Exportações do agronegócio faturam US$ 87 bilhões e crescem 6,2% apesar das tensões globais
Avanço do volume embarcado e aumento das vendas para China, Índia, União Europeia e países do Golfo sustentam receita do agro brasileiro no primeiro semestre de 2026
Publicado em: 03/09/2026 às 10:50hs
O agronegócio brasileiro faturou US$ 87 bilhões com exportações no primeiro semestre de 2026, crescimento de 6,2% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho positivo foi registrado mesmo diante das tensões geopolíticas, da elevação dos custos logísticos e das mudanças nas políticas comerciais de importantes parceiros.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que o aumento da receita foi impulsionado principalmente pela expansão do volume exportado. Os cálculos utilizam informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), obtidas por meio do sistema Siscomex.
Volume exportado pelo agro cresce 7,5%
A quantidade de produtos agropecuários embarcada pelo Brasil aumentou 7,5% na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. O resultado compensou a queda de 1,2% no preço médio em dólar das mercadorias exportadas.
Entre os produtos que registraram os maiores avanços no volume enviado ao exterior estão:
- Óleo de soja: alta de 30%;
- Milho: crescimento de 22%;
- Algodão: avanço de 21%;
- Carne bovina: aumento de 15%;
- Carne de frango: expansão de 14%;
- Farelo de soja: crescimento de 11%;
- Carne suína: alta de 10%;
- Soja em grão: avanço de 7%.
A ampliação dos embarques reforça a capacidade do agronegócio brasileiro de abastecer diferentes mercados, apesar das dificuldades comerciais e logísticas enfrentadas ao longo do ano.
Produção recorde amplia oferta brasileira
O desempenho das exportações encontra suporte na produção agropecuária nacional. A safra brasileira de grãos 2025/26 alcançou novo recorde, garantindo elevada disponibilidade de produtos para o mercado doméstico e para as vendas internacionais.
A colheita de café da temporada 2026/27 também pode atingir volume recorde, embora o excesso de chuva tenha provocado preocupações com a qualidade dos grãos em algumas regiões produtoras.
Na cana-de-açúcar, os rendimentos observados nas lavouras permanecem satisfatórios. Esse cenário mantém a oferta brasileira em patamares elevados e amplia a competitividade do país no comércio mundial de alimentos, fibras e bioenergia.
Fretes e conflitos pressionam custos das exportações
Embora a produção permaneça favorável, o setor enfrenta entraves importantes. As tensões internacionais provocam oscilações nos preços do petróleo, com reflexos diretos sobre combustíveis, fertilizantes, transporte e demais custos de produção.
A interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz também aumenta a preocupação com as rotas globais de navegação e os preços dos fretes. Soma-se a esse cenário a política tarifária dos Estados Unidos, que tem afetado a competitividade dos produtos brasileiros naquele mercado.
As dificuldades logísticas e comerciais limitam parte do potencial de crescimento das exportações, ainda que o Brasil continue ampliando sua participação em destinos estratégicos.
Exportações para os Estados Unidos recuam 25%
As vendas para China, Índia, União Europeia e países do Golfo foram os principais destaques positivos do primeiro semestre. Em contrapartida, houve redução dos embarques para mercados relevantes, como Emirados Árabes Unidos e Iraque.
A queda mais expressiva ocorreu nas exportações do agronegócio para os Estados Unidos. A receita obtida com os embarques ao mercado norte-americano recuou 25% na comparação anual.
Esse resultado impediu um crescimento ainda maior do faturamento total do setor e reforçou a necessidade de ampliar destinos e reduzir a dependência de mercados sujeitos a barreiras tarifárias.
China responde por 35% da receita do agro brasileiro
A China permaneceu como o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. No primeiro semestre de 2026, o faturamento com as vendas ao país asiático cresceu 10% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os chineses adquiriram mais de US$ 30 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, montante equivalente a 35% de toda a receita externa do setor no período.
O complexo soja concentrou 66% do valor gasto pela China com produtos do agro nacional. A forte participação confirma a importância da soja em grão, do farelo e do óleo na relação comercial entre os dois países.
Carnes e celulose ganham espaço no mercado chinês
Além da soja, a carne bovina brasileira manteve posição relevante na pauta chinesa. O país respondeu por 53% de toda a receita obtida pelo Brasil com as exportações de carne bovina in natura.
Na celulose, a participação chinesa alcançou 48% das vendas externas brasileiras. A China também respondeu por 8% dos embarques nacionais de carne suína.
Juntos, os complexos soja, carnes e produtos florestais representaram mais de 90% das exportações brasileiras do agronegócio para o mercado chinês no primeiro semestre.
Essa concentração aumenta a preocupação dos segmentos produtivos com eventuais cotas de importação, barreiras comerciais ou outras restrições impostas pelo governo chinês.
Cotas e restrições sanitárias preocupam o setor
Para o segundo semestre de 2026, a cota chinesa sobre a carne bovina brasileira está entre os principais pontos de atenção. Eventuais limitações podem afetar frigoríficos, pecuaristas e toda a cadeia exportadora.
O setor também acompanha as restrições da União Europeia relacionadas ao uso de agentes antimicrobianos na produção animal. As exigências europeias podem afetar o acesso de produtos brasileiros a um dos mercados mais importantes e rigorosos do comércio internacional.
Além dessas questões, a continuidade dos conflitos internacionais mantém elevados os riscos para custos de transporte, disponibilidade de insumos e circulação de mercadorias.
Oferta global deve permanecer elevada no segundo semestre
Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que a oferta mundial de produtos agropecuários deve continuar em níveis satisfatórios nos próximos meses.
O cenário permanece condicionado, entretanto, às mudanças climáticas cada vez mais frequentes e aos impactos dos conflitos no Irã e na Ucrânia sobre energia, fertilizantes, logística e comércio internacional.
Mesmo diante das incertezas, o crescimento de 6,2% na receita e de 7,5% no volume embarcado demonstra a resiliência das exportações do agronegócio brasileiro. O desempenho no restante de 2026 dependerá da evolução dos custos logísticos, das barreiras comerciais e da capacidade do país de preservar e diversificar seus mercados externos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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