Mais etanol na gasolina: pesquisas e incentivos ao consumidor são decisivos, apontam especialistas
Painel da Conferência DATAGRO debateu compatibilidade dos veículos, regulação e políticas para ampliar o uso de biocombustíveis no transporte brasileiro
Publicado em: 28/10/2026 às 11:25hs
A possibilidade de aumentar a mistura de etanol na gasolina exige pesquisas sobre motores e emissões, segurança regulatória e incentivos que tornem os combustíveis de menor intensidade de carbono atrativos ao consumidor. A avaliação marcou o painel “Estudos sobre Misturas Mais Elevadas de Etanol na Gasolina”, realizado durante a 26ª Conferência Internacional DATAGRO sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
O debate reuniu Marlon Arraes, diretor do Gabinete da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, e Renato Romio, gerente da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia. A mediação foi de Hugo Cagno, presidente da União Nacional da Bioenergia (UDOP).
Os participantes destacaram que eventuais mudanças na mistura precisam considerar o desempenho dos veículos e a compatibilidade com a frota em circulação, além das condições econômicas que influenciam a escolha do consumidor.
Pesquisa avalia efeitos de misturas mais elevadas
O aumento da participação do etanol na gasolina envolve questões técnicas relacionadas ao funcionamento dos motores, às emissões e à utilização do combustível pelos veículos que já circulam no país.
Segundo Renato Romio, a pesquisa acadêmica tem papel importante na avaliação dessas aplicações e na produção de informações para orientar decisões regulatórias. O trabalho também ajuda a identificar as condições necessárias para que novas soluções possam ser adotadas em escala.
O representante do Instituto Mauá destacou a experiência da indústria automotiva brasileira no desenvolvimento de tecnologias que combinam eficiência energética e biocombustíveis.
Regulação e preço influenciam escolha do consumidor
Na avaliação de Marlon Arraes, o Brasil já dispõe de instrumentos voltados à eficiência energética e à inovação automotiva. Ele citou os programas Rota 2030, Inovar-Auto e Mover como parte dessa trajetória.
Para o representante do governo, o desafio é fazer com que os benefícios das alternativas de menor intensidade de carbono também sejam claros e atrativos para o consumidor. Isso envolve transformar avanços tecnológicos em condições que favoreçam sua adoção no mercado.
Arraes também apontou a precificação do carbono de origem fóssil como uma possibilidade para reconhecer diferenças de emissões entre combustíveis e valorizar o etanol na matriz de transportes.
Híbridos a etanol dependem de tecnologia e incentivos
Além das misturas na gasolina, o painel abordou o potencial de outras soluções para reduzir emissões no transporte. Entre elas estão os veículos híbridos a etanol, que combinam tecnologias de eletrificação com o uso do biocombustível.
Romio afirmou que a indústria automotiva tem atuado no desenvolvimento dessas alternativas. Para ampliar sua presença no mercado, porém, ele considera necessária a coordenação entre governo, fabricantes e instituições de pesquisa, acompanhada de incentivos e informação ao consumidor.
Na avaliação do especialista, a colaboração entre a pesquisa acadêmica e o poder público pode fortalecer o desenvolvimento da mobilidade de baixo carbono no Brasil.
Estudos devem orientar decisões sobre o etanol
As discussões mostraram que a ampliação do uso do etanol no transporte depende da combinação de viabilidade técnica, regulação e condições econômicas.
No caso de misturas mais elevadas na gasolina, os estudos sobre motores, emissões e compatibilidade da frota fornecem subsídios para avaliar eventuais mudanças. Ao mesmo tempo, o interesse do consumidor e a disponibilidade de tecnologias influenciam a adoção das alternativas de menor emissão.
Fonte: Portal do Agronegócio
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