Exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia crescem 14,8% após acordo Mercosul-UE
Brasil movimentou US$ 12,21 bilhões em vendas de produtos agropecuários e agroindustriais ao bloco europeu entre maio e setembro; carnes, soja, mel e frutas lideraram os avanços
Publicado em: 04/11/2026 às 18:00hs
As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia registraram crescimento expressivo nos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Entre maio e setembro, as vendas externas alcançaram US$ 12,21 bilhões, avanço de 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os dados divulgados pelo Ministério da Agricultura mostram que o acordo, iniciado em 1º de maio, coincide com um período de expansão dos embarques brasileiros para o mercado europeu, ampliando as oportunidades comerciais para diferentes segmentos do agronegócio nacional.
Em volume, o Brasil exportou 17,74 milhões de toneladas de produtos agropecuários e agroindustriais para os países do bloco nos cinco meses analisados, quantidade 8,1% superior à registrada no mesmo intervalo do ano passado.
O desempenho demonstra o fortalecimento da presença brasileira no mercado europeu, com crescimento tanto nas cadeias tradicionais de exportação quanto em segmentos de maior diversificação da pauta agropecuária.
Complexo soja lidera exportações brasileiras para a União Europeia
O complexo soja, formado por grãos, farelo e óleo, permaneceu na liderança das exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia.
Entre maio e setembro, as vendas desse segmento somaram US$ 4,19 bilhões, crescimento de 34,2% em valor na comparação anual. O volume embarcado também apresentou desempenho positivo, com expansão de 20,5%.
A soja em grãos foi um dos principais destaques, com aumento de 49% no valor exportado e de 35,1% na quantidade embarcada.
Já as exportações de farelo de soja avançaram 22,5% em valor e 10,6% em volume, reforçando a importância da cadeia de processamento da oleaginosa no comércio entre Brasil e União Europeia.
Os resultados confirmam a relevância do complexo soja na pauta exportadora brasileira e a força da demanda europeia pelos produtos derivados da oleaginosa.
Exportações de carnes para a Europa crescem mais de 100%
Os produtos de origem animal apresentaram um dos desempenhos mais expressivos no período. As exportações desse grupo cresceram 55,5% em valor nos primeiros cinco meses de vigência provisória do acordo.
O destaque ficou com as carnes, cujos embarques registraram crescimento de 103,5% em valor e de 170% em volume, atingindo 272 mil toneladas.
O avanço reforça o espaço da proteína animal brasileira no mercado europeu e amplia a importância da União Europeia como destino para os produtos da pecuária nacional.
O desempenho também evidencia o potencial de diversificação das exportações agropecuárias brasileiras, especialmente em segmentos que apresentam oportunidades de ampliação comercial.
Café brasileiro amplia presença no mercado europeu
O setor cafeeiro também registrou resultados positivos, com crescimento nas exportações de produtos industrializados.
As vendas de café torrado aumentaram 91,6% em valor, alcançando US$ 770 mil. Em volume, a expansão foi ainda maior, chegando a 116,5%.
No segmento de café solúvel, as exportações somaram US$ 78,66 milhões, crescimento de 19% em valor e de 38,2% em quantidade.
Os números mostram o avanço das vendas de café brasileiro em diferentes apresentações, incluindo produtos com maior nível de processamento, que agregam valor à cadeia produtiva nacional.
Exportações de mel avançam 367% em valor
Entre os segmentos que mais ampliaram as vendas para a União Europeia estão os produtos apícolas, especialmente o mel.
O valor exportado pelo setor apresentou crescimento de 367% no período analisado, colocando os produtos da apicultura entre os destaques da expansão comercial brasileira.
O resultado evidencia o potencial de mercados especializados para a produção nacional e abre espaço para o fortalecimento de cadeias agroindustriais de menor participação relativa na pauta tradicional de exportações.
Abacate, manga e maçã impulsionam vendas de frutas
O grupo de frutas, nozes e castanhas também apresentou desempenho positivo. As exportações brasileiras desses produtos para a União Europeia cresceram 15% em valor entre maio e setembro.
Algumas frutas registraram avanços expressivos e ampliaram sua participação no mercado europeu.
O abacate foi um dos principais destaques, com aumento de 421,2% no valor exportado, que alcançou US$ 19,87 milhões. Em volume, os embarques cresceram 433,7%.
As vendas de manga também avançaram, com crescimento de 31,2% em valor e de 23,6% em quantidade.
Já as exportações de maçã registraram alta de 28,8% em valor e de 33,7% em volume, demonstrando o avanço da presença das frutas brasileiras no comércio europeu.
Os resultados reforçam as oportunidades para a fruticultura nacional, especialmente em mercados que valorizam diversidade de produtos, qualidade e regularidade no fornecimento.
Produtos florestais e outras oleaginosas também avançam
A expansão das exportações brasileiras para a União Europeia alcançou ainda outros segmentos do agronegócio.
Os embarques de produtos florestais cresceram 23% em valor na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Outro destaque foram os produtos oleaginosos que não pertencem ao complexo soja, cujas exportações registraram aumento de 161% em valor.
O desempenho mostra que o crescimento das vendas brasileiras para o bloco europeu não está concentrado em uma única cadeia produtiva, envolvendo diferentes atividades agropecuárias e agroindustriais.
Acordo Mercosul-UE amplia oportunidades para o agronegócio brasileiro
Os resultados dos primeiros cinco meses de aplicação provisória do acordo comercial indicam um cenário positivo para as exportações do agronegócio brasileiro à União Europeia.
Com US$ 12,21 bilhões em vendas e 17,74 milhões de toneladas embarcadas, o Brasil ampliou sua presença em um dos mercados consumidores mais relevantes do comércio internacional.
O avanço das exportações de soja, carnes, café, mel, frutas e produtos florestais evidencia a diversidade da pauta brasileira e o potencial de expansão das relações comerciais entre os dois blocos.
A continuidade desse movimento dependerá do aproveitamento das oportunidades comerciais, da competitividade dos produtos brasileiros e da capacidade dos setores produtivos de atender às exigências do mercado europeu.
Para o agronegócio nacional, a ampliação do acesso ao mercado europeu representa uma oportunidade de diversificar destinos, agregar valor às exportações e fortalecer a participação brasileira no comércio internacional de alimentos e produtos agroindustriais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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