Soja ainda cobre custos em Mato Grosso, mas milho opera abaixo do ponto de equilíbrio na safra 2026/27
Fertilizantes pressionam o orçamento agrícola; soja mantém margem de R$ 4,15 por saca sobre o custo operacional, enquanto milho registra déficit de R$ 2,89 por saca
Publicado em: 26/08/2026 às 17:00hs
Os custos de produção da safra 2026/27 continuam pressionando as margens dos agricultores de Mato Grosso. Levantamentos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram, entretanto, situações distintas para as duas principais culturas do estado: a soja ainda consegue cobrir as despesas operacionais, enquanto o milho apresenta preço abaixo do ponto de equilíbrio.
Os fertilizantes permanecem entre os principais responsáveis pelo encarecimento das lavouras. No caso do milho, o avanço das cotações do cereal não tem acompanhado o aumento dos custos, aprofundando o desafio para a rentabilidade dos produtores.
Custeio da soja sobe 3,39% na safra 2026/27
O custeio da soja foi estimado em R$ 4.323,22 por hectare, valor 3,39% superior ao calculado para a temporada 2025/26.
A elevação foi impulsionada principalmente pelos fertilizantes, cujo gasto está projetado em R$ 1.993,21 por hectare. Somente os macronutrientes representam R$ 1.614,56 por hectare, o maior desembolso estimado dentro desse grupo de insumos.
O movimento reforça o peso da adubação sobre o orçamento da soja, especialmente em um estado com elevada demanda por produtos importados e forte exposição às oscilações do dólar e do mercado internacional.
Soja mantém preço acima do ponto de equilíbrio
O Custo Operacional Total (COT) da soja foi calculado pelo Imea em R$ 6.682,54 por hectare. Considerando uma produtividade projetada de 62,44 sacas por hectare, o produtor precisa receber R$ 107,02 por saca para cobrir essas despesas.
Em julho, o preço médio negociado para a soja da safra 2026/27 ficou em R$ 111,17 por saca. A cotação supera o ponto de equilíbrio em R$ 4,15 por saca, mantendo a atividade acima do nível necessário para pagar os custos operacionais.
A diferença, contudo, sinaliza uma margem restrita. Eventuais perdas de produtividade, novas altas dos insumos ou redução dos preços podem comprometer o resultado econômico da cultura.
Milho enfrenta margem mais apertada em Mato Grosso
O cenário é mais desafiador para o milho. Em julho, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.778,76 por hectare, aumento mensal de 0,30%.
Os gastos com fertilizantes e corretivos cresceram 1,14% e atingiram R$ 1.550,19 por hectare. Em sentido contrário, os custos com defensivos diminuíram 0,10%, enquanto as sementes ficaram 0,51% mais baratas.
Mesmo com essas reduções pontuais, o avanço dos fertilizantes manteve a estrutura de custos pressionada.
Preço do milho fica R$ 2,89 abaixo do necessário
O Custo Operacional Total do milho alcançou R$ 6.067,89 por hectare. Com base na produtividade média das últimas três safras, calculada em 123,83 sacas por hectare, o preço necessário para cobrir o COT foi estimado em R$ 49 por saca.
O valor médio negociado para o milho da safra 2026/27, entretanto, ficou em R$ 46,12 por saca em julho. Isso coloca a cotação R$ 2,89 abaixo do ponto de equilíbrio calculado pelo instituto.
Nas condições consideradas pelo levantamento, a receita obtida com a comercialização do cereal não seria suficiente para cobrir integralmente as despesas operacionais da lavoura.
Custos do milho avançam mais que os preços
O desequilíbrio também aparece na comparação entre as safras. Enquanto os preços do milho acumulam valorização de 4,67%, o custeio aumentou 13,83%.
Segundo o Imea, essa diferença limita a recuperação das margens e mantém um ambiente econômico mais apertado para os produtores mato-grossenses.
Com os custos crescendo quase três vezes mais do que os preços, ganhos de produtividade, eficiência na aplicação de insumos e estratégias de comercialização tornam-se ainda mais importantes para reduzir os riscos financeiros.
Fertilizantes desafiam planejamento da safra
A comparação entre soja e milho evidencia que ambas as culturas enfrentam pressão dos custos, mas em diferentes níveis de exposição.
A soja ainda apresenta preço médio suficiente para superar o ponto de equilíbrio, embora com margem estreita. Já o milho permanece abaixo do valor necessário para cobrir o Custo Operacional Total, elevando a necessidade de cautela no planejamento da safra 2026/27.
Nesse contexto, o acompanhamento dos preços dos fertilizantes, do dólar e das commodities será determinante para as decisões de compra de insumos e venda antecipada da produção. Para o agricultor, controlar custos e proteger preços pode ser decisivo para preservar a rentabilidade em um ciclo marcado por margens mais limitadas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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