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Análise de Mercado

Passagem aérea sobe 23% em 2026 e ônibus ganha espaço como alternativa econômica para viagens no Brasil

Índice do Rodoviário ClickBus mostra que tarifas de ônibus avançam bem abaixo do transporte aéreo, reforçando competitividade do modal rodoviário no mercado brasileiro


Publicado em: 15/07/2026 às 10:45hs

Passagem aérea sobe 23% em 2026 e ônibus ganha espaço como alternativa econômica para viagens no Brasil

Mercado externo: transporte rodoviário mantém vantagem diante da alta das tarifas aéreas

O aumento dos custos das viagens aéreas tem ampliado a competitividade do transporte rodoviário brasileiro como alternativa para consumidores que buscam economia. Dados do Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), elaborado em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostram que as passagens de ônibus registraram uma alta significativamente menor que os bilhetes aéreos em 2026.

No acumulado de janeiro a junho de 2026, as passagens rodoviárias subiram 6,3% na comparação com o primeiro semestre de 2025. No mesmo período, as tarifas aéreas avançaram 23,1%, quase quatro vezes mais.

A diferença ficou ainda mais evidente na comparação anual. Entre junho de 2025 e junho de 2026, o preço das passagens de ônibus aumentou 7,0%, enquanto as passagens aéreas tiveram alta de 52,4%.

O cenário reforça uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que passou a considerar o ônibus interestadual e intermunicipal como uma opção mais previsível diante da pressão sobre os preços das viagens aéreas.

Mercado interno: Nordeste registra alta moderada nas passagens de ônibus, mas lidera avanço mensal em junho

Entre as regiões brasileiras, o Nordeste apresentou uma das menores altas acumuladas no preço das passagens rodoviárias no primeiro semestre de 2026, com avanço de 4,4%.

Apesar da variação mais controlada no acumulado, a região registrou a maior alta mensal do país em junho, período marcado pelo aumento da demanda por deslocamentos relacionados às festividades regionais e ao início das férias escolares.

Na comparação entre maio e junho de 2026, as tarifas de ônibus nordestinas subiram 3,0%, superando as demais regiões.

No acumulado do primeiro semestre, os reajustes regionais ficaram distribuídos da seguinte forma:

  • Centro-Oeste: alta de 10,2%;
  • Sudeste: aumento de 8,2%;
  • Nordeste: avanço de 4,4%;
  • Norte: crescimento de 3,9%;
  • Sul: elevação de 1,9%.

Os números mostram que, apesar das diferenças regionais, o transporte rodoviário continua apresentando uma evolução de preços mais próxima da inflação geral do país.

Preços e mercado: passagem de ônibus sobe menos que inflação aérea e diesel

O histórico do IRCB mostra que a diferença entre os modais não é um movimento isolado.

Desde o início da série histórica, em dezembro de 2017, as passagens de ônibus acumulam alta de 59,8%, enquanto as tarifas aéreas avançaram 80,9% no mesmo intervalo, considerando os dados do IPCA.

Na comparação entre junho de 2025 e junho de 2026, o reajuste do transporte rodoviário também permaneceu próximo ao comportamento geral dos preços:

  • O IRCB das passagens de ônibus avançou 7,0%;
  • O IPCA geral apresentou alta de 4,6%;
  • As passagens aéreas registraram aumento de 52,4%.

Outro fator relevante é o comportamento do diesel, principal insumo operacional das empresas rodoviárias.

No primeiro semestre de 2026, o preço do diesel subiu 8,5% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as tarifas de ônibus avançaram 6,3%, indicando que parte da pressão de custos não foi totalmente repassada ao consumidor.

Indicadores: viagens interestaduais e categorias de maior conforto tiveram maiores reajustes

O levantamento da ClickBus e da Fipe mostra diferenças importantes conforme o tipo de deslocamento e serviço escolhido pelo passageiro.

Viagens interestaduais registram maior alta que deslocamentos municipais

As viagens que cruzam fronteiras estaduais apresentaram maior aumento no primeiro semestre de 2026.

O segmento interestadual acumulou alta de 7,6%, enquanto o transporte intermunicipal registrou crescimento de 5,9%.

Na comparação dos últimos 12 meses, o comportamento permaneceu semelhante:

  • Transporte interestadual: alta de 6,2%;
  • Transporte intermunicipal: aumento de 5,7%.

O resultado mostra que viagens mais longas continuam sofrendo maior pressão de custos, embora permaneçam competitivas frente ao transporte aéreo.

Serviço cama lidera alta entre categorias de ônibus

Entre as modalidades oferecidas pelas empresas rodoviárias, o serviço de maior conforto apresentou a maior valorização no primeiro semestre de 2026.

A categoria Cama teve alta de 8,8%, seguida por:

  • Convencional: +6,9%;
  • Semileito: +6,2%;
  • Leito: +6,0%;
  • Executivo: +4,4%.

No acumulado dos últimos 12 meses, a liderança mudou, com a categoria Convencional registrando a maior alta, de 6,5%, seguida pelo Leito, com 6,1%, e pelo serviço Cama, com 5,6%.

Viagens curtas concentram maior aumento de preços

A distância percorrida também influenciou o comportamento das tarifas rodoviárias.

No primeiro semestre de 2026, os maiores reajustes ficaram concentrados nas viagens de curta distância.

Os aumentos registrados foram:

  • Viagens curtas, de até 100 quilômetros: +10,1%;
  • Viagens média-longas, entre 300 e 400 quilômetros: +7,0%;
  • Viagens média-curtas, entre 100 e 200 quilômetros: +6,6%;
  • Viagens longas, acima de 400 quilômetros: +5,9%;
  • Viagens médias, entre 200 e 300 quilômetros: +4,1%.

As viagens de longa distância, que apresentam maior concorrência com o transporte aéreo, foram o único grupo a registrar queda na comparação entre dezembro de 2025 e junho de 2026, com recuo de 5,8%.

Análise: ônibus amplia vantagem competitiva diante da alta das passagens aéreas

O mercado brasileiro de transporte de passageiros vive uma transformação em 2026. Enquanto as passagens aéreas acumulam aumentos expressivos, o transporte rodoviário mantém uma trajetória de preços mais moderada.

O avanço de 6,3% nas tarifas de ônibus no primeiro semestre, diante da alta de 23,1% no transporte aéreo, fortalece o modal rodoviário como alternativa para consumidores que buscam reduzir custos em viagens nacionais.

Além do preço mais competitivo, fatores como maior oferta de destinos regionais, facilidade de acesso e previsibilidade das tarifas contribuem para manter a demanda pelo setor.

Na avaliação mais recente do IRCB, referente a junho de 2026, as passagens rodoviárias apresentaram recuperação após a queda registrada em maio.

O índice nacional avançou 1,1% entre maio e junho, enquanto as tarifas interestaduais subiram 2,3% e as intermunicipais tiveram alta de 0,7%.

No recorte regional de junho, os maiores avanços foram registrados no:

  • Nordeste: +3,0%;
  • Centro-Oeste: +1,7%;
  • Sudeste: +0,4%;
  • Norte: +0,3%;
  • Sul: +0,3%.

O cenário indica que, diante da forte pressão sobre os preços do transporte aéreo, o ônibus segue ganhando espaço no planejamento de viagens dos brasileiros.

A combinação entre preço mais acessível, ampla cobertura territorial e menor volatilidade transforma o transporte rodoviário em uma das principais alternativas para quem busca economia sem abrir mão da mobilidade.

Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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