Ibovespa sobe após corte da Selic, enquanto bolsas globais reagem à alta dos juros nos EUA
Índice brasileiro avança aos 185,9 mil pontos e dólar recua; Europa e futuros de Wall Street operam em alta, enquanto China e Hong Kong fecham em queda após decisão do Fed
Publicado em: 17/09/2026 às 10:55hs
O Ibovespa abriu em alta nesta quinta-feira (17), reagindo ao corte da taxa Selic no Brasil e ao ambiente mais favorável nos mercados internacionais. Por volta das 10h06, o principal índice da B3 avançava 0,22%, aos 185.948 pontos, enquanto o dólar recuava 0,36%, cotado a R$ 5,133.
A sessão é marcada pela repercussão das decisões de política monetária divulgadas na quarta-feira (16). O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros na mesma magnitude, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.
A alta norte-americana, primeira desde 2023, veio acompanhada de uma sinalização mais restritiva. O Fed indicou que novos aumentos poderão ocorrer nos próximos meses para conter a inflação, aumentando a volatilidade nos mercados de ações, câmbio e commodities.
Ibovespa avança aos 185,9 mil pontos
O Ibovespa iniciou o pregão em terreno positivo, recuperando parte das perdas da sessão anterior. O movimento acompanha o avanço das bolsas europeias e dos índices futuros de Nova York, beneficiados também pelo recuo do petróleo.
Na quarta-feira, o indicador brasileiro caiu 0,51% e encerrou aos 185.547,66 pontos. Durante a sessão, oscilou entre a mínima de 184.753,98 e a máxima de 186.738,25 pontos, com volume financeiro de R$ 29,8 bilhões.
Com o fechamento anterior, o Ibovespa acumulava queda de 0,89% na semana. Em setembro, ainda apresentava valorização de 4,58%, enquanto o avanço no ano chegava a 15,16%.
Nesta quinta-feira, ações de grande peso, como Vale, Petrobras, Banco do Brasil e os principais bancos privados, permanecem entre as referências para o comportamento do índice.
Dólar cai após decisões do Copom e do Fed
O dólar abriu em queda de 0,36%, negociado a R$ 5,133, conforme dados divulgados pela Folha de S.Paulo.
O comportamento da moeda reflete um movimento de ajuste após a divulgação das decisões dos bancos centrais. O recuo do petróleo e a melhora do apetite por risco no exterior também favoreceram moedas de países emergentes.
Apesar da baixa inicial, a redução da Selic no Brasil e a elevação dos juros nos Estados Unidos diminuem o diferencial entre as taxas dos dois países. Essa diferença é importante para as operações de carry trade, nas quais investidores captam recursos em economias com juros menores e aplicam em mercados com remuneração mais elevada.
Uma diferença menor pode reduzir a atratividade de ativos brasileiros e aumentar a sensibilidade do real às decisões futuras do Fed, à política fiscal e ao fluxo de capital estrangeiro.
Copom reduz Selic para 13,75% ao ano
O Copom promoveu o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros, levando a Selic para 13,75% ao ano.
A decisão foi favorecida pelos sinais de desaceleração da economia e pela redução da inflação. O IPCA acumulado em 12 meses desacelerou para 4,22% em agosto, enquanto o IBC-Br, considerado uma prévia da atividade econômica, recuou 0,2% em julho.
O Banco Central, porém, manteve uma comunicação cautelosa sobre os próximos passos. O mercado avalia se o ciclo de cortes poderá continuar ou se a menor diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos exigirá uma pausa.
Para o agronegócio, a redução da Selic pode aliviar gradualmente o custo do crédito, mas seus efeitos dependem da transmissão para as taxas cobradas nos financiamentos, da disponibilidade de recursos e das condições fiscais do país.
Fed eleva juros e sinaliza novo aperto monetário
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve aumentou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4%.
Foi a primeira elevação dos juros norte-americanos em três anos. A decisão respondeu à persistência da inflação, aos impactos das tarifas comerciais e às pressões sobre os preços da energia.
Além do aumento, a autoridade monetária sinalizou a possibilidade de novos ajustes. Das 18 autoridades responsáveis pelas projeções, 16 indicaram ao menos mais uma elevação até o fim de 2026, segundo a Reuters.
