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Análise de Mercado

Preços da indústria sobem 1,54% em setembro, com alta de alimentos e combustíveis

IPP do IBGE acumula avanço de 5,04% em 2026; derivados da soja e da cana pressionam alimentos, enquanto defensivos e fertilizantes fosfatados recuam


Publicado em: 28/10/2026 às 11:00hs

Preços da indústria sobem 1,54% em setembro, com alta de alimentos e combustíveis

Os preços da indústria brasileira subiram 1,54% em setembro, acelerando em relação à alta de 0,34% registrada em agosto. O resultado do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi influenciado principalmente pelos alimentos, pelas indústrias extrativas e pelo refino de petróleo e biocombustíveis.

Com a variação mensal, o indicador acumulou alta de 5,04% no ano e de 4,34% em 12 meses. Em agosto, a taxa acumulada em um ano estava em 2,50%.

O IPP acompanha os preços dos produtos das indústrias extrativas e de transformação na saída da fábrica, sem impostos e fretes. Entre as 24 atividades pesquisadas, 16 registraram alta em setembro, ante 13 em agosto.

Alimentos têm maior influência na alta mensal

Os preços da indústria de alimentos avançaram 2,40% em setembro, marcando o quarto mês consecutivo de aumento. A atividade foi a maior responsável pelo resultado geral, com contribuição de 0,58 ponto percentual para a alta de 1,54% do IPP.

A aceleração do setor ocorreu após variações de 0,02% em junho, 0,35% em julho e 1,99% em agosto. Com isso, os preços dos alimentos na indústria acumularam alta de 5,16% no ano e de 2,45% em 12 meses.

O resultado anual contrasta com o observado em setembro de 2025, quando o setor acumulava queda de 8,10% desde o início daquele ano. Na comparação em 12 meses, o indicador voltou ao campo positivo após 12 resultados negativos.

Derivados da soja e da cana pressionam preços dos alimentos

Segundo o IBGE, quatro produtos derivados da cana-de-açúcar e da soja concentraram as maiores influências sobre a variação da indústria de alimentos em setembro. Juntos, responderam por 1,66 ponto percentual da alta setorial de 2,40%.

A menor disponibilidade esteve entre os fatores associados ao aumento. No caso do açúcar, uma parcela maior da cana destinada à produção de etanol contribuiu para restringir a oferta do produto.

Já na cadeia da soja, as dúvidas sobre os possíveis efeitos do El Niño contribuíram para acelerar a demanda, de acordo com a análise do instituto.

Petróleo e biocombustíveis também impulsionam o IPP

As indústrias extrativas registraram alta de 11,04% em setembro, a variação mais intensa entre as atividades pesquisadas. O setor contribuiu com 0,47 ponto percentual para o resultado mensal da indústria geral.

O principal impulso veio dos preços dos óleos brutos de petróleo, em um contexto de oscilações no mercado internacional e de dificuldades logísticas associadas aos conflitos no Oriente Médio. Em sentido contrário, produtos ligados ao minério de ferro ajudaram a moderar a alta setorial.

No refino de petróleo e biocombustíveis, os preços subiram 4,88% em relação a agosto, interrompendo uma sequência de quatro meses de queda. A atividade teve influência de 0,46 ponto percentual no IPP mensal.

A gasolina, exceto para aviação, esteve entre os produtos de maior contribuição para o resultado. O setor acumulou alta de 4,52% no ano e de 3,34% em 12 meses.

Defensivos agrícolas recuam, mas ureia e NPK ficam mais caros

A indústria de outros produtos químicos registrou alta de 0,68% em setembro, após três meses consecutivos de variações negativas. O avanço da nafta nos mercados globais influenciou os preços de produtos petroquímicos básicos e de segunda geração.

Nos insumos destinados à agricultura, porém, os movimentos foram diferentes conforme o produto.

A fabricação de defensivos agrícolas e desinfestantes domissanitários apresentou queda média de 1,29% frente a agosto. Segundo o IBGE, o resultado refletiu descontos comerciais em um período de encerramento da janela sazonal de compras para a safra 2026/27.

Os fertilizantes fosfatados também contribuíram para a redução dos preços no segmento de produtos químicos inorgânicos. Em contrapartida, ureia e adubos à base de NPK foram comercializados a preços mais altos e estiveram entre as principais influências positivas da indústria química.

No acumulado, os preços de outros produtos químicos avançaram 8,86% em 2026 e 3,98% em 12 meses.

Bens intermediários concentram impacto sobre a indústria

Entre as grandes categorias econômicas, os bens intermediários — produtos utilizados como insumos por outras atividades — tiveram alta de 1,94% em setembro.

Com peso de 54,10% no índice geral, a categoria respondeu por 1,04 ponto percentual da variação mensal de 1,54%.

Os bens de consumo subiram 1,18%, enquanto os bens de capital, como máquinas e equipamentos, avançaram 0,62%. Dentro dos bens de consumo, a alta foi de 0,38% para os duráveis e de 1,33% para os semiduráveis e não duráveis.

No acumulado do ano, os bens intermediários registraram aumento de 5,92%, seguidos pelos bens de consumo, com 4,18%, e pelos bens de capital, com 3,25%.

Borracha e plástico caem no mês, mas acumulam alta no ano

A fabricação de produtos de borracha e plástico apresentou queda de 0,80% em setembro, terceiro recuo mensal consecutivo. Entre julho e setembro, a retração acumulada foi de 4,30%.

Apesar da acomodação recente, o setor ainda registrava alta de 10,46% no ano e de 9,48% em 12 meses.

Nas comparações acumuladas, produtos plásticos para embalagem e transporte, como filmes, sacos e garrafas, estiveram entre as principais influências positivas.

Na metalurgia, os preços ficaram próximos da estabilidade em setembro, com variação de 0,03%, após alta de 2,13% em agosto. A atividade acumulou aumento de 5,48% no ano e de 9,43% em 12 meses, influenciada especialmente pelos preços de metais não ferrosos, como alumínio, cobre e ouro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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