Ibovespa abre em queda e dólar sobe a R$ 5,13 com petróleo, eleições e cenário externo no radar
Principal índice da B3 recua aos 186,6 mil pontos na manhã desta quarta-feira, enquanto mercados globais operam com cautela antes do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping
Publicado em: 23/09/2026 às 10:55hs
O mercado financeiro brasileiro abriu em queda nesta quarta-feira (23), acompanhando o aumento da cautela no exterior e as incertezas do cenário político doméstico. Às 10h15, o Ibovespa recuava 0,44%, aos 186.607 pontos, enquanto o dólar comercial avançava 0,67%, negociado a R$ 5,138 para venda.
O petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 por barril e ampliou a aversão ao risco nos mercados internacionais. Investidores também acompanham uma nova pesquisa sobre a eleição presidencial brasileira e aguardam o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, previsto para quinta-feira (24).
Ibovespa recua após fechar acima dos 187 mil pontos
A abertura negativa ocorre depois de o Ibovespa encerrar a sessão de terça-feira (22) em alta de 0,44%, aos 187.422,92 pontos. O indicador havia recuperado o patamar dos 187 mil pontos, apoiado pelo alívio nos preços do petróleo e pela entrada de capital estrangeiro.
Nas duas sessões anteriores, o saldo de investimentos externos na Bolsa brasileira superou R$ 4 bilhões. O fluxo estrangeiro permanece como um dos principais fatores de sustentação da B3, já que esse grupo responde por parcela relevante do volume financeiro negociado diariamente.
Apesar da queda desta manhã, o Ibovespa acumula ganhos de 1,21% na semana, 5,66% em setembro e 16,35% em 2026, considerando o fechamento anterior.
Dólar sobe para perto de R$ 5,14
No mercado de câmbio, o dólar iniciou o dia em alta e ganhou força diante da maior procura por proteção. Por volta das 10h, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,138 para venda, avanço de 0,67% em relação ao fechamento anterior.
Na terça-feira, a divisa havia recuado 0,11% e encerrado cotada a R$ 5,1029. O movimento desta quarta-feira reflete a combinação entre valorização externa da moeda, incertezas eleitorais e preocupação com os efeitos do petróleo mais caro sobre a inflação e os juros.
Petróleo volta a superar US$ 100 por barril
O petróleo retomou a trajetória de alta nesta quarta-feira. Às 10h, o Brent, referência internacional, avançava 1,2%, cotado a US$ 100,39 por barril.
O mercado reduziu parte do otimismo em relação a uma possível solução diplomática para o conflito no Oriente Médio. A persistência das incertezas sobre o fornecimento global de energia voltou a pressionar as bolsas e a elevar as preocupações inflacionárias.
Para o mercado brasileiro, a valorização do petróleo produz efeitos distintos. A alta pode favorecer as ações da Petrobras, que possuem peso relevante no Ibovespa, mas aumenta os riscos para combustíveis, inflação, juros e atividade econômica.
Bolsas asiáticas fecham majoritariamente em queda
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão sem direção única. As bolsas chinesas foram pressionadas principalmente pelas ações de tecnologia, enquanto investidores aguardam possíveis avanços nas negociações comerciais entre Estados Unidos e China.
O índice de Xangai recuou 0,39%, e o CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,60%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,01%.
Na contramão dos mercados chineses, o Kospi, da Coreia do Sul, avançou 0,90%. A Bolsa de Tóquio permaneceu fechada por feriado.
Europa e Wall Street operam com cautela
As bolsas europeias perderam força após uma abertura inicialmente positiva, pressionadas pela recuperação do petróleo e pelas dúvidas sobre as negociações internacionais. Em Wall Street, os futuros dos principais índices operavam próximos da estabilidade antes da abertura, com investidores avaliando os impactos do avanço da inteligência artificial, dos preços da