Publicado em: 13/05/2026 às 08:00hs
A retenção de talentos segue entre os principais desafios estruturais do agronegócio brasileiro. Em um cenário de crescente demanda por práticas sustentáveis, responsabilidade social e bem-estar animal, empresas do setor passaram a enxergar o chamado “Bem-Estar Único” como uma estratégia de gestão de pessoas, fortalecimento da cultura organizacional e aumento da competitividade no campo.
O conceito parte de uma premissa central: não existe bem-estar animal sem bem-estar humano. A lógica vem ganhando espaço em propriedades rurais, agroindústrias e sistemas produtivos que buscam melhorar indicadores de produtividade, reduzir turnover e aumentar o engajamento das equipes.
Segundo Filipe Dalla Costa, coordenador técnico de Bem-Estar Animal da MSD Saúde Animal, ambientes seguros, organizados e alinhados a valores éticos contribuem diretamente para a permanência dos profissionais no setor.
“Colaboradores que trabalham em um ambiente seguro, valorizado e alinhado a valores éticos tendem a apresentar maior engajamento, garantindo às propriedades rurais menor turnover e maior retenção de talentos”, afirma.
A dificuldade de atrair e manter profissionais no meio rural tem pressionado empresas do agronegócio em diferentes cadeias produtivas, especialmente em atividades ligadas à produção animal.
Nesse contexto, programas de qualificação, certificações e melhoria das condições de trabalho passaram a ser vistos não apenas como ações sociais, mas como investimentos estratégicos em gestão de pessoas.
De acordo com especialistas, quando o conceito de Bem-Estar Único é incorporado à cultura organizacional, três pilares ganham força:
“Quando colaboradores participam de treinamentos e recebem certificações de bem-estar único, não estão apenas adquirindo conhecimento, estão sendo reconhecidos e valorizados”, destaca Filipe Dalla Costa.
A Certificação em Bem-Estar Único – Missão de Cuidar, desenvolvida pela MSD Saúde Animal, já capacitou mais de 3 mil pessoas nos últimos quatro anos.
Segundo a empresa, o programa gera impactos diretos em indicadores estratégicos de recursos humanos, incluindo:
O especialista relata que muitos colaboradores levam os certificados para casa e compartilham o reconhecimento com familiares, fortalecendo autoestima e vínculo emocional com a empresa.
“Investir em pessoas não é apenas uma ação ética ou social. É uma estratégia concreta de retenção e atração de talentos no agronegócio”, ressalta.
Na prática, o conceito de Bem-Estar Único envolve melhorias estruturais e comportamentais dentro das propriedades rurais.
Entre as ações adotadas estão:
Segundo Filipe Dalla Costa, pequenas mudanças no ambiente de trabalho já produzem impactos significativos na redução do estresse físico e emocional das equipes.
“Após treinamentos focados em manejo humanitário e conexão humano-animal, observamos relatos de melhoria não apenas no ambiente profissional, mas também na convivência familiar dos colaboradores”, explica.
Além dos ganhos internos, empresas certificadas relatam melhora na atração de novos profissionais e fortalecimento da reputação no mercado de trabalho.
A Arapé Agroindústria, de Minas Gerais, é um dos exemplos citados. Após conquistar a Certificação em Bem-Estar Único, a empresa realizou melhorias nas estruturas das granjas, áreas de convivência, refeitórios e espaços de descanso.
Segundo Roniê Pinheiro, Head da Arapé, o principal impacto ocorreu na relação das equipes com o trabalho.
“Hoje há maior clareza sobre a importância dos cuidados com os animais e com o ambiente, o que se reflete diretamente na rotina das granjas”, afirma.
Ele destaca ainda que candidatos passaram a procurar a empresa justamente pela reputação ligada ao ambiente de trabalho mais organizado e respeitoso.
“Atualmente operamos com quadro completo e observamos maior estabilidade das equipes, além de ganhos consistentes no desempenho produtivo”, acrescenta.
A Dália Alimentos também aponta benefícios estratégicos da certificação voltada ao Bem-Estar Único.
Para Carlos Alberto Freitas, presidente executivo da empresa, o alinhamento com práticas sustentáveis e condições dignas de trabalho deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.
“Acreditamos que essa condição poderá representar atração de novos talentos e redução dos índices de turnover, porque adotamos procedimentos que asseguram bem-estar animal, segurança das equipes e sustentabilidade ambiental”, afirma.
O avanço do conceito de Bem-Estar Único mostra que o agronegócio brasileiro vem ampliando sua visão sobre produtividade e eficiência operacional.
Mais do que indicadores técnicos, empresas do setor começam a integrar gestão de pessoas, sustentabilidade, segurança e responsabilidade socioambiental como fatores estratégicos para crescimento sustentável.
Com a crescente escassez de mão de obra qualificada no campo, iniciativas voltadas à valorização humana tendem a ganhar ainda mais relevância dentro da cadeia produtiva do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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