Rio de Janeiro amplia agenda climática com gestão de resíduos, biogás e energia renovável
Operação do CTR-Rio integra saneamento, logística e aproveitamento energético de resíduos, reduzindo emissões de gases de efeito estufa e fortalecendo a estratégia de descarbonização das cidades
Publicado em: 13/08/2026 às 10:40hs
A gestão de resíduos sólidos vem assumindo um papel cada vez mais estratégico no enfrentamento das mudanças climáticas. Em grandes centros urbanos, o tratamento adequado do lixo deixou de ser apenas uma questão de limpeza pública e passou a integrar políticas de redução de emissões, geração de energia renovável, saneamento e transição para uma economia de baixo carbono.
No Rio de Janeiro, essa transformação ganha escala por meio da operação da Regenera Rio, que integra destinação ambientalmente adequada de resíduos, logística, infraestrutura de saneamento e aproveitamento energético do biogás.
O modelo mostra como um serviço essencial para as cidades pode também contribuir para a descarbonização urbana, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa e transformando resíduos que antes representavam um passivo ambiental em fonte de energia e outros ativos ambientais.
Do antigo Jardim Gramacho ao CTR-Rio
A evolução da gestão de resíduos no Rio de Janeiro evidencia a mudança de paradigma no setor.
Durante décadas, o antigo lixão de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, tornou-se um dos principais símbolos dos desafios relacionados à destinação de resíduos no país.
Atualmente, a cidade conta com o Centro de Tratamento de Resíduos (CTR-Rio), localizado em Seropédica, que reúne infraestrutura para destinação adequada dos resíduos e aproveitamento do biogás gerado pela decomposição da matéria orgânica.
De acordo com informações citadas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o CTR-Rio abriga o maior projeto do Brasil de captura de biogás e produção de biometano.
A estrutura representa uma mudança importante na forma de tratar os resíduos urbanos, incorporando soluções de engenharia ambiental e valorização energética à cadeia de saneamento.
CTR-Rio atende mais de 8 milhões de pessoas
Diariamente, aproximadamente 10 mil toneladas de resíduos provenientes do Rio de Janeiro e de outros seis municípios fluminenses são encaminhadas ao CTR-Rio.
Além da capital, fazem parte da operação os municípios de Seropédica, Itaguaí, Mangaratiba, Piraí, Miguel Pereira e Paty do Alferes.
A estrutura atende mais de 8 milhões de pessoas e possui vida útil projetada para além de 2070.
A dimensão da operação permite concentrar em uma única cadeia diferentes soluções relacionadas à engenharia ambiental, saneamento, logística e aproveitamento energético.
Esse modelo integrado amplia o potencial de redução dos impactos ambientais associados à geração e à destinação dos resíduos urbanos.
Biogás transforma resíduos em energia
Um dos principais diferenciais do CTR-Rio está no aproveitamento do biogás produzido durante a decomposição da matéria orgânica presente nos resíduos.
O empreendimento concentra aproximadamente 8% da capacidade instalada do Brasil para captação de biogás em aterros sanitários.
A estrutura de coleta utiliza uma rede com mais de 31 quilômetros de tubulações e permite capturar aproximadamente 25 mil Nm³ de biogás por hora.
O biogás contém metano, um gás de efeito estufa de elevado potencial de aquecimento global. Segundo o dado apresentado pela operação, o potencial de aquecimento global do metano é cerca de 28 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO₂).
Dessa forma, a captura do gás evita que parte significativa do metano seja liberada diretamente na atmosfera.
Metano capturado pode gerar energia e biometano
Ao ser capturado, o biogás pode ser aproveitado para diferentes finalidades.
Na operação do CTR-Rio, o gás é direcionado para processos que permitem sua transformação em energia elétrica, biometano e créditos de carbono certificados.
O processo transforma um passivo ambiental em um recurso associado à economia de baixo carbono.
A produção de biometano apresenta ainda potencial para substituir combustíveis fósseis em setores como transporte e indústria, aproximando a gestão de resíduos das estratégias de transição energética.
Com isso, a cadeia de resíduos passa a contribuir não apenas para o saneamento urbano, mas também para a redução das emissões associadas ao consumo de combustíveis convencionais.
Potencial energético chega a 50 MW
O potencial energético da operação é estimado em aproximadamente 50 MW.
Segundo os dados apresentados pela Regenera Rio, essa capacidade seria suficiente para abastecer aproximadamente 350 mil residências, ou uma população superior a 1 milhão de habitantes.
O aproveitamento energético amplia o valor econômico e ambiental dos resíduos e demonstra como a infraestrutura de saneamento pode desempenhar um papel complementar na matriz energética.
Além da geração de eletricidade, a produção de biometano aumenta as possibilidades de utilização do gás renovável em atividades que atualmente dependem de combustíveis fósseis.
Regenera Rio prevê R$ 105 milhões em investimentos
A expansão do aproveitamento energético do biogás também está prevista para os próximos anos.
Até 2028, estão previstos R$ 105 milhões em investimentos para ampliar o aproveitamento energético do biogás no CTR-Rio.
A expectativa é aumentar a capacidade de transformação dos resíduos em energia e combustíveis de baixo carbono, fortalecendo a integração entre saneamento, gestão ambiental e transição energética.
