Publicado em: 14/05/2026 às 19:20hs
O Brasil caminha para registrar mais uma safra histórica em 2026. De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 348,7 milhões de toneladas, consolidando um dos maiores volumes já registrados pelo país.
A nova estimativa representa crescimento de 0,7% em relação à safra de 2025, equivalente a um avanço de 2,6 milhões de toneladas. Na comparação com março de 2026, o levantamento também apresentou leve alta de 0,1%.
Além do aumento da produção, o país ampliou a área agrícola cultivada. O total estimado para colheita chegou a 83,3 milhões de hectares, avanço de 2,1% frente ao ano anterior.
A soja continua sendo o principal motor do agronegócio brasileiro. O IBGE revisou novamente para cima a estimativa da oleaginosa, que deve atingir 174,1 milhões de toneladas em 2026 — novo recorde da série histórica.
O volume representa crescimento de 4,8% sobre a safra anterior, reforçando o protagonismo brasileiro no mercado global da commodity.
O Mato Grosso segue como maior produtor nacional, com previsão de 50,5 milhões de toneladas. Paraná e Rio Grande do Sul também aparecem entre os destaques da produção nacional, com recuperação importante das lavouras gaúchas após problemas climáticos em anos anteriores.
A produção brasileira de milho foi estimada em 138,2 milhões de toneladas, registrando retração de 2,5% frente ao ciclo anterior.
O milho da primeira safra apresentou crescimento relevante, impulsionado principalmente pelo Sul e Sudeste do país. Já a segunda safra, responsável pela maior parte da produção nacional, apresentou recuo diante de ajustes climáticos e produtividade menor em importantes estados produtores.
O Mato Grosso continua liderando a safrinha nacional, seguido por Paraná e Goiás.
Outro destaque do levantamento do IBGE é o café. A produção brasileira somando arábica e canephora foi estimada em 66,1 milhões de sacas de 60 quilos, o maior volume da série histórica iniciada em 2002.
O crescimento anual chega a 14,9%, sustentado por clima favorável, recuperação da produtividade e investimentos nas lavouras.
O café canephora, especialmente, deve registrar safra recorde em 2026, refletindo o avanço tecnológico no campo e o bom desempenho das áreas produtoras.
A Região Centro-Oeste mantém ampla liderança na produção brasileira de grãos, com estimativa de 174,5 milhões de toneladas — equivalente a 50% de toda a safra nacional.
Na sequência aparecem:
Entre os estados, o Mato Grosso lidera isoladamente, respondendo por 30,9% da produção brasileira de grãos. Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais completam a lista dos maiores produtores.
A produção de algodão herbáceo foi estimada em 9 milhões de toneladas. Apesar da recuperação mensal, o setor ainda apresenta forte retração em relação a 2025, pressionado pela redução de área e produtividade.
A Bahia ganhou destaque nas revisões positivas do IBGE, consolidando-se como segundo maior produtor nacional da fibra, atrás apenas do Mato Grosso.
O levantamento também trouxe sinal de alerta para o feijão. A produção brasileira estimada em 2,9 milhões de toneladas apresentou queda tanto em relação ao mês anterior quanto frente à safra passada.
Segundo o IBGE, o mercado começa a demonstrar preocupação com o equilíbrio entre oferta e consumo interno, especialmente diante da redução gradual da produção nos últimos meses.
O trigo brasileiro deve registrar produção de 7,3 milhões de toneladas, queda de 6,8% frente ao ano anterior.
A baixa rentabilidade, somada aos prejuízos climáticos recorrentes no Sul do país, tem reduzido o interesse dos produtores pelo cereal, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor.
Mesmo com desafios climáticos, oscilações de mercado e pressão sobre algumas culturas, o cenário geral do agronegócio brasileiro permanece positivo para 2026.
O avanço da soja, a recuperação do café e a ampliação da área cultivada reforçam o papel do Brasil como uma das maiores potências agrícolas globais, sustentando exportações, geração de renda e crescimento do setor no próximo ciclo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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