Vinhos gaúchos ganham vitrine na Expointer com novos terroirs, rótulos e experiências de enoturismo
Dez vinícolas do Rio Grande do Sul apresentam diferentes variedades, métodos de elaboração e atrações que conectam vinho, gastronomia, história familiar e turismo rural
Publicado em: 03/09/2026 às 11:35hs
A diversidade dos vinhos produzidos no Rio Grande do Sul ganhou destaque na Expointer. Dez vinícolas participam do espaço do Consevitis-RS, instalado no Pavilhão Internacional, onde apresentam rótulos, histórias e experiências que revelam a pluralidade da vitivinicultura gaúcha.
A iniciativa reúne produtores de diferentes regiões, escalas e perfis. Além de variedades tradicionais, o público pode conhecer cultivares brasileiras, vinhos elaborados em pequenos lotes e projetos que combinam vitivinicultura, gastronomia, arte, hospedagem e turismo rural.
Na terça-feira (1º), as vinícolas Pinhal Alto, Casa Zottis, Dallavino, Cave Bertamoni e Lovatel participaram de uma apresentação destinada a jornalistas e formadores de opinião. Cada empreendimento apresentou dois rótulos e compartilhou detalhes sobre sua trajetória, seus processos produtivos e suas estratégias para aproximar o consumidor do vinho gaúcho.
A programação prossegue nesta quarta-feira (2), com a participação das outras cinco vinícolas que integram o espaço do Consevitis-RS na feira.
Pinhal Alto preserva tradição familiar de três gerações
Localizada em São Valentim do Sul, a Vinícola Pinhal Alto mantém uma ligação de aproximadamente 50 anos com a produção de uvas. A atividade já chegou à terceira geração da família, enquanto a elaboração e a comercialização dos vinhos começaram há cerca de duas décadas.
As bebidas são produzidas com uvas cultivadas na própria propriedade. Durante a Expointer, a vinícola apresentou o Tannat e o Trebbiano Toscano 2023.
O Tannat permanece durante 12 meses em barricas de segundo uso. A escolha permite que a madeira contribua de maneira mais delicada para a bebida, preservando as características originais da variedade.
O Trebbiano Toscano 2023, por sua vez, destacou-se pela conservação do frescor mesmo após alguns anos de garrafa. O vinho apresenta notas frutadas e cítricas, coloração preservada, acidez e aromas característicos de uma bebida jovem.
A Pinhal Alto também investe no enoturismo. Os visitantes podem conhecer os parreirais, acompanhar detalhes do processo de vinificação e participar de degustações dirigidas.
Casa Zottis combina cultivares brasileiras e memória familiar
A Casa Zottis nasceu de um projeto familiar que começou, entre 2014 e 2015, com a produção e comercialização de uvas de mesa. A elaboração artesanal, inicialmente limitada a aproximadamente 600 litros destinados ao consumo da família, avançou para cerca de 6 mil litros em 2020.
Naquele mesmo ano, a vinícola obteve o registro no Ministério da Agricultura e Pecuária, consolidando a produção comercial.
Atualmente, a propriedade cultiva 14 variedades de uvas de mesa e combina a elaboração de vinhos com atrações de enoturismo. Durante a safra, os visitantes podem participar do sistema “colhe e pague”, além de realizar piqueniques, almoços nos vinhedos e visitas à propriedade.
Na Expointer, um dos destaques foi o BRS Bibiana 2024, elaborado com uma cultivar desenvolvida pela Embrapa. A variedade apresenta boa adaptação às condições regionais e maior resistência no campo. O vinho integra um lote limitado e passa por barricas de carvalho.
A vinícola também apresentou o Léo João Gran Reserva 2022, produzido com Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet. O rótulo homenageia o pai de uma das integrantes da família, responsável por transmitir seus conhecimentos sobre a produção de vinho.
A bebida também representa uma fase de experimentação da Casa Zottis. Parte do vinho foi armazenada em carvalho francês e outra em carvalho americano, permitindo avaliar as diferentes influências da madeira sobre aromas, estrutura e sabor.
Dallavino valoriza pequenos lotes no Vale dos Vinhedos
Instalada no Vale dos Vinhedos, a Vinícola Dallavino está na terceira geração familiar e possui aproximadamente seis hectares de vinhedos. Desse total, cerca de dois hectares são destinados à produção das uvas utilizadas nos vinhos da marca.
Os rótulos selecionados para a Expointer foram o Reserva Marselan 2024 e o Cabernet Sauvignon 2023.
O Marselan Reserva passa nove meses em carvalho francês, tipo de madeira utilizado na elaboração dos produtos da linha Reserva da vinícola.
A história familiar também permanece preservada na estrutura de produção. A propriedade mantém antigos tanques de grápia, madeira brasileira empregada na vinificação desde a época do avô da atual geração. Exemplares centenários da árvore também são conservados no local.
A Dallavino começa a ampliar sua presença no enoturismo. A propriedade recebe visitantes mediante agendamento e desenvolve novas experiências, entre elas a realização de piqueniques em meio aos vinhedos.
Cave Bertamoni conecta vinho, gastronomia e arte
A trajetória da Cave Bertamoni está diretamente relacionada à gastronomia e à imigração italiana. A produção familiar começou em 1990, inicialmente concentrada em sucos de uva, e ganhou uma nova direção em 2017, com a abertura do Restaurante Di Bartolomeu.
A ideia de elaborar um vinho próprio surgiu a partir do restaurante. As primeiras produções de Moscato Giallo e Merlot eram servidas no estabelecimento, mas o interesse dos clientes em adquirir as garrafas incentivou a criação de uma marca comercial.
O restaurante trabalha com pratos típicos da culinária italiana e também incorpora referências gastronômicas encontradas em diferentes regiões da Itália. Essa ligação com as origens da família está presente nos vinhos e nos projetos da vinícola.
A linha 1891 resgata a chegada dos antepassados italianos ao Brasil naquele ano. Os rótulos reproduzem capítulos da história familiar, como a viagem de navio, o trabalho na lavoura, a colheita das uvas e antigos retratos.
O nome Di Bartolomeu também nasceu de uma memória familiar. Uma imagem de São Bartolomeu esculpida em madeira foi trazida pelos imigrantes há mais de um século e preservada pelas gerações seguintes. O santo também inspirou a linha de vinhos Il Divino.
Peverella homenageia imigração italiana
Entre os vinhos apresentados pela Cave Bertamoni estava o Peverella 2024, elaborado em referência aos 150 anos da imigração italiana.
A bebida segue o estilo dos chamados vinhos laranja, produzidos a partir de uvas brancas que permanecem em contato com as cascas durante a fermentação. O Peverella também passa seis meses em carvalho francês.
A arte é outro elemento importante na identidade da Cave Bertamoni. Artistas convidados participam da criação dos rótulos, ajudando a transformar cada garrafa em uma peça com identidade própria.
Um dos novos projetos é o Tela em Branco, que prevê o lançamento de um mesmo vinho com 50 rótulos diferentes, todos desenvolvidos por um artista convidado.
A vinícola também prepara uma expansão voltada ao turismo. O projeto deverá reunir vinícola, restaurante e pousada em uma área com vista para o vale, ampliando a permanência e a experiência dos visitantes.
Lovatel une tradição, tecnologia e sustentabilidade
Fundada em 1979, a Vinícola Lovatel, de Caxias do Sul, completa 47 anos de trajetória em 2026. A empresa mantém a gestão familiar e combina conhecimentos transmitidos entre gerações com tecnologias incorporadas ao processo produtivo.
A sustentabilidade ocupa posição central na propriedade. A água utilizada é proveniente de poço artesiano, enquanto parte da energia elétrica é produzida por um sistema de geração solar.
Durante a Expointer, a Lovatel apresentou o Marselan 2022 e o Cuvée, uma edição limitada elaborada com Merlot, Tannat e Cabernet Sauvignon.
A participação em feiras faz parte da estratégia da empresa para conquistar consumidores fora da região produtora e ampliar a visibilidade dos vinhos gaúchos em novos mercados.
Enoturismo amplia conexão entre consumidores e vinícolas
Apesar das diferenças entre as propriedades, o enoturismo aparece como uma tendência comum entre as vinícolas presentes na Expointer.
Visitas aos parreirais, degustações, colheita de uvas, piqueniques, gastronomia regional e projetos de hospedagem vêm transformando as propriedades em destinos turísticos. Essas experiências permitem que o consumidor conheça a origem do produto e acompanhe mais de perto a cultura do vinho.
A expansão dessas atividades também cria novas fontes de receita para as famílias produtoras, estimula a economia regional e fortalece a identidade dos territórios vitivinícolas do Rio Grande do Sul.
Tradição e inovação fortalecem os vinhos gaúchos
A história familiar permanece como um dos principais elementos da produção gaúcha. Ela está presente nas gerações que dão continuidade às propriedades, nas homenagens aos antepassados, nas antigas estruturas preservadas e nas referências à imigração italiana.
Ao mesmo tempo, o setor avança com novas variedades, técnicas de vinificação, projetos artísticos e experiências turísticas. Cultivares desenvolvidas no Brasil passam a dividir espaço com uvas tradicionais, enquanto pequenos lotes e edições limitadas ampliam a diversidade disponível ao consumidor.
Ao reunir dez vinícolas na Expointer, o Consevitis-RS apresenta uma amostra dos diferentes terroirs, estilos e caminhos adotados pela vitivinicultura gaúcha para valorizar sua origem e conquistar novos públicos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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