Publicado em: 18/03/2026 às 11:50hs
Mesmo com a estimativa de retração de 1,9% na produção de milho na safra 2025/2026, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o mercado de DDG (grãos secos de destilaria) mantém trajetória de crescimento no Brasil.
Principal coproduto da produção de etanol de milho, o DDG continua avançando impulsionado, sobretudo, pelos ganhos de eficiência industrial. A União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) projeta aumento de cerca de 19% na produção neste ano, refletindo a ampliação da capacidade instalada e a abertura de novos mercados internacionais.
O avanço do DDG está diretamente ligado à transformação estrutural da indústria de biocombustíveis no país. Tradicionalmente concentrado na cana-de-açúcar, o setor de etanol passou a incorporar o milho de forma estratégica na última década, especialmente na região Centro-Oeste.
A consolidação de usinas dedicadas exclusivamente ao milho elevou a produção de etanol e garantiu maior regularidade na oferta de coprodutos, como o DDG.
Segundo Daniel Salcedo, diretor comercial da Brado Logística, o amadurecimento do setor foi determinante para reposicionar o produto no mercado.
“O DDG deixou de ser um excedente sem destinação clara e passou a ser um insumo de alto valor agregado na nutrição animal. A eficiência industrial hoje tem peso semelhante ao volume de matéria-prima disponível”, afirma.
Nos últimos cinco anos, a produção brasileira de milho avançou de 87,1 milhões para 138,5 milhões de toneladas, crescimento de 59%. Esse cenário viabilizou novos investimentos industriais e fortaleceu o segmento de etanol de milho.
Mesmo com ajustes pontuais na oferta do grão, o setor opera atualmente em um nível mais estável, garantindo produção contínua de etanol e DDG. Esse equilíbrio permite atender à demanda interna e ampliar a atuação no mercado externo.
Com a formação de excedentes, a logística passa a desempenhar papel estratégico na competitividade do DDG brasileiro.
De acordo com Ronney Maniçoba, gerente comercial da Brado Logística, o direcionamento entre mercado interno e exportação depende diretamente das condições de safra.
Na safra 2024/2025, a escassez de milho elevou os preços e reduziu a disponibilidade para exportação. Já com a retomada da produção nas safras seguintes, a tendência é de maior excedente, favorecendo o avanço das vendas externas.
O Brasil alcançou um marco relevante ao realizar a primeira exportação de DDG para a China, um dos mercados mais estratégicos para o setor.
A operação foi conduzida pela FS, com suporte logístico da Brado, envolvendo o transporte de 72 contêineres a partir de Rondonópolis (MT) até o Porto de Santos.
A expectativa é de expansão significativa dos embarques ao longo do ano. A FS projeta crescimento de 180% no volume exportado em relação à safra anterior, incluindo também destinos como Vietnã e Indonésia.
Apesar do potencial, o acesso ao mercado chinês exige adaptação às exigências regulatórias.
“A China é um mercado relevante, mas possui regras rigorosas de importação, o que demanda uma inserção gradual do produto brasileiro”, destaca Salcedo.
A operação logística do DDG brasileiro é baseada em um modelo multimodal, que integra transporte ferroviário e rodoviário.
O produto, fabricado em Primavera do Leste (MT), segue até Rondonópolis, onde é acondicionado em contêineres. Em seguida, é transportado por ferrovia até Cubatão e finaliza o trajeto por rodovia até o Porto de Santos.
A conteinerização garante maior integridade da carga, reduz riscos operacionais e aumenta o controle logístico, fatores essenciais para operações de longa distância.
Além disso, o uso combinado de modais proporciona ganhos de escala, previsibilidade e eficiência ao processo de exportação.
Mesmo diante de oscilações na produção de milho, o mercado de DDG no Brasil demonstra resiliência e potencial de crescimento contínuo.
Com ganhos operacionais, evolução logística e abertura de novos mercados, o país avança na consolidação do DDG como produto estratégico da cadeia do etanol de milho, ampliando sua presença no comércio internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias