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Mercado Financeiro

Ibovespa cai na abertura e dólar sobe a R$ 5,04; bolsas globais recuam com temor sobre IA

Petróleo acima de US$ 112, queda das ações de tecnologia e expectativa por pesquisa eleitoral aumentam a cautela nesta quinta-feira (22); índice chinês entra em mercado de baixa


Publicado em: 22/10/2026 às 10:56hs

Ibovespa cai na abertura e dólar sobe a R$ 5,04; bolsas globais recuam com temor sobre IA

O Ibovespa abriu em queda nesta quinta-feira, 22 de outubro de 2026, acompanhando a deterioração do ambiente internacional. A alta do petróleo e as dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial pressionam as bolsas globais, enquanto, no Brasil, investidores também acompanham pesquisas eleitorais e balanços corporativos.

Às 10h10, no horário de Brasília, o Ibovespa recuava 0,37%, aos 205.721 pontos. No câmbio, a atualização consultada, publicada às 10h12, indicava o dólar comercial a R$ 5,039 para venda, com valorização de aproximadamente 0,22%.

Na Ásia, os principais mercados encerraram a sessão no vermelho. Na Europa, as bolsas também operavam em baixa, enquanto os contratos futuros de Wall Street sinalizavam perdas antes da abertura do mercado americano.

Ibovespa recua com eleições e balanços no radar

A bolsa brasileira iniciou o dia sob cautela após a queda de 0,86% na quarta-feira (21), quando encerrou aos 206.495 pontos.

A proximidade do segundo turno presidencial, marcado para domingo, dia 25, mantém os investidores atentos às pesquisas de intenção de voto e às perspectivas para a política econômica. A divulgação de um novo levantamento Datafolha, prevista para esta quinta-feira, está entre os principais eventos da agenda doméstica.

O mercado também avalia os resultados do terceiro trimestre das empresas. O Bradesco divulgará seu balanço após o fechamento do pregão, ampliando a atenção sobre o desempenho do setor bancário.

Dólar avança e juros futuros acompanham cautela

O dólar ganhou força diante da combinação de incerteza eleitoral e menor disposição dos investidores para assumir riscos no exterior.

Os juros futuros também avançavam no início da manhã. Às 10h08, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para 2028 subia 9 pontos-base, a 12,865%, enquanto o vencimento de 2030 avançava 10 pontos-base, a 12,675%.

A valorização do petróleo acrescenta preocupação com a inflação e com seus possíveis efeitos sobre a trajetória dos juros.

Wall Street: futuros caem com pressão sobre tecnologia

Nos Estados Unidos, os contratos futuros apontavam uma abertura negativa, com perdas mais intensas no setor de tecnologia.

Por volta das 6h49, no horário de Brasília, os indicadores registravam:

  • - Nasdaq futuro: queda de 1,86%;
  • - S&P 500 futuro: recuo de 1,10%;
  • - Dow Jones futuro: baixa de 0,69%.

Os balanços de grandes empresas reacenderam dúvidas sobre a capacidade de transformar os elevados gastos com inteligência artificial em receitas e lucros suficientes para sustentar as avaliações de mercado.

O movimento representa uma reversão em relação à quarta-feira, quando as bolsas americanas encerraram em alta.

Bolsas europeias devolvem ganhos

Na Europa, a abertura também foi marcada por vendas. Os investidores reagiam aos resultados corporativos e ao ambiente de maior aversão ao risco.

Às 7h15, pelo horário de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 caía 1%, aos 638,06 pontos. Entre os principais mercados, as variações eram:

  • - Alemanha — DAX: queda de 1,04%;
  • - Reino Unido — FTSE 100: baixa de 0,50%;
  • - França — CAC 40: recuo de 1,47%;
  • - Espanha — IBEX 35: perda de 1,63%;
  • - Itália — FTSE MIB: desvalorização de 1,79%.
China entra em mercado de baixa com queda superior a 20% desde junho

Na China, o CSI300 encerrou aos 4.036,30 pontos, com queda de aproximadamente 1,84%, atingindo o menor nível desde julho de 2025.

Com o resultado, o índice passou a acumular perda de 20,2% em relação à máxima de fechamento registrada em 22 de junho. A retração ultrapassa o patamar de 20% normalmente utilizado para caracterizar um mercado de baixa, conhecido como bear market.

A pressão se concentrou em empresas de tecnologia. O índice chinês de semicondutores caiu 3,6%, enquanto o de inteligência artificial perdeu 3,3%. O ChiNext, que reúne empresas de crescimento e startups, recuou 4,4%.

Além das dúvidas sobre as avaliações das companhias de IA, o mercado enfrenta expectativas reduzidas de novos estímulos abrangentes em Pequim. O crescimento econômico acima do esperado no terceiro trimestre diminuiu as apostas em apoio adicional no curto prazo, apesar da fragilidade do consumo doméstico.

Ásia fecha com perdas generalizadas

A queda das ações de tecnologia se espalhou pelas bolsas asiáticas, com destaque para Coreia do Sul, Hong Kong e Japão.

Confira o fechamento dos principais índices:

  • - Japão — Nikkei: queda de aproximadamente 2,7%, aos 62.907,84 pontos;
  • - Hong Kong — Hang Seng: recuo de 3,03%, aos 22.934 pontos;
  • - China — Xangai: baixa de 1,48%, aos 3.658 pontos;
  • - China — CSI300: perda de 1,84%, aos 4.036,30 pontos;
  • - Coreia do Sul — Kospi: desvalorização de 3,52%, aos 5.533 pontos;
  • - Taiwan — Taiex: queda de 1,81%, aos 46.041 pontos;
  • - Cingapura — Straits Times: recuo de 0,57%, aos 5.406 pontos;
  • - Austrália — S&P/ASX 200: baixa de 0,43%, aos 8.793 pontos.
Petróleo supera US$ 112 e amplia preocupação com custos

O petróleo voltou a subir com as tensões no Oriente Médio e os riscos para o transporte marítimo na região.

O Brent para dezembro chegou a superar US$ 112 por barril, alcançando a maior cotação intradiária desde maio. Por volta das 9h, era negociado a US$ 111,87, com alta de 2,8%.

Para o agronegócio, a combinação de petróleo e dólar mais caros merece atenção pelos possíveis reflexos sobre combustíveis, transporte e insumos importados. Ao mesmo tempo, a valorização da moeda americana pode favorecer a conversão em reais das receitas de exportação.

Empresas brasileiras movimentam o noticiário corporativo

Além do balanço do Bradesco, os investidores acompanham anúncios de companhias de diferentes setores:

  • - BradSaúde: informou lucro líquido de R$ 1,075 bilhão no terceiro trimestre, crescimento de 14,4%;
  • - Ambev: comunicou que o Itaú Unibanco substituirá o Bradesco como instituição depositária de suas ações escriturais a partir de 23 de novembro;
  • - Braskem: permanece no radar após pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos apresentado por credores contra a subsidiária Braskem America Finance Company;
  • - Eneva: concluiu a alienação da UTE Itaqui e informou movimentação envolvendo a participação integral na Porto do Pecém Transportadora de Minérios;
  • - BrasilAgro: anunciou R$ 30 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a aproximadamente R$ 0,3012 por ação.

Ao longo do pregão, a reação aos balanços, as oscilações do petróleo e o noticiário eleitoral devem continuar influenciando a bolsa, o câmbio e os juros brasileiros.

As cotações correspondem aos horários indicados e estão sujeitas a alterações durante a sessão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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