Eco Invest libera R$ 200 milhões para recuperar áreas degradadas e modernizar irrigação na Caatinga
Primeira operação do segundo leilão do programa no bioma será executada pela Agrovale, com financiamento estruturado pelo Itaú BBA e expectativa de elevar a produção em 223%
Publicado em: 24/08/2026 às 11:48hs
A Agrovale concluiu a estruturação técnica e financeira de um projeto de aproximadamente R$ 200 milhões destinado à recuperação produtiva de áreas degradadas e à modernização da irrigação no semiárido brasileiro.
Selecionada no segundo leilão do Programa Eco Invest Brasil, a operação é a primeira viabilizada nessa etapa do programa para um empreendimento localizado no bioma Caatinga. O Itaú BBA atuou como estruturador e financiador, com prazo de sete anos para a operação.
Os recursos serão aplicados na recuperação de áreas degradadas de canavial e na implantação de sistemas de irrigação por gotejamento. A expectativa é aumentar a produtividade, reduzir o consumo de água e acelerar a transição para uma agropecuária de baixo carbono.
Projeto será implantado no semiárido brasileiro
As áreas cultivadas pela Agrovale estão localizadas em uma região do semiárido com precipitação média anual próxima de 400 milímetros.
A baixa disponibilidade de chuva torna a irrigação indispensável para a manutenção da produção agrícola. Ao mesmo tempo, exige a adoção de tecnologias capazes de melhorar a eficiência no uso dos recursos hídricos.
Nesse contexto, o projeto pretende substituir ou modernizar sistemas convencionais por irrigação localizada. O gotejamento distribui a água diretamente na região das raízes, reduzindo perdas por evaporação, escoamento superficial e aplicação em áreas sem necessidade.
A tecnologia também permite maior controle sobre a quantidade e a frequência da irrigação, adequando o fornecimento de água às exigências das plantas e às condições do solo.
Recuperação de canaviais degradados está entre as prioridades
Parte do financiamento será destinada à recuperação produtiva de áreas de canavial que apresentam sinais de degradação.
O plano prevê medidas para melhorar a qualidade do solo, ampliar sua capacidade de retenção de matéria orgânica e restabelecer o potencial produtivo das áreas cultivadas.
Solos degradados costumam apresentar menor fertilidade, compactação, baixa infiltração de água e redução da atividade biológica. Essas condições limitam o desenvolvimento das plantas e aumentam a necessidade de insumos e intervenções.
Com a recuperação, a Agrovale espera produzir mais nas áreas já abertas, evitando a necessidade de expansão sobre novas áreas e aumentando a eficiência do uso da terra.
Produção pode crescer aproximadamente 223%
A expectativa da empresa é alcançar um incremento de aproximadamente 223% na produção em comparação com sistemas convencionais de irrigação utilizados na região.
O ganho deverá resultar da combinação entre recuperação do solo, regularidade no fornecimento de água e maior eficiência das operações agrícolas.
A projeção considera que o gotejamento permitirá atender às necessidades hídricas da cana-de-açúcar com maior precisão, reduzindo períodos de estresse e melhorando o aproveitamento dos nutrientes.
Além do aumento da produtividade, a modernização pode reduzir custos relacionados ao bombeamento, ao desperdício de água e às perdas provocadas por sistemas menos eficientes.
Projeto prevê receita de R$ 1,3 bilhão
Ao longo da execução do projeto, a receita estimada com os produtos obtidos nas áreas recuperadas é de aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
O investimento poderá gerar efeitos econômicos que ultrapassam os limites das propriedades. A expansão da produção tende a movimentar fornecedores, prestadores de serviços, transporte, manutenção de equipamentos e demais atividades relacionadas à cadeia sucroenergética.
A iniciativa também pode contribuir para a geração de emprego e renda no semiárido, região em que a disponibilidade de água e as limitações climáticas representam obstáculos permanentes ao desenvolvimento agrícola.
Irrigação por gotejamento melhora uso da água
A eficiência hídrica é um dos pontos centrais da operação. Em uma região com precipitação limitada e distribuição irregular das chuvas, o uso racional da água é determinante para a viabilidade da produção.
A irrigação por gotejamento permite aplicar volumes menores e mais precisos, reduzindo perdas e melhorando a disponibilidade de água para as raízes.
O sistema também pode ser integrado a ferramentas de monitoramento do solo e das condições climáticas, permitindo ajustar a irrigação de acordo com a necessidade efetiva das lavouras.
Para o semiárido, a modernização representa uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas, especialmente diante do risco de secas mais frequentes e temperaturas elevadas.
Agricultura de baixo carbono orienta investimentos
O projeto foi estruturado para combinar recuperação produtiva, maior eficiência no uso dos recursos naturais e redução das emissões de gases de efeito estufa.
A recuperação do solo pode ampliar a retenção de matéria orgânica e favorecer o armazenamento de carbono. Já a produção mais eficiente permite elevar o volume colhido sem aumentar proporcionalmente o uso de terra, água, energia e insumos.
A redução das perdas na irrigação também pode diminuir a quantidade de energia necessária para captar e distribuir água, dependendo da configuração dos sistemas instalados.
Essas medidas fortalecem a sustentabilidade do sistema produtivo e contribuem para os compromissos brasileiros de transição para uma economia de baixo carbono.
Eco Invest amplia financiamento sustentável no agro
O Programa Eco Invest Brasil é uma iniciativa do Governo Federal voltada à mobilização de recursos para projetos sustentáveis e de baixo carbono.
Por meio de leilões, o programa cria condições financeiras para que bancos estruturem operações destinadas a investimentos com benefícios econômicos, ambientais e climáticos.
A operação com a Agrovale representa a primeira iniciativa do segundo leilão destinada à recuperação produtiva de áreas degradadas na Caatinga.
O financiamento de sete anos oferece um prazo compatível com a implantação dos sistemas, a recuperação das áreas e a maturação dos resultados econômicos.
Itaú BBA destaca competitividade do agronegócio
Para Pedro Fernandes, diretor de Agronegócio do Itaú BBA, instrumentos financeiros voltados à economia de baixo carbono são importantes para ampliar o acesso do setor produtivo ao capital de longo prazo.
Segundo o executivo, os investimentos podem combinar aumento da produtividade, uso mais eficiente dos recursos naturais e fortalecimento da competitividade do agronegócio brasileiro.
A participação do banco inclui a estruturação técnica e financeira da operação, além da concessão dos recursos necessários para a execução do projeto.
Agrovale aposta em eficiência e sustentabilidade
A superintendente administrativo-financeira da Agrovale, Juliana Alves, afirma que a operação permitirá modernizar as atividades da empresa e aumentar a produtividade das áreas cultivadas.
De acordo com a executiva, a adoção de tecnologias mais eficientes deverá otimizar o uso da água e gerar benefícios ambientais e econômicos de longo prazo.
A iniciativa insere a recuperação de áreas degradadas em uma estratégia mais ampla de modernização das operações, redução de riscos climáticos e aproveitamento responsável dos recursos disponíveis no semiárido.
Investimento pode se tornar referência para a Caatinga
A primeira operação do segundo leilão do Eco Invest Brasil na Caatinga poderá servir de referência para novos projetos de financiamento sustentável no bioma.
A região apresenta potencial para atividades agrícolas e energéticas, mas enfrenta restrições relacionadas à disponibilidade hídrica, à degradação dos solos e ao acesso a capital de longo prazo.
Ao direcionar recursos para recuperação de áreas já cultivadas e tecnologias de irrigação eficiente, o projeto mostra como crédito, inovação e gestão ambiental podem ser integrados.
A capacidade de elevar a produção sem ampliar a pressão sobre novas áreas será decisiva para avaliar os resultados. Se as projeções forem confirmadas, a iniciativa poderá demonstrar a viabilidade econômica de investimentos de baixo carbono adaptados às condições da Caatinga.
Fonte: Portal do Agronegócio
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