Mato Grosso investe R$ 1,36 milhão em ciência florestal e amplia guia de espécies madeireiras
Projeto do CIPEM, UFRA e UNEMAT já identificou 50 espécies na primeira etapa e agora pretende ampliar guia técnico para cerca de 90 espécies de interesse comercial.
Publicado em: 22/09/2026 às 17:30hs
O Mato Grosso vai ampliar o maior projeto de identificação botânica de espécies madeireiras já desenvolvido no Estado, com investimento total de R$ 1,36 milhão. A segunda etapa do Projeto Espécies Arbóreas Nativas Madeireiras de Mato Grosso foi aprovada pelo Conselho do Fundo Desenvolve Florestas, vinculado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDEC), em reunião extraordinária realizada em 15 de setembro.
Do investimento total, R$ 508.069,76 correspondem à nova etapa, enquanto R$ 860.224,50 foram destinados à primeira fase. O projeto é idealizado pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (CIPEM) e executado em parceria científica com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).
A iniciativa começou em 2023 com a proposta de ampliar o conhecimento científico sobre as espécies utilizadas no manejo florestal de Mato Grosso. Na primeira fase, a meta era identificar 32 espécies, mas o trabalho chegou a 50 espécies, resultado 56% superior ao objetivo inicialmente estabelecido.
Guia de espécies madeireiras será ampliado
A nova etapa prevê novas campanhas de campo em áreas de manejo florestal licenciadas e a ampliação do Guia de Identificação de Árvores do Estado de Mato Grosso.
A expectativa é chegar a aproximadamente 90 espécies arbóreas madeireiras de interesse comercial, reunindo informações que incluem fotografias, características anatômicas e chaves de identificação botânica.
O trabalho busca transformar a identificação das árvores utilizadas pelo setor florestal em um processo cada vez mais baseado em critérios científicos e informações verificáveis.
Dados divulgados pelo próprio CIPEM em julho mostram a dimensão do trabalho de campo já realizado: até maio de 2026, pesquisadores haviam amostrado 433 árvores em quatro regiões de Mato Grosso, associadas a 84 nomes populares e 93 nomes científicos. Ao todo, 106 espécies haviam sido reconhecidas, incluindo registros de espécies cuja ocorrência ainda não estava documentada para o Estado em determinadas bases de referência.
Ciência aplicada ao manejo florestal
A identificação botânica correta é uma etapa importante para o planejamento e a execução de planos de manejo florestal. Pesquisa vinculada à UFRA, por exemplo, avalia justamente a qualidade da identificação botânica de árvores produtoras de madeira comercializadas em áreas de manejo florestal ativo e licenciado em Mato Grosso.
O projeto também envolve a coleta de material botânico, a herborização e a caracterização anatômica da madeira. Segundo o CIPEM, as amostras são trabalhadas no Herbário da Amazônia Meridional (HERBAM) e no Laboratório de Taxonomia de Árvores da UFRA, em Belém.
O objetivo é formar uma base de conhecimento capaz de apoiar profissionais do setor florestal, órgãos de fiscalização, pesquisadores e demais agentes envolvidos na cadeia da madeira.
Rastreabilidade ganha importância no mercado internacional
A identificação científica das espécies também está relacionada à necessidade de ampliar a rastreabilidade e a conformidade da madeira brasileira diante de mercados internacionais com exigências ambientais e de origem cada vez mais rigorosas.
Nesse contexto, o guia poderá contribuir para padronizar informações utilizadas por diferentes agentes da cadeia produtiva, desde o manejo e a fiscalização até a comercialização da madeira.
Entre as referências citadas pelo setor está a EUDR, regulamentação da União Europeia voltada à comercialização de determinadas commodities associadas ao risco de desmatamento.
Projeto busca formar acervo científico sobre a madeira de Mato Grosso
Além da aplicação direta no manejo florestal, a iniciativa tem uma dimensão científica. O levantamento busca ampliar o conhecimento sobre a flora arbórea do Estado e fortalecer coleções botânicas e registros de referência.
O próprio Governo de Mato Grosso mantém projeto voltado à atualização do conhecimento taxonômico, geográfico e ecológico das espécies arbóreas como ferramenta para a gestão de florestas manejadas. A iniciativa estadual registra, em seu balanço, 1.802 espécies nativas identificadas e 299 novos registros para Mato Grosso.
Nesse cenário, o trabalho conduzido pelo CIPEM, UFRA e UNEMAT acrescenta uma frente específica voltada às espécies madeireiras de interesse comercial, com coleta e identificação diretamente em áreas de manejo.
CIPEM destaca importância estratégica da pesquisa
O presidente do CIPEM, Gleisson Omar Tagliari, afirma que o investimento representa uma mudança de foco dentro da atividade florestal, com maior valorização do conhecimento científico.
“O setor de base florestal de Mato Grosso decidiu investir onde mais importa: em ciência. Não estamos apenas manejando floresta, estamos produzindo conhecimento sobre ela”, afirmou Tagliari.
Segundo o dirigente, a identificação correta das espécies pode contribuir para ampliar a segurança e a aceitação da madeira mato-grossense em mercados mais exigentes.
Para o CIPEM, a aprovação da segunda etapa também demonstra a importância da participação do Governo de Mato Grosso e da SEDEC no desenvolvimento de uma cadeia florestal baseada em conhecimento, legalidade e sustentabilidade.
Projeto nasceu com apoio do Fundo Desenvolve Florestas
O projeto de pesquisa foi formalizado inicialmente com recursos do Fundo de Desenvolvimento Florestal do Estado de Mato Grosso (Desenvolve Floresta). Documentos oficiais do Estado registram a aprovação do projeto apresentado pelo CIPEM para levantamento, coleta, identificação e tombamento em herbário de espécies arbóreas nativas de interesse comercial.
A nova etapa amplia esse trabalho e pretende consolidar um acervo técnico voltado às espécies que possuem maior relevância para o mercado madeireiro mato-grossense.
Números do projeto
- Investimento total: R$ 1,368 milhão;
- Primeira etapa: R$ 860.224,50;
- Segunda etapa: R$ 508.069,76;
- Meta inicial: 32 espécies;
- Resultado da primeira etapa: 50 espécies identificadas;
- Meta da segunda etapa: cerca de 90 espécies de interesse comercial;
- Instituições envolvidas: CIPEM, UFRA e UNEMAT;
- Fonte dos recursos: Fundo Desenvolve Florestas/SEDEC-MT.
O que muda para o setor florestal?
A ampliação do projeto representa mais uma etapa na construção de uma base científica própria para a identificação das espécies madeireiras de Mato Grosso.
Com informações botânicas, anatômicas e de campo reunidas em um único guia, a iniciativa busca oferecer maior precisão à identificação das árvores, apoiar o manejo florestal e contribuir para a rastreabilidade da madeira comercializada pelo Estado.
Da floresta ao mercado, o conhecimento científico passa a ocupar espaço estratégico na cadeia da madeira de Mato Grosso.
Fonte: Portal do Agronegócio
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