Vinhos brasileiros conquistam dez premiações em concurso internacional na Itália
Brasil recebe dois prêmios especiais, uma Grande Medalha de Ouro e sete Medalhas de Ouro no Mondial des Vins Extrêmes, competição dedicada à viticultura heroica
Publicado em: 16/09/2026 às 15:10hs
Os vinhos brasileiros conquistaram dez distinções na 34ª edição do Mondial des Vins Extrêmes, realizado na Itália. O resultado reúne dois prêmios especiais, uma Grande Medalha de Ouro e sete Medalhas de Ouro, reforçando a presença do país em uma das principais vitrines internacionais para rótulos produzidos em condições geográficas desafiadoras.
O principal destaque brasileiro foi o Zanotto Troppo Maturo 2020, elaborado pela Vinícola Campestre. O rótulo recebeu uma das quatro Grandes Medalhas de Ouro concedidas pelo júri e também conquistou o Prêmio Excelência CERVIM 2026.
A Cooperativa Vinícola Aurora completou o grupo das distinções especiais ao receber o Prêmio Especial CERVIM 2026.
A participação nacional foi articulada pela Associação Brasileira de Enologia (ABE), que há décadas atua na aproximação entre as vinícolas brasileiras e os principais concursos realizados no exterior.
Concurso avaliou 1.175 vinhos de 22 países
O Mondial des Vins Extrêmes ocorreu nos dias 25 e 26 de agosto, em Châtillon, no Vale de Aosta. Nesta edição, a competição recebeu 1.175 amostras elaboradas por 432 empresas de 22 países.
Os vinhos passaram pela avaliação de 55 degustadores técnicos internacionais. Ao final do processo, o júri concedeu quatro Grandes Medalhas de Ouro e 295 Medalhas de Ouro.
Além das medalhas, foram entregues 20 prêmios especiais em diferentes categorias. O Zanotto Troppo Maturo 2020 ficou entre os rótulos de maior destaque de toda a competição ao acumular a Grande Medalha de Ouro e o Prêmio Excelência CERVIM.
Enólogos brasileiros participam do júri internacional
O Brasil também esteve representado nas mesas de avaliação. Os enólogos Christian Bernardi e André Gasperin, integrantes da diretoria da ABE, participaram do grupo internacional de degustadores.
A presença de profissionais brasileiros no júri amplia a participação nacional para além do envio de amostras. A experiência possibilita intercâmbio técnico, contato com diferentes terroirs e acompanhamento dos critérios que orientam as principais avaliações internacionais de vinhos.
Para André Gasperin, a participação permitiu conhecer rótulos produzidos em regiões com condições extremas e trocar experiências com enólogos de outros países.
“Foi especialmente gratificante perceber, nas degustações às cegas, que os vinhos brasileiros estão no mesmo nível de qualidade dos grandes representantes da viticultura mundial”, afirma Gasperin.
Christian Bernardi também destacou as particularidades dos produtos avaliados durante o concurso.
“Foi uma grande satisfação para a ABE participar deste concurso, justamente pela experiência de degustar vinhos únicos, produzidos em condições de grande dificuldade de relevo. São vinhos que expressam o espírito e dedicação extrema”, ressalta.
Competição é dedicada à viticultura heroica
Organizado pelo Centro di Ricerca, Studi e Valorizzazione per la Viticoltura Montana (CERVIM), o Mondial des Vins Extrêmes é o único concurso internacional voltado especificamente aos vinhos provenientes da chamada viticultura heroica.
O conceito abrange vinhedos cultivados em condições particularmente complexas, como áreas de elevada altitude, terrenos com forte declividade, encostas, terraços e locais com limitações geográficas que dificultam a mecanização e exigem maior dedicação dos produtores.
Essas características tornam o cultivo mais trabalhoso e reforçam a relação entre vinho, território e identidade regional. A avaliação considera justamente rótulos originados em ambientes nos quais a produção depende de técnicas adaptadas às particularidades do relevo e do clima.
Premiações ampliam visibilidade do vinho brasileiro
A conquista de dez distinções coloca o Brasil em evidência diante de produtores, especialistas e compradores de diferentes países. Também demonstra a capacidade das vinícolas nacionais de competir em avaliações técnicas internacionais.
O trabalho desenvolvido pela ABE busca aumentar essa exposição ao conectar empresas brasileiras a concursos especializados e inserir enólogos do país nos debates e avaliações conduzidos no exterior.
Com dois prêmios especiais, uma Grande Medalha de Ouro e sete Medalhas de Ouro, o desempenho no Mondial des Vins Extrêmes amplia o reconhecimento internacional da produção brasileira e fortalece a presença do vinho nacional em mercados estratégicos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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