Formação técnica abre portas no agronegócio e leva 9 em cada 10 jovens ao mercado de trabalho em MT
Pesquisa com egressos do curso Técnico em Agropecuária do Senar Mato Grosso mostra alta empregabilidade, aplicação prática dos conhecimentos e forte inserção profissional no campo
Publicado em: 09/09/2026 às 16:30hs
A formação técnica vem se consolidando como uma importante porta de entrada para jovens interessados em construir uma carreira no agronegócio. Pesquisa realizada com ex-alunos da Escola Agrícola do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), unidade Ranchão, mostra que 88,57% dos entrevistados estavam trabalhando após a conclusão do curso Técnico em Agropecuária.
O levantamento reuniu respostas de 70 dos 123 estudantes formados entre 2023 e 2025. Entre os egressos empregados, 80,65% atuavam diretamente no setor agropecuário e outros 16,13% trabalhavam em atividades parcialmente relacionadas à formação. Apenas 3,23% estavam em ocupações sem relação com o curso.
Os resultados indicam que a qualificação profissional contribui tanto para a entrada de novos trabalhadores no agronegócio quanto para o crescimento de quem já possuía alguma ligação com o campo.
Jovens representam maioria entre os profissionais formados
A maior parte dos participantes da pesquisa está no início da vida profissional. Dos 70 egressos entrevistados, 82,86% tinham até 20 anos, enquanto oito estavam na faixa etária entre 21 e 25 anos.
O perfil reforça a importância da educação técnica para aproximar as novas gerações das oportunidades oferecidas pelo agronegócio mato-grossense, setor que demanda profissionais preparados para acompanhar o avanço da tecnologia, da mecanização e da gestão rural.
Antes de ingressarem no curso, 47,14% dos entrevistados já mantinham contato com o campo por meio da propriedade da família. Outros 18,57% trabalhavam no agronegócio, enquanto 34,29% não possuíam qualquer vínculo anterior com o setor.
Os números mostram que a formação atende tanto jovens oriundos do meio rural quanto estudantes que identificaram no agronegócio uma oportunidade para iniciar a trajetória profissional.
Curso contribui para primeiro emprego e crescimento profissional
A qualificação técnica produziu reflexos diretos na carreira dos ex-alunos. Entre os participantes, 31 apontaram a conquista do primeiro emprego como uma das principais mudanças após o curso. O mesmo número destacou a ocorrência de crescimento profissional.
Outros 17,14% informaram que a formação contribuiu para a ampliação da atividade rural, indicando que o conhecimento adquirido também pode ser aplicado na propriedade familiar ou em iniciativas próprias de produção.
Para 87,14% dos entrevistados, o curso teve grande contribuição para a melhoria de sua condição profissional. O resultado evidencia o papel da educação técnica na geração de oportunidades, no aumento da empregabilidade e na preparação de trabalhadores para diferentes atividades da cadeia agropecuária.
Conhecimentos são utilizados na rotina de trabalho
A aplicação do conteúdo aprendido também aparece entre os destaques da pesquisa. Do total de egressos, 75,71% afirmaram utilizar frequentemente os conhecimentos adquiridos durante a formação.
Outros 22,86% disseram recorrer eventualmente ao aprendizado obtido no curso. Somados, os dois grupos representam quase a totalidade dos entrevistados, demonstrando que a formação possui conexão direta com as exigências encontradas no ambiente profissional.
Essa relação entre conteúdo e mercado de trabalho ganha relevância diante da crescente complexidade da produção agropecuária, que exige domínio de técnicas produtivas, gestão, máquinas, sustentabilidade, sanidade e novas tecnologias.
Aulas práticas são apontadas como principal diferencial
As aulas práticas e as visitas técnicas foram consideradas a principal contribuição do curso por 53 dos 70 participantes, o equivalente a 75,71% dos entrevistados.
A interação durante os encontros presenciais e a participação em palestras também foram mencionadas por 17 egressos. Os resultados reforçam a importância de metodologias capazes de aproximar os estudantes das situações reais encontradas nas propriedades rurais e nas empresas do setor.
O contato direto com as atividades do campo permite que o aluno compreenda os desafios da profissão, desenvolva habilidades operacionais e chegue mais preparado ao mercado de trabalho.
Falta de profissionais qualificados desafia o agro de Mato Grosso
A inserção dos egressos ocorre em um momento no qual o agronegócio mato-grossense enfrenta dificuldades para contratar trabalhadores com qualificação adequada.
Esse cenário foi identificado pelo levantamento “Mão de Obra na Agricultura de Mato Grosso em 2026”, elaborado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar MT. O estudo busca apresentar um panorama do trabalho no meio rural e oferecer informações estratégicas a produtores, entidades e instituições do setor.
Entre os principais desafios apontados estão a dificuldade de contratação e a necessidade de profissionais preparados para lidar com uma atividade cada vez mais tecnológica e especializada.
Qualificação aproxima jovens das oportunidades no campo
A análise conjunta dos levantamentos revela uma convergência entre a demanda do mercado e os resultados da formação profissional. Enquanto produtores e empresas procuram trabalhadores qualificados, os cursos técnicos ajudam a preparar jovens para ocupar essas vagas.
Na Escola Agrícola Ranchão, mais de um terço dos entrevistados não tinha qualquer vínculo com o agronegócio antes do curso. Após a formação, quase nove em cada dez participantes estavam trabalhando, e a maioria dos empregados atuava diretamente em atividades relacionadas à qualificação recebida.
Os dados mostram que a educação técnica pode ajudar a reduzir a falta de mão de obra especializada, ampliar as perspectivas profissionais dos jovens e formar uma nova geração preparada para contribuir com o desenvolvimento do agronegócio em Mato Grosso.
Fonte: Portal do Agronegócio
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