A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos pode fortalecer o dólar, elevar o custo global do crédito e provocar saída de recursos de mercados emergentes. Também afeta as cotações de commodities agrícolas negociadas na moeda norte-americana.
Bolsas da China caem com temor de saída de capital
Os mercados da China continental e de Hong Kong encerraram o pregão em queda. O aumento dos juros nos Estados Unidos ampliou a diferença de rendimento em relação aos ativos chineses e elevou a preocupação com uma eventual saída de capitais.
O índice de Xangai caiu 0,41%, aos 3.875 pontos. O CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,45%, aos 4.460 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,44% e terminou aos 24.604 pontos.
Os setores mais sensíveis aos juros lideraram as perdas. O índice de empresas ligadas ao ouro despencou 4%, enquanto as ações de metais não ferrosos recuaram 3%.
O índice de Shenzhen caiu 0,2%, o ChiNext Composite perdeu 0,4% e o STAR 50, formado por empresas de tecnologia negociadas em Xangai, recuou 0,6%.
Nikkei sobe, enquanto Kospi fica próximo da estabilidade
No Japão, o Nikkei avançou 0,33% e encerrou aos 64.136 pontos. O mercado japonês encontrou suporte na valorização de empresas exportadoras e na desvalorização do iene.
Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 0,04%, aos 6.715 pontos, praticamente estável diante da cautela provocada pela política monetária norte-americana.
Em Taiwan, o Taiex subiu 0,96%, aos 46.288 pontos. O Straits Times, de Cingapura, avançou 0,45%, aos 5.660 pontos, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, ganhou 0,41%, aos 8.732 pontos.
Bolsas europeias sobem com queda do petróleo
Na Europa, as bolsas avançaram com o recuo do petróleo e a interrupção da alta dos rendimentos dos títulos públicos.
O Stoxx 600, índice que reúne as principais empresas europeias, subia cerca de 0,5%. O FTSE 100, de Londres, avançava entre 0,4% e 0,6%, enquanto o DAX, de Frankfurt, ganhava 0,6% e o CAC 40, de Paris, registrava alta de 0,5%.
As ações dos setores de viagens, automóveis e indústria lideravam os ganhos. BMW, Renault e Volkswagen avançavam ao redor de 1%, favorecidas pela redução dos custos de energia.
A melhora ocorreu enquanto os investidores aguardavam a decisão do Banco da Inglaterra. A expectativa era de manutenção da taxa, com atenção concentrada nas indicações sobre os próximos movimentos da política monetária britânica.
Futuros de Wall Street avançam após queda da véspera
Os índices futuros dos Estados Unidos operavam em alta na pré-abertura, recuperando parte das perdas registradas após a decisão do Fed.
O futuro do Dow Jones subia cerca de 1,15%, enquanto o S&P 500 avançava 1,22%. O Nasdaq 100 liderava os ganhos, com valorização próxima de 1,6%.
A recuperação era favorecida pela percepção de que a reação negativa da véspera foi excessiva e pela queda do petróleo, que reduz parcialmente as preocupações inflacionárias.
O Brent era negociado próximo de US$ 103,75 por barril, com perda ao redor de 2%, enquanto o WTI recuava para perto de US$ 101. A redução ocorreu após a ampliação da oferta saudita e sinais de maior disponibilidade no mercado.
Juros, dólar e commodities orientam o pregão
O comportamento das bolsas nesta quinta-feira deverá continuar condicionado às avaliações sobre o futuro dos juros nos Estados Unidos e no Brasil.
Para o agronegócio, a combinação entre Selic menor, juros norte-americanos mais altos, dólar volátil e petróleo acima de US$ 100 tem efeitos sobre crédito rural, custos de produção, fretes, fertilizantes e preços das commodities.
No mercado brasileiro, Vale e Petrobras devem continuar exercendo influência relevante sobre o Ibovespa. No exterior, dados econômicos dos Estados Unidos, declarações de autoridades do Fed e o desempenho do petróleo poderão alterar o apetite por risco ao longo do dia.
Fonte: Portal do Agronegócio
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