IPCA registra deflação de 0,32% e mantém espaço para novo corte da Selic
Queda da inflação favorece redução dos juros para 13,75%, mas atividade fraca, risco fiscal e cenário internacional ainda pressionam o câmbio brasileiro
Publicado em: 17/09/2026 às 11:25hs
A deflação registrada no Brasil em agosto reforçou a expectativa de novo corte na taxa básica de juros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% no mês, resultado melhor que a queda de 0,28% projetada pelo mercado, e desacelerou para 4,2% no acumulado de 12 meses.
Na avaliação do Rabobank, o comportamento dos preços mantém espaço para uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14% ao ano. Caso a projeção se confirme, a taxa básica cairá para 13,75%.
O ambiente econômico, entretanto, permanece marcado por sinais contraditórios. A inflação perde força e a atividade mostra baixo dinamismo, enquanto riscos fiscais, incertezas eleitorais e mudanças na política monetária dos Estados Unidos continuam influenciando o real e as decisões do Banco Central.
Energia, gasolina e alimentos derrubam inflação
O IPCA de agosto ficou abaixo das expectativas e reduziu a inflação acumulada em 12 meses de 4,4% para 4,2%. Com isso, o indicador permaneceu abaixo do limite superior da meta, de 4,5%.
A queda dos preços foi favorecida principalmente pelo recuo das tarifas de energia elétrica, da gasolina, das passagens aéreas e dos alimentos.
A desaceleração desses componentes alivia o orçamento das famílias e contribui para reduzir a pressão sobre os custos de diferentes atividades econômicas. Para o agronegócio, o comportamento da inflação e dos juros afeta diretamente o crédito rural, o financiamento de máquinas, o capital de giro e as decisões de investimento.
Apesar do resultado favorável, a trajetória dos preços ainda exige acompanhamento. Parte da deflação decorreu de itens sujeitos a oscilações, enquanto as condições climáticas, o câmbio e os custos de produção podem voltar a pressionar alimentos e combustíveis.
Selic pode cair para 13,75% ao ano
O Rabobank avalia que os dados de inflação abrem espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.
Uma nova redução representaria continuidade do processo de flexibilização monetária, embora os juros permaneçam em nível elevado. O ritmo dos próximos cortes dependerá da evolução da inflação, das expectativas do mercado, do comportamento do câmbio e da situação das contas públicas.
Para produtores rurais e empresas do agronegócio, a queda da Selic pode contribuir para aliviar gradualmente os custos financeiros. O efeito, porém, não é imediato, já que as taxas cobradas nas operações de crédito também refletem risco, garantias, disponibilidade de recursos e condições específicas de cada financiamento.
Setor de serviços reforça sinal de atividade fraca
Enquanto a inflação perde força, os dados de atividade econômica indicam baixo crescimento. O volume do setor de serviços ficou estável em julho, com variação de 0,0%.
Foi o segundo mês consecutivo de desempenho praticamente estacionado, sinalizando perda de dinamismo em uma área relevante para a economia brasileira.
A combinação entre inflação mais baixa e atividade enfraquecida reforça os argumentos favoráveis à redução dos juros. Por outro lado, a autoridade monetária precisa avaliar se a desaceleração dos preços será sustentável e se as expectativas para os próximos anos permanecem controladas.
Inflação nos Estados Unidos aumenta incerteza sobre juros
No cenário internacional, o núcleo do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos avançou 0,3% em agosto, acima da alta de 0,2% esperada pelo mercado.
O resultado mostrou pressões mais disseminadas no setor de serviços e indicou que o processo de desaceleração da inflação norte-americana continua mais lento que o previsto.
Após a divulgação, o Rabobank passou a considerar uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros dos Estados Unidos ainda neste ano. A avaliação leva em conta a resiliência do mercado de trabalho, a persistência das pressões inflacionárias e a necessidade de preservação da credibilidade do Federal Reserve.
Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a elevar a atratividade dos ativos norte-americanos e podem estimular a saída de recursos de mercados emergentes. Esse movimento influencia moedas como o real e afeta a formação dos preços de commodities, insumos importados e produtos agrícolas exportados pelo Brasil.
Dólar pode chegar a R$ 5,35 no fim do ano
O real acumulou valorização de 0,15% na semana, com o dólar cotado a R$ 5,1211. Apesar do movimento recente, o Rabobank projeta a moeda norte-americana em R$ 5,35 no encerramento do ano.
A estimativa considera a possível redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, um eventual fortalecimento global do dólar e a fragilidade fiscal doméstica em ano eleitoral.
Para o agronegócio, a variação cambial produz efeitos distintos. Um dólar mais valorizado pode favorecer a receita das exportações, mas também encarece fertilizantes, defensivos, máquinas, componentes e outros insumos cotados no mercado internacional.
O cenário para os próximos meses dependerá, portanto, do equilíbrio entre a desaceleração da inflação brasileira, a velocidade dos cortes na Selic, a política monetária norte-americana e a percepção dos investidores sobre as contas públicas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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