Cesta básica dispara em Fortaleza no primeiro semestre de 2026, enquanto São Paulo supera R$ 1 mil e lidera ranking nacional
Levantamento da Neogrid e FGV IBRE mostra que Fortaleza acumulou a maior alta da cesta básica no semestre, enquanto São Paulo mantém o maior custo do país; feijão, carne bovina e hortifrúti lideram a pressão sobre os preços.
Publicado em: 04/08/2026 às 10:30hs
A inflação dos alimentos continua pesando no orçamento das famílias brasileiras. Levantamento da Cesta de Consumo Neogrid & FGV IBRE revela que Fortaleza registrou a maior alta da cesta básica no primeiro semestre de 2026, com avanço acumulado de 10,34%, enquanto São Paulo permanece como a capital com a cesta básica mais cara do Brasil, sendo a única cidade pesquisada com custo superior a R$ 1.000.
Em junho, o comportamento dos preços foi misto entre as capitais analisadas. Seis cidades registraram aumento no custo da cesta básica, enquanto Rio de Janeiro e Belo Horizonte apresentaram queda.
São Paulo mantém a cesta básica mais cara do Brasil
A capital paulista encerrou junho com a cesta básica custando R$ 1.010,55, alta de 0,96% em relação a maio.
O resultado consolida São Paulo na liderança do ranking nacional de custo da cesta, ampliando a distância para o Rio de Janeiro, que ocupa a segunda posição após registrar queda no mês.
Segundo o levantamento, a alta paulista foi impulsionada principalmente pelo aumento dos preços de:
- Feijão (+12,60%);
- Legumes (+11,84%);
- Carne bovina (+3,58%).
Por outro lado, produtos como açúcar, frutas, café, óleo e leite UHT apresentaram recuo, reduzindo parcialmente a pressão sobre o consumidor.
Fortaleza lidera inflação da cesta básica em 2026
Fortaleza registrou a maior inflação entre todas as capitais pesquisadas tanto em junho quanto no acumulado do primeiro semestre.
No mês, a cesta avançou 3,30%, passando de R$ 929,69 para R$ 960,40.
Entre janeiro e junho, a alta acumulada chegou a 10,34%, a maior do país.
Os principais responsáveis pelo aumento foram:
- Carne bovina (+16,03%);
- Legumes (+10,33%);
- Feijão (+8,98%).
Apesar das quedas registradas em frutas, café, açúcar e óleo, o avanço expressivo das proteínas e hortifrutigranjeiros manteve forte pressão sobre os preços.
Rio de Janeiro registra maior queda em junho
Na direção oposta, o Rio de Janeiro apresentou o maior recuo mensal do levantamento.
A cesta básica caiu 1,60%, passando de R$ 990,32 para R$ 974,51.
A retração foi favorecida principalmente pela queda da carne bovina (-3,99%), além de reduções nos preços do açúcar, frutas, leite UHT, café e óleo.
Mesmo com a queda, o Rio continua sendo a segunda cesta básica mais cara do país.
Belo Horizonte mantém menor custo entre as capitais
Belo Horizonte permaneceu como a capital com a cesta básica mais barata entre as cidades pesquisadas.
Em junho, o custo médio caiu 1,02%, encerrando o mês em R$ 761,97.
Apesar da retração mensal, a cesta acumulou alta de 6,20% no primeiro semestre.
As principais pressões vieram do feijão (+8,41%) e dos legumes (+6,73%), enquanto a carne bovina apresentou leve queda, ajudando a conter a inflação dos alimentos na capital mineira.
Brasília registra segunda maior alta do semestre
Brasília acumulou aumento de 6,38% entre janeiro e junho, a segunda maior variação entre todas as capitais pesquisadas.
Em junho, a cesta avançou 0,90%, chegando a R$ 883,90.
O principal destaque foi o feijão, que subiu 25,16%, uma das maiores altas individuais registradas no levantamento.
Curitiba e Manaus apresentam comportamento mais estável
Curitiba teve alta moderada de 0,42% em junho, mas encerrou o semestre com queda acumulada de 3,10%, sendo uma das únicas capitais com redução no período.
Mesmo assim, permanece entre as cidades com menor custo da cesta básica.
Manaus registrou aumento de 1,43% em junho, impulsionado principalmente pelos legumes, que dispararam 39,78%, maior variação individual observada em todo o levantamento.
No acumulado do semestre, porém, a capital amazonense apresentou praticamente estabilidade, com alta de apenas 0,44%.
Salvador registra inflação moderada
A cesta básica em Salvador avançou 0,22% em junho, encerrando o mês em R$ 888,25.
No semestre, o aumento acumulado foi de 4,63%, posicionando a capital baiana em nível intermediário entre as cidades pesquisadas.
As maiores pressões vieram do feijão (+14,95%) e dos legumes (+14,15%).
Feijão, carne bovina e hortifrúti lideram inflação dos alimentos
De acordo com a pesquisa, os alimentos que mais pressionaram os preços da cesta básica em junho foram:
- Feijão;
- Carne bovina;
- Legumes;
- Verduras.
Entre os maiores aumentos registrados destacam-se:
- Legumes em Manaus (+39,78%);
- Feijão em Brasília (+25,16%);
- Carne bovina em Fortaleza (+16,03%);
- Feijão em Salvador (+14,95%);
- Legumes em São Paulo (+11,84%).
Já os produtos que ajudaram a reduzir a inflação foram:
- Frutas;
- Açúcar;
- Café;
- Leite UHT;
- Óleo de soja.
Cesta ampliada também registra pressão sobre alimentos e produtos de limpeza
O levantamento mostra que a inflação não ficou restrita apenas aos alimentos básicos.
Na chamada cesta ampliada, verduras foram o principal vetor de alta em praticamente todas as capitais.
Curitiba apresentou aumento de 16,85% nesse item, seguida por Belo Horizonte (+9,04%), Salvador (+5,51%) e São Paulo (+5,44%).
Produtos de limpeza também exerceram pressão significativa.
Os maiores aumentos ocorreram em:
- Detergentes em Fortaleza (+4,41%);
- Água sanitária em Curitiba (+4,87%);
- Água sanitária em Manaus (+3,70%);
- Detergentes em São Paulo (+3,31%).
Especialistas recomendam uso de inteligência de dados para reduzir impactos
Segundo Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid, o varejo precisa ir além da simples reação ao aumento dos preços.
A recomendação é utilizar ferramentas de inteligência de mercado e análise de dados para antecipar oscilações de demanda, otimizar o abastecimento, reduzir rupturas nas gôndolas e minimizar desperdícios, preservando margens e garantindo maior disponibilidade dos produtos essenciais ao consumidor.
Perspectiva para os próximos meses
Embora junho tenha apresentado comportamento mais heterogêneo entre as capitais, a pesquisa mostra que a inflação dos alimentos permanece concentrada em categorias sensíveis, como feijão, hortifrúti e carnes.
A forte diferença entre os preços das capitais evidencia que fatores como clima, logística, oferta regional e sazonalidade continuam exercendo influência decisiva sobre os custos da cesta básica, exigindo monitoramento constante por parte do varejo, da indústria e dos consumidores.
Com Fortaleza liderando a inflação dos alimentos no semestre e São Paulo mantendo a cesta básica mais cara do país, o cenário indica que a pressão sobre o custo de vida das famílias brasileiras ainda permanece elevada ao longo de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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