Ibovespa avança com dólar em queda, enquanto bolsas da Ásia despencam e petróleo supera US$ 91
Bolsa brasileira tenta interromper sequência de 11 quedas, apoiada por ações ligadas às commodities; no exterior, venda de papéis de tecnologia derruba China, Japão e Coreia do Sul, enquanto investidores aguardam a ata do Federal Reserve
Publicado em: 19/08/2026 às 11:00hs
O mercado financeiro opera em forte contraste nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026. Enquanto o Ibovespa busca recuperação após uma sequência de 11 pregões de queda, as principais bolsas asiáticas fecharam com perdas expressivas, pressionadas pela liquidação de ações dos setores de tecnologia, semicondutores e robótica.
No Brasil, o principal índice da B3 avançava cerca de 1,7% durante a manhã, na faixa de 169 mil pontos, recuperando parte das perdas recentes. O dólar comercial recuava para perto de R$ 5,17, enquanto o petróleo Brent era negociado acima de US$ 91 por barril.
O cenário externo permanece marcado pela cautela. Investidores aguardam a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, em busca de sinais sobre os próximos movimentos dos juros norte-americanos.
Ibovespa sobe e tenta interromper sequência negativa
O Ibovespa iniciou o pregão em alta e acelerou os ganhos ao longo da manhã. Por volta do período de atualização desta matéria, o índice avançava aproximadamente 1,7%, aos 169,1 mil pontos, depois de encerrar a terça-feira aos 166.334 pontos.
A reação ocorre após 11 quedas consecutivas, movimento que levou o índice ao menor patamar desde janeiro. Apesar da recuperação diária, o Ibovespa ainda acumulava retração superior a 2% em 30 dias.
O desempenho positivo era sustentado principalmente por empresas ligadas às commodities, beneficiadas pela valorização do petróleo e do minério de ferro. O movimento também refletia uma correção técnica após as perdas acumuladas nas últimas sessões.
O mercado brasileiro continua acompanhando o fluxo de recursos estrangeiros, que registrou saída superior a R$ 15 bilhões em agosto, além dos debates fiscais e políticos no Congresso Nacional. Trading Economics, UOL Economia
Dólar recua para perto de R$ 5,17
No mercado de câmbio, o dólar comercial operava em queda, próximo de R$ 5,17, após ter alcançado na sessão anterior a maior cotação em quase cinco meses.
A valorização do real acompanha a recuperação da Bolsa brasileira e um movimento de ajuste nas posições cambiais. A expectativa pela ata do Federal Reserve, entretanto, limita uma queda mais intensa da moeda norte-americana.
Para o agronegócio, a desvalorização do dólar produz efeitos distintos. De um lado, pode reduzir os custos de importação de fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas e componentes. De outro, diminui a conversão em reais das receitas obtidas pelos exportadores de soja, milho, café, açúcar, carnes e celulose.
Petróleo Brent supera US$ 91 e pressiona custos globais
O petróleo Brent avançava aproximadamente 1%, negociado perto de US$ 91,90 por barril e próximo da máxima das últimas três semanas. A valorização era impulsionada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã e pelas incertezas envolvendo o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz.
O estreito é uma das principais rotas energéticas do planeta e responde pela passagem de parcela relevante da oferta mundial de petróleo. Qualquer interrupção prolongada pode provocar novos aumentos nas cotações internacionais.
A alta do petróleo merece atenção do setor agropecuário brasileiro, pois pode pressionar os preços do diesel, dos fretes rodoviários, dos fertilizantes nitrogenados, das embalagens e de outros insumos derivados da indústria petroquímica.
Na atualização da manhã, o contrato do Brent era negociado a US$ 91,94 por barril, com valorização de aproximadamente 1%. CME Group
Bolsas chinesas despencam com venda de ações de tecnologia
Na China, o índice CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 2,90%, aos 4.588 pontos. O índice composto de Xangai recuou 2,40%, para 3.894 pontos.
As perdas foram ainda mais acentuadas nos segmentos ligados à tecnologia. O índice CSI Robot caiu 7,9%, enquanto ações de telecomunicações e semicondutores recuaram aproximadamente 8% e 7,8%, respectivamente.
O índice de Shenzhen perdeu 4,86%. Já o ChiNext, que reúne empresas de crescimento e startups, caiu 6,26%, enquanto o STAR 50, concentrado em companhias de tecnologia, recuou 6,89%.
O movimento refletiu uma combinação de resultados corporativos abaixo das expectativas, preocupação com o ritmo da economia chinesa, elevação dos rendimentos dos títulos públicos de longo prazo e retirada de recursos de posições consideradas excessivamente valorizadas.
Os investidores também demonstram maior seletividade em relação às empresas de inteligência artificial, exigindo resultados mais concretos, geração de caixa e capacidade de transformar inovação em receita.
Unitree dispara 460% na estreia, mas não evita queda da robótica
Mesmo em meio à forte aversão ao risco, as ações da Unitree, uma das principais fabricantes chinesas de robôs humanoides, encerraram sua estreia na Bolsa de Xangai com valorização de 460%.
Os papéis chegaram a subir mais de 600% durante o pregão e terminaram cotados a 845 yuans. A oferta pública inicial movimentou aproximadamente 6,1 bilhões de yuans, equivalentes a cerca de US$ 904 milhões.
A estreia foi considerada um marco para a indústria chinesa de robótica, setor que ocupa posição estratégica na disputa tecnológica entre China e Estados Unidos. Entretanto, o salto isolado da companhia não foi suficiente para conter a venda generalizada de ações do segmento.
A valorização também ampliou o debate sobre os preços desses ativos. Apesar do rápido desenvolvimento tecnológico, parte considerável dos robôs humanoides ainda está concentrada em demonstrações, pesquisas e projetos experimentais, sem adoção comercial em larga escala. Associated Press
Baidu e China Unicom registram fortes perdas
Em Hong Kong, o índice Hang Seng destoou parcialmente do movimento regional e avançou 0,09%, aos 25.495 pontos. O resultado próximo da estabilidade, entretanto, escondeu quedas expressivas de grandes companhias.
As ações da Baidu despencaram cerca de 11% após a empresa divulgar resultados do segundo trimestre abaixo das expectativas. A China Unicom caiu aproximadamente 12%, pressionada pela redução superior a 30% no lucro líquido do primeiro semestre.
Em contrapartida, empresas dos setores financeiro e imobiliário apresentaram desempenho relativamente melhor. Os investidores reagiram às novas regras anunciadas pela China para permitir maior flexibilidade no uso dos recursos do fundo de previdência habitacional, medida que pode estimular a compra de imóveis.
Japão e Coreia do Sul lideram perdas na Ásia
A pressão sobre o setor de tecnologia também atingiu outros mercados asiáticos. Em Tóquio, o Nikkei caiu 3,16%, aos 65.326 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi despencou 5,80%, aos 6.471 pontos, registrando a maior desvalorização entre os principais índices da região.
Em Taiwan, o Taiex recuou 1,30%, aos 44.719 pontos. O Straits Times, de Cingapura, caiu 0,22%, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, encerrou o pregão com baixa de 0,18%.
O aumento dos custos de financiamento de longo prazo, as incertezas sobre a política monetária global e a correção das empresas de inteligência artificial ampliaram a aversão ao risco.
Bolsas europeias operam sem direção única
Na Europa, os mercados apresentavam oscilações moderadas nesta quarta-feira. O DAX, da Alemanha, recuava aproximadamente 0,2%, enquanto o CAC 40, da França, avançava perto de 0,3%.
O FTSE 100, do Reino Unido, operava próximo da estabilidade, assim como o Euro Stoxx 50, que reúne algumas das maiores companhias da zona do euro.
A alta do petróleo favorecia empresas do setor energético, mas pressionava companhias dependentes de combustíveis e matérias-primas. Os investidores europeus também aguardavam a ata do Fed e avaliavam os impactos dos juros elevados sobre a atividade econômica.
Wall Street aguarda ata do Federal Reserve
Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street indicavam um pregão cauteloso. O mercado busca na ata do Federal Reserve informações sobre a avaliação dos dirigentes a respeito da inflação, da atividade econômica e dos efeitos provocados pela alta da energia.
Juros elevados por um período prolongado aumentam o rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano e reduzem a atratividade relativa das ações, especialmente das empresas de tecnologia que dependem de expectativas de crescimento futuro.
A valorização do petróleo adiciona outra camada de incerteza, pois pode dificultar a desaceleração da inflação e reduzir o espaço para cortes nos juros.
JBS propõe operação de US$ 1,2 bilhão pela Pilgrim’s Pride
Entre os destaques corporativos brasileiros está a JBS, que apresentou uma proposta para adquirir os aproximadamente 18% da Pilgrim’s Pride que ainda não controla. A operação é avaliada em cerca de US$ 1,2 bilhão.
A JBS já detém aproximadamente 82% da produtora norte-americana de carne de frango. Pela proposta, os acionistas da Pilgrim’s receberiam 2,086 ações Classe A da JBS para cada papel da companhia norte-americana.
Caso seja aprovada por um comitê independente e pelos acionistas minoritários, a operação permitirá à JBS assumir o controle integral da Pilgrim’s Pride e retirar as ações da empresa da Nasdaq.
O negócio pode simplificar a estrutura societária do grupo, reduzir despesas relacionadas à manutenção de duas companhias abertas e ampliar a integração global das operações de proteína animal. Reuters
Braskem Idesa entra com pedido de recuperação nos Estados Unidos
A Braskem também permanece no radar após sua joint venture mexicana, a Braskem Idesa, entrar com pedido de recuperação judicial, sob o Chapter 11, nos Estados Unidos.
O plano prevê reduzir a dívida da operação de aproximadamente US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão. A Braskem deverá realizar um aporte de US$ 476 milhões e permanecer como acionista controladora.
A companhia estima concluir o processo entre 60 e 90 dias, mantendo suas atividades operacionais durante a reestruturação. O movimento acrescenta volatilidade aos papéis da petroquímica em um momento de elevada preocupação com seu endividamento. UOL Economia
Mercado monitora juros, petróleo e entrada de capital estrangeiro
O comportamento dos mercados ao longo desta quarta-feira dependerá principalmente da ata do Federal Reserve, das oscilações do petróleo e da evolução das tensões geopolíticas.
No Brasil, a continuidade da recuperação do Ibovespa dependerá da entrada de capital estrangeiro e do desempenho das ações ligadas às commodities. O cenário fiscal e as discussões políticas no Congresso também permanecem entre os principais fatores de risco.
Para o agronegócio, os movimentos do dólar e do petróleo têm efeito direto sobre as margens. Enquanto o câmbio influencia receitas de exportação e custos de insumos importados, a energia afeta diesel, fretes, fertilizantes e logística. A combinação dessas variáveis seguirá determinante para a formação dos preços agrícolas e para as decisões de comercialização dos produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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