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Análise de Mercado

Comércio entre Brasil e países árabes cresce em 2026 e alcança US$ 17,39 bilhões

Exportações brasileiras avançam 3,71% até julho, enquanto vendas árabes ao País aumentam 12,22%, apesar dos conflitos no Oriente Médio e das restrições logísticas no Estreito de Ormuz


Publicado em: 26/08/2026 às 17:30hs

Comércio entre Brasil e países árabes cresce em 2026 e alcança US$ 17,39 bilhões

O comércio entre Brasil e países árabes manteve trajetória de crescimento nos sete primeiros meses de 2026, mesmo diante do agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das limitações ao transporte marítimo em importantes rotas da região.

Dados compilados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira mostram que a corrente comercial alcançou US$ 17,39 bilhões entre janeiro e julho. O resultado considera tanto as exportações brasileiras para os 22 integrantes da Liga Árabe quanto as vendas realizadas pelo bloco ao mercado brasileiro.

Exportações brasileiras aos países árabes somam US$ 11,26 bilhões

As exportações do Brasil para os países da Liga Árabe totalizaram US$ 11,26 bilhões nos primeiros sete meses de 2026. O valor representa crescimento de 3,71% em relação ao mesmo período do ano passado.

No sentido contrário, as exportações árabes destinadas ao mercado brasileiro chegaram a US$ 6,13 bilhões, com alta mais expressiva, de 12,22%, na comparação anual.

Os números foram apresentados durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado pela Câmara Árabe na terça-feira (25), em São Paulo.

Agronegócio e fertilizantes sustentam relação comercial

Segundo o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, William Adib Dib Júnior, os conflitos na região do Golfo provocaram impactos globais no início do ano, especialmente sobre as operações logísticas e o transporte marítimo.

A reorganização das rotas internacionais, entretanto, ajudou a reduzir os efeitos das restrições. Na avaliação do dirigente, a resiliência do agronegócio brasileiro, das cadeias árabes de fertilizantes e dos sistemas logísticos foi decisiva para preservar o fluxo bilateral de mercadorias.

O relacionamento possui caráter estratégico para os dois lados. Enquanto o Brasil exerce papel relevante no abastecimento de alimentos dos mercados árabes, os países da região figuram entre os principais fornecedores de fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira.

Alimentos representam 75% das exportações brasileiras

Os alimentos respondem atualmente por cerca de 75% da pauta exportadora brasileira aos países árabes. Carnes, açúcar, cereais e outras commodities agropecuárias ocupam posição de destaque nos embarques.

Embora considere positiva a expansão do comércio, Dib Júnior avalia que ainda existe espaço para diversificar a pauta brasileira. O Brasil apresenta forte presença no fornecimento de commodities alimentares, mas mantém participação limitada nas exportações de produtos industrializados, mesmo em segmentos nos quais possui competitividade.

A ampliação das vendas de itens com maior valor agregado poderia fortalecer a presença das empresas brasileiras nesses mercados e reduzir a concentração das exportações em produtos básicos.

Energia limpa e descarbonização abrem novas oportunidades

A cooperação entre Brasil e países árabes também pode avançar nas áreas de energia renovável e descarbonização. Os investimentos realizados por economias do Oriente Médio na transição energética criam oportunidades para empresas brasileiras ligadas aos biocombustíveis, à bioenergia e às tecnologias de baixo carbono.

Outro caminho apontado é a internacionalização de companhias brasileiras nos países árabes. A região dispõe de zonas francas, incentivos fiscais, infraestrutura logística e acordos comerciais que facilitam o acesso a mercados da Europa e da Ásia.

Na avaliação da Câmara Árabe, a instalação de operações locais pode transformar os países do bloco em plataformas estratégicas para a expansão internacional de empresas brasileiras.

Conflitos e Estreito de Ormuz continuam no radar

Apesar do desempenho positivo do comércio bilateral, os conflitos no Oriente Médio permanecem como fator de risco. As restrições ao trânsito de embarcações pelo Estreito de Ormuz podem elevar custos de frete, seguros e transporte de cargas.

A passagem marítima é fundamental para os fluxos globais de petróleo, gás natural e fertilizantes. Eventuais interrupções mais severas podem afetar tanto o envio de alimentos brasileiros quanto o fornecimento de insumos agrícolas árabes.

Mesmo diante das incertezas, o avanço registrado em 2026 demonstra a capacidade de adaptação das cadeias de abastecimento e reforça o potencial de integração entre Brasil e países árabes nos setores de alimentos, fertilizantes, energia, inovação e logística.

Fonte: Portal do Agronegócio

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