Reciclagem de papel no Brasil chega a 60,4% e reaproveita 4,6 milhões de toneladas
Estudo da Empapel e da Ibá aponta índice de 66,9% para embalagens de papel em 2025; coleta seletiva e separação dos resíduos seguem como desafios para ampliar os resultados.
Publicado em: 21/10/2026 às 11:35hs
O Brasil reciclou 4,634 milhões de toneladas de papel em 2025, atingindo uma taxa de reciclagem de 60,4%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel) e da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), realizado pela MaxiQuim.
Nas embalagens de papel, o índice alcançou 66,9%. Em comparação com 2024, o estudo aponta crescimento de 1,6% no indicador geral de reciclagem de papel e de 2% no de embalagens.
Os resultados refletem o trabalho de uma cadeia que conecta descarte, coleta, separação, transporte e processamento industrial, permitindo que as fibras retornem à fabricação de novos produtos.
Embalagens de papel têm reciclagem de 66,9%
O desempenho das embalagens ficou acima da taxa geral de reciclagem de papel. O reaproveitamento de suas fibras permite substituir parte da matéria-prima utilizada na produção e ampliar a circularidade dos materiais.
Segundo José Carlos da Fonseca Júnior, presidente-executivo da Empapel, os números demonstram a importância da articulação entre as diferentes etapas dessa cadeia.
O dirigente destaca que o processo começa no descarte correto e depende da coleta e da separação para que o material possa retornar à indústria. A disponibilidade, a qualidade e a regularidade das aparas — papéis destinados à reciclagem — também influenciam o funcionamento do sistema.
Recuperação e reciclagem representam etapas diferentes
O levantamento distingue dois indicadores que, embora relacionados, medem momentos diferentes do aproveitamento do papel.
A recuperação corresponde à retirada do material do mercado após o uso. Esse índice chegou a 60,6% em 2025, com crescimento de 1,5% em relação a 2024, conforme o estudo.
Já a reciclagem, que alcançou 60,4%, considera o retorno efetivo do papel recuperado ao processo produtivo, como matéria-prima para novos produtos.
Entre essas etapas, o material passa por coleta, triagem, transporte, comercialização e processamento industrial. A eficiência desse percurso é determinante para transformar os resíduos separados em insumos aproveitáveis.
Brasil fica em sexto lugar em comparação entre grandes produtores
No comparativo internacional apresentado pelo estudo, o Brasil ocupa a sexta posição entre os dez maiores produtores de papel do mundo, com indicador de recuperação de 60,6%.
A Itália lidera, com 93,1%, seguida por Coreia do Sul, com 85,6%; Japão, com 81,3%; Alemanha, com 78,2%; e Estados Unidos, com índice entre 60% e 64%.
Para Fonseca Júnior, a posição evidencia a tradição brasileira na recuperação e no reaproveitamento de papel, embora o país ainda precise melhorar a coleta seletiva e a separação dos resíduos nas residências.
Coleta seletiva pode ampliar reaproveitamento das fibras
A destinação adequada dos materiais após o consumo permanece entre os principais caminhos para elevar os índices, segundo a Empapel. O avanço depende tanto da participação dos consumidores quanto da integração entre os responsáveis pela coleta, triagem e utilização industrial.
Na avaliação do presidente-executivo da entidade, o Brasil possui uma cadeia relevante, mas ainda há espaço para aumentar o aproveitamento das fibras.
Melhorar a separação na origem e a eficiência da coleta pode ampliar a disponibilidade de papel para reciclagem, fortalecendo o retorno das embalagens e de outros produtos ao ciclo industrial.
Fonte: Portal do Agronegócio
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