Publicado em: 26/02/2026 às 11:15hs
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é considerado um dos mais amplos tratados internacionais da atualidade, tanto pela dimensão territorial quanto pelo peso econômico envolvido. A avaliação é dos pesquisadores Décio Luiz Gazzoni e Antônio Márcio Buainain, integrantes do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), que analisam em artigo os impactos do tratado para o agronegócio e para a formação dos profissionais da área de Agronomia.
Sob a perspectiva europeia, o acordo fortalece o comércio de produtos manufaturados e alimentos com maior valor agregado, enquanto para os países do Mercosul, o foco é a expansão das exportações agropecuárias.
Apesar do avanço, o texto não cria uma zona de livre comércio plena. Após décadas de negociações, ainda há resistência de produtores rurais europeus, especialmente na França, Irlanda e Polônia, que temem os efeitos da concorrência com os países sul-americanos. Para amenizar tensões, foram incluídas cláusulas de salvaguarda destinadas à proteção dos agricultores locais.
As restrições que ainda cercam o acordo se concentram em quatro grandes frentes:
Os autores alertam que os países do Mercosul precisarão cumprir rigorosamente os compromissos firmados, exigindo preparo técnico e qualificação em toda a cadeia produtiva.
O debate sobre o papel do engenheiro agrônomo ganha força nesse novo cenário. Em um webinário promovido pela Academia Brasileira de Ciência Agronômica, especialistas discutiram as competências e habilidades necessárias para atender às novas demandas do mercado global.
Entre os temas destacados estão comércio internacional e regulação, gestão ambiental, certificação e rastreabilidade, além de métricas de sustentabilidade e competências socioemocionais.
A atualização curricular e a capacitação contínua são vistas como fundamentais para que os profissionais liderem as transformações no campo e aproveitem as oportunidades abertas pelo acordo comercial.
Os pesquisadores defendem que o setor agropecuário deve se posicionar de forma estratégica, adequando-se às exigências de mercados cada vez mais regulados e sustentáveis, e que o engenheiro agrônomo tem papel central nesse processo de inovação, conformidade e competitividade internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias