Ibovespa sobe e dólar cai a R$ 5,11 com avanço das bolsas globais e petróleo em baixa
Mercado brasileiro acompanha alta das ações na Ásia, Europa e Estados Unidos, enquanto investidores aguardam encontro entre Donald Trump e Xi Jinping para avaliar comércio e demanda por commodities
Publicado em: 21/09/2026 às 10:55hs
O Ibovespa iniciou a semana em alta nesta segunda-feira, 21 de setembro, acompanhando o desempenho positivo das principais bolsas internacionais. A queda do petróleo e do dólar também contribuiu para melhorar o ambiente dos ativos brasileiros, embora as questões fiscais e eleitorais continuem no radar.
Durante a manhã, o principal índice da B3 avançava 0,65%, aos 186.426 pontos, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior. O dólar comercial recuava 0,66%, cotado próximo de R$ 5,11.
No exterior, as bolsas chinesas fecharam em alta antes da reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. Os mercados europeus também avançaram, liderados pelas empresas de tecnologia, enquanto Wall Street abriu no campo positivo.
A redução dos preços do petróleo ajudou a aliviar as preocupações com a inflação mundial e com novos aumentos de juros. Apesar do recuo, as cotações continuam próximas ou acima de US$ 100 por barril, mantendo a atenção sobre os custos de energia, fretes e combustíveis.
Ibovespa avança e recupera os 186 mil pontos
O Ibovespa abriu em alta e voltou a superar os 186 mil pontos, apoiado pelo cenário externo mais favorável. Petrobras, Vale, Banco do Brasil e outras ações de grande participação no índice concentravam parte relevante das negociações.
Os papéis da Petrobras acompanhavam as oscilações do petróleo, enquanto a Vale reagia ao desempenho dos mercados chineses e às perspectivas para a demanda por minério de ferro. No setor financeiro, as ações dos grandes bancos também permaneciam entre as mais negociadas.
Mesmo com o avanço do dia, o cenário político e fiscal brasileiro continua gerando cautela. Os investidores acompanham as pesquisas eleitorais, o reajuste de programas sociais e seus possíveis efeitos sobre as contas públicas.
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira também ganhou espaço nas decisões do mercado, com projeções de um novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic ainda em 2026. A taxa básica está atualmente em 13,75% ao ano.
Na atualização da manhã, o Ibovespa subia 0,65%, aos 186.426 pontos, enquanto o mercado avaliava os próximos passos do Banco Central.
Dólar recua para a faixa de R$ 5,11
O dólar abriu em queda e passou a operar próximo de R$ 5,11. O movimento refletiu a redução dos preços do petróleo, a melhora do apetite por ativos de risco e a expectativa de novos ajustes na política monetária brasileira.
O Banco Central realizou dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, em operações que somaram até US$ 1 bilhão. A iniciativa busca assegurar liquidez e reduzir movimentos mais intensos no mercado cambial.
Para o agronegócio, a valorização do real produz efeitos distintos. O dólar mais baixo pode reduzir o custo de fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos importados. Em contrapartida, limita a conversão para reais das receitas obtidas com exportações de soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes.
A cotação iniciou o pregão com recuo de 0,53%, a R$ 5,117, antes de ampliar as perdas para perto de 0,66%. O movimento também foi favorecido pela baixa do petróleo.
Bolsas chinesas sobem antes de encontro entre Trump e Xi
Os mercados acionários da China e de Hong Kong encerraram o pregão em alta, impulsionados principalmente pelos setores de tecnologia, inteligência artificial e construção imobiliária.
O índice de Xangai avançou 0,97%, aos 3.949 pontos, enquanto o CSI300, formado pelas maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,71%, aos 4.539 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 1,18%, aos 25.042 pontos. O ChiNext, voltado às empresas de crescimento e startups, teve valorização de 0,8%, enquanto o STAR50 avançou 0,3%. O índice chinês de inteligência artificial subiu 1,1%.
As ações imobiliárias registraram alta de 6,9%, e as empresas de saúde avançaram 3,6%. O setor de defesa ganhou aproximadamente 2%.
O mercado reagiu às negociações realizadas entre o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro da China, He Lifeng. Os encontros antecedem a cúpula entre Trump e Xi, prevista para esta semana.
As expectativas são de que os dois países busquem preservar a estabilidade das relações comerciais e avaliem uma nova prorrogação da trégua tarifária. Um acordo mais abrangente, contudo, ainda é considerado pouco provável.
Relação entre Estados Unidos e China afeta o agronegócio
As negociações entre Washington e Pequim são acompanhadas de perto pelo mercado agrícola. A China é a principal compradora mundial de soja e um dos destinos mais importantes para carnes, milho, algodão e outros produtos do agronegócio.
Qualquer alteração nas tarifas ou nos compromissos de importação pode mudar a distribuição da demanda entre Brasil e Estados Unidos. Compras chinesas mais intensas de soja norte-americana, por exemplo, podem pressionar os prêmios pagos nos portos brasileiros.
Por outro lado, a manutenção de um ambiente comercial mais previsível tende a favorecer o fluxo mundial de commodities e reduzir a volatilidade nos mercados futuros.
As conversas também incluem tecnologia e inteligência artificial. Estados Unidos e China discutem um mecanismo de comunicação sobre segurança em IA antes da reunião presidencial. As negociações preparatórias foram concluídas no fim de semana, aumentando a expectativa sobre possíveis anúncios.
Mercados asiáticos fecham majoritariamente em alta
Além da China, outras bolsas asiáticas encerraram o pregão no campo positivo. Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 1,65%, aos 7.007 pontos.
Em Taiwan, o Taiex subiu 1,14%, aos 47.718 pontos, beneficiado pelo desempenho das empresas de tecnologia. O Straits Times, de Singapura, ganhou 0,29%, aos 5.672 pontos.
Na Austrália, o S&P/ASX 200 apresentou leve alta de 0,01%, aos 8.731 pontos. A Bolsa de Tóquio permaneceu fechada por feriado.
O desempenho positivo refletiu a expectativa de menor tensão comercial entre Estados Unidos e China, o avanço das ações de tecnologia e o recuo do petróleo.
Bolsas europeias avançam com tecnologia e bancos
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,8%, aos 640,55 pontos, revertendo parte das perdas da semana anterior.
As ações de tecnologia subiam cerca de 2%, lideradas por empresas ligadas à produção de semicondutores. O setor bancário avançava 1,6%, enquanto os papéis de energia recuavam 0,3% com a queda do petróleo.
Na Alemanha, o DAX registrava alta de 0,76%. Os investidores também repercutiam resultados eleitorais regionais no país e indicadores de expectativas de inflação na Suécia.
O encontro entre Trump e Xi permanecia entre os principais fatores monitorados pelos agentes europeus. O Stoxx 600 avançava apoiado por tecnologia, bancos e petróleo mais barato.
Wall Street abre em alta com ações de inteligência artificial
Os principais índices de Nova York começaram a segunda-feira no campo positivo. A queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e a valorização das empresas ligadas à inteligência artificial sustentaram a abertura.
O Dow Jones avançava 0,49%, aos 51.936 pontos. O S&P 500 subia 0,55%, aos 7.692 pontos, enquanto o Nasdaq apresentava alta de 0,76%, aos 26.723 pontos.
O recuo do petróleo para o menor nível em 11 dias também ajudou a reduzir as preocupações inflacionárias. O movimento ocorre depois de uma semana marcada por decisões de política monetária e sinalizações mais firmes dos principais bancos centrais.
Wall Street abriu em alta, liderada pelas ações de tecnologia e inteligência artificial.
Petróleo recua mais de 2%, mas segue em patamar elevado
Os preços do petróleo caíam pela quarta sessão consecutiva, diante da redução dos temores de interrupções prolongadas no fornecimento do Oriente Médio.
O Brent recuava para aproximadamente US$ 101,70 por barril, enquanto o petróleo WTI era negociado perto de US$ 98,11. O movimento foi influenciado pela melhora das perspectivas de oferta no Golfo e pelos sinais de avanço em negociações diplomáticas.
Para o agronegócio brasileiro, a queda pode aliviar parcialmente os custos de diesel, fretes, fertilizantes e defensivos. O nível ainda elevado, entretanto, mantém riscos para as despesas de produção e para a inflação global.
Mercados iniciam semana com maior apetite por risco
A abertura desta segunda-feira apresenta um cenário predominantemente positivo para os ativos de risco. O Ibovespa sobe, o dólar perde força, as bolsas chinesas avançam e os mercados europeus e norte-americanos operam no campo positivo.
O encontro entre Estados Unidos e China deverá permanecer como o principal evento da semana, com possíveis reflexos sobre tarifas, tecnologia e comércio de commodities agrícolas.
No Brasil, as atenções continuarão divididas entre o cenário eleitoral, a situação fiscal, as projeções para a Selic e o comportamento do câmbio. Para produtores e empresas do agronegócio, dólar, petróleo e demanda chinesa seguirão entre os principais indicadores capazes de alterar custos, preços e decisões de comercialização.
Fonte: Portal do Agronegócio
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