño até o início de 2027, a Embrapa lançou uma nota técnica com orientações para ajudar produtores rurais da Região Sul a reduzir os impactos do fenômeno climático sobre a produção agropecuária. O documento reúne recomendações específicas para diferentes cadeias produtivas e reforça que o planejamento antecipado será decisivo para minimizar prejuízos na próxima safra.
Segundo projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe entre 97% e 99% de probabilidade de continuidade do El Niño até o começo de 2027. O órgão também estima 63% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Para os estados do Sul, a expectativa é de chuvas acima da média, maior nebulosidade e temperaturas elevadas durante o inverno, condições que favorecem doenças, dificultam operações agrícolas e aumentam os riscos de perdas nas lavouras.
Embrapa reforça planejamento como principal ferramenta para enfrentar o El Niño
A nota técnica foi elaborada por pesquisadores de sete centros da Embrapa — Clima Temperado, Florestas, Pecuária Sul, Soja, Suínos e Aves, Trigo e Uva e Vinho — que integram a Plataforma Colaborativa para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária da Região Sul do Brasil.
Mais do que alertar para os riscos climáticos, o documento apresenta medidas práticas para que produtores possam antecipar decisões, reduzir vulnerabilidades e aumentar a resiliência das propriedades rurais.
De acordo com o pesquisador Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, o conhecimento acumulado nas últimas décadas permite transformar previsões climáticas em estratégias eficientes de manejo.
"O desafio atual não é apenas prever o El Niño, mas utilizar esse conhecimento para orientar decisões técnicas no campo, reduzindo riscos e aproveitando, quando possível, condições favoráveis para determinadas culturas", destaca o pesquisador.
Zoneamento agrícola, seguro rural e monitoramento climático são prioridades
Entre as recomendações gerais apresentadas pela Embrapa estão:
- seguir as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc);
- acompanhar continuamente as previsões meteorológicas oficiais;
- planejar investimentos conforme o cenário climático previsto;
- contratar seguro rural para reduzir riscos financeiros;
- ajustar o uso de insumos ao potencial produtivo esperado.
A orientação é que os produtores evitem decisões baseadas em cenários de produtividade excepcional e adaptem o planejamento às condições típicas de anos com El Niño.
Culturas recebem recomendações específicas para enfrentar excesso de chuva
A publicação também apresenta estratégias direcionadas às principais cadeias produtivas da Região Sul.
Cereais de inverno
Para trigo, cevada e aveia, os pesquisadores recomendam:
- intensificar o controle de doenças;
- ajustar o manejo da adubação;
- planejar cuidadosamente as operações de colheita.
Soja, milho e arroz irrigado
Nas culturas de verão, as principais orientações incluem:
- melhoria da drenagem das áreas agrícolas;
- proteção do solo contra erosão;
- monitoramento fitossanitário constante;
- manejo preventivo para reduzir perdas provocadas pelo excesso de umidade.
Fruticultura exige atenção redobrada durante o El Niño
Entre os setores mais sensíveis ao fenômeno climático está a fruticultura.
A nota técnica apresenta recomendações específicas para culturas como:
- videira;
- macieira;
- pessegueiro;
- oliveira;
- nogueira-pecã.
As orientações incluem melhorias na drenagem dos pomares, reforço no manejo fitossanitário, conservação do solo e planejamento das operações agrícolas.
Segundo Alex Mayer, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, o excesso de chuvas representa um dos maiores desafios para o setor.
Além do encharcamento do solo, que pode comprometer o sistema radicular das plantas, eventos extremos como ventos fortes, granizo e erosão aumentam os riscos de perdas de produtividade e danos à infraestrutura dos pomares.
Sistemas produtivos mais resilientes ganham destaque
Além das medidas voltadas às propriedades rurais, a Embrapa recomenda ações integradas de planejamento ambiental em escala regional.
Entre as estratégias sugeridas estão:
- conservação do solo;
- manejo de microbacias hidrográficas;
- fortalecimento da infraestrutura natural;
- adoção de Sistemas Agroflorestais (SAFs);
- expansão da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF).
Esses sistemas contribuem para aumentar a capacidade de adaptação das propriedades frente aos eventos climáticos extremos.
Transferência de tecnologia será fundamental para reduzir riscos
Outro destaque da nota técnica é o fortalecimento da assistência técnica e da difusão de informações aos produtores.
A Plataforma Colaborativa da Embrapa prevê ações contínuas de capacitação de técnicos, produção de conteúdos digitais, aplicativos e materiais educativos para ampliar o acesso às recomendações.
Segundo José Reinaldo Moraes, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, o principal recado da publicação é que o El Niño não deve ser encarado como um evento inevitavelmente prejudicial.
"O fenômeno representa uma mudança no padrão de risco, e seus impactos podem ser significativamente reduzidos por meio de planejamento, adoção de boas práticas agrícolas e acesso a informações técnicas confiáveis."
Conhecimento e prevenção podem reduzir impactos do El Niño no campo
Para os pesquisadores da Embrapa, a experiência acumulada em eventos climáticos anteriores demonstra que produtores preparados conseguem reduzir perdas e aumentar a resiliência dos sistemas produtivos.
Diante da previsão de continuidade do El Niño até 2027, a recomendação é manter monitoramento constante das condições meteorológicas, investir em planejamento estratégico e adotar tecnologias de manejo que permitam enfrentar com maior segurança os desafios climáticos da próxima safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
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