Para Maurício Batista, Diretor Presidente da Regenera Rio, a agenda climática precisa considerar a maneira como os centros urbanos administram seus resíduos.
Segundo ele, a integração entre saneamento, infraestrutura e inovação permite transformar um passivo ambiental em benefícios para a população.
A avaliação é de que, quando os resíduos passam a gerar energia renovável, combustíveis de baixo carbono e redução de emissões, deixam de representar apenas um desafio urbano e passam a fazer parte da estratégia climática das cidades.
Logística reduz impactos do transporte de resíduos
A contribuição da gestão de resíduos para a agenda climática não se limita ao aproveitamento do biogás.
A logística de transporte também desempenha papel importante na redução dos impactos ambientais e urbanos da operação.
Antes de chegar ao CTR-Rio, os resíduos coletados na capital são encaminhados para cinco Estações de Transferência de Resíduos (ETRs).
As unidades estão localizadas nos bairros de Bangu, Caju, Jacarepaguá, Marechal Hermes e Santa Cruz.
Nessas estações, os resíduos são concentrados e transferidos para veículos com maior capacidade, que realizam o transporte até Seropédica.
Estações de transferência reduzem viagens e emissões
O sistema de transferência permite transportar volumes maiores de resíduos em uma quantidade menor de viagens.
Na prática, isso contribui para reduzir as emissões associadas ao transporte, além de diminuir a circulação de veículos pesados nas vias urbanas do Rio de Janeiro.
A redução do número de viagens também pode contribuir para melhorar as condições do tráfego nas regiões impactadas pela movimentação dos veículos responsáveis pelo transporte dos resíduos.
Dessa forma, a eficiência logística passa a integrar a estratégia ambiental da operação.
Gestão de resíduos integra saneamento, mobilidade e descarbonização
A experiência do Rio de Janeiro mostra como a gestão de resíduos pode ser estruturada de maneira integrada.
Em vez de considerar apenas a destinação final do lixo, o modelo incorpora diferentes etapas da cadeia, incluindo coleta, triagem de materiais recicláveis, transferência, transporte, destinação ambientalmente adequada, captura de biogás e geração de energia.
Essa integração amplia os benefícios ambientais da infraestrutura de resíduos.
De acordo com Maurício Batista, a gestão de resíduos não termina na destinação final. O processo começa na coleta, passa pela eficiência logística e pelo aproveitamento dos materiais e se completa com o uso ambiental e energético dos resíduos.
Resíduos ganham espaço na estratégia climática das cidades
O caso do Rio de Janeiro evidencia uma tendência que vem ganhando importância nas políticas ambientais urbanas: transformar a gestão de resíduos sólidos em uma ferramenta de descarbonização.
A captura do metano, a geração de energia elétrica, a produção de biometano e a redução das emissões relacionadas ao transporte criam diferentes oportunidades de mitigação dos impactos ambientais.
Ao mesmo tempo, a infraestrutura adequada de tratamento e destinação dos resíduos contribui para o saneamento e para a qualidade ambiental dos municípios.
O aproveitamento energético do biogás adiciona uma nova dimensão à gestão de resíduos ao transformar matéria orgânica em uma fonte de energia renovável.
Rio aposta em infraestrutura para uma economia de baixo carbono
Com uma operação que atende mais de 8 milhões de pessoas, movimenta aproximadamente 10 mil toneladas de resíduos diariamente e conta com uma extensa rede para captura de biogás, o CTR-Rio representa uma infraestrutura de grande escala para a gestão de resíduos no estado.
A previsão de novos investimentos até 2028 reforça a perspectiva de ampliar a utilização energética do biogás e aumentar sua contribuição para a transição energética.
A combinação entre saneamento, logística, gestão ambiental, geração de energia e produção de biometano coloca os resíduos no centro de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento urbano sustentável.
Para o Rio de Janeiro, a experiência demonstra que soluções ambientais de longo prazo podem estar diretamente associadas à infraestrutura urbana e à capacidade de transformar resíduos em recursos.
Gestão de resíduos como ferramenta climática
A evolução da gestão de resíduos no Rio de Janeiro mostra que o lixo urbano pode deixar de ser tratado apenas como um problema de destinação.
Com infraestrutura adequada, o material descartado pode contribuir para a produção de energia renovável, geração de biometano, redução de emissões de gases de efeito estufa e geração de créditos de carbono.
O modelo também evidencia a importância da eficiência logística. A utilização das cinco Estações de Transferência de Resíduos reduz a necessidade de viagens de longa distância e diminui a circulação de veículos pesados.
Nesse contexto, a gestão integrada de resíduos passa a conectar saneamento, mobilidade, energia e clima, criando uma estratégia capaz de gerar benefícios ambientais e urbanos simultaneamente.
Palavras-chave SEO: gestão de resíduos, Rio de Janeiro, Regenera Rio, CTR-Rio, biogás, biometano, energia renovável, descarbonização, mudanças climáticas, saneamento, resíduos sólidos, captura de metano, créditos de carbono, energia do lixo, gestão ambiental, sustentabilidade, economia de baixo carbono, agronegócio sustentável.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias