Publicado em: 09/03/2026 às 10:55hs
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) divulgou um comunicado manifestando preocupação com relatos de produtores rurais sobre atrasos e cancelamentos na entrega de óleo diesel previamente agendado em diversas regiões do estado. Além das dificuldades no abastecimento, agricultores também apontam aumento superior a R$ 1,20 por litro no valor do combustível nas últimas horas.
A situação ocorre justamente no período em que os produtores iniciam a colheita da safra 2025/2026, etapa que exige grande volume de combustível para operação de máquinas agrícolas e transporte da produção.
De acordo com a Federarroz, produtores relataram que pedidos de diesel previamente programados foram cancelados sob a justificativa de suposto desabastecimento. Ao mesmo tempo, houve registros de forte elevação no preço do combustível.
A entidade informou que está acompanhando de perto a situação e os possíveis reflexos no mercado. O posicionamento foi assinado pelo diretor jurídico da federação, Anderson Belloli, que destacou que eventuais irregularidades comerciais poderão ser investigadas.
Segundo a entidade, caso sejam identificadas práticas prejudiciais aos produtores ou consumidores, medidas legais poderão ser adotadas nas esferas administrativa, cível e penal, conforme previsto na legislação brasileira.
O alerta da federação ocorre em um momento considerado crítico para a cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul. O setor enfrenta atualmente uma das maiores crises de rentabilidade da atividade.
Hoje, a saca de arroz é comercializada em média por cerca de R$ 55, valor considerado bem abaixo do custo de produção do cereal, estimado entre R$ 85 e R$ 90, dependendo do sistema produtivo adotado nas propriedades.
Esse cenário tem pressionado a margem financeira dos produtores em diferentes regiões do estado, ampliando as dificuldades econômicas do setor.
A colheita da safra exige grande volume de combustível para movimentar colheitadeiras, tratores, caminhões e sistemas logísticos responsáveis pelo transporte do arroz até armazéns e unidades de beneficiamento.
Diante desse contexto, a Federarroz alerta que escassez no abastecimento ou elevação repentina do preço do diesel pode aumentar ainda mais os custos operacionais e comprometer o desempenho da atividade no campo.
Além do impacto direto nas lavouras, a entidade ressalta que eventuais problemas no abastecimento também podem gerar reflexos na oferta do produto ao consumidor.
Caso as dificuldades no fornecimento de combustível persistam, a federação avalia que a situação poderá influenciar o mercado.
Segundo a entidade, eventuais prejuízos à produção podem afetar a disponibilidade do cereal, o que pode provocar alterações nos preços ao longo da cadeia de abastecimento.
A Federarroz informou que continuará monitorando o cenário e adotará providências caso sejam confirmadas práticas que prejudiquem os produtores gaúchos.
O cenário de alta nos combustíveis também é acompanhado pelas autoridades econômicas. Dados recentes do Relatório Focus do Banco Central indicam que o mercado financeiro segue atento ao impacto de energia e combustíveis sobre a inflação brasileira.
O acompanhamento ocorre porque variações nesses insumos têm forte influência nos custos logísticos e na formação de preços de alimentos, incluindo produtos do agronegócio.
Diante dos relatos de produtores, a federação informou que pretende solicitar esclarecimentos à Petrobras sobre possíveis situações de desabastecimento de óleo diesel registradas em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.
A entidade afirma que seguirá acompanhando o tema junto às empresas da cadeia de distribuição de combustíveis para entender as causas dos atrasos e evitar prejuízos ao setor produtivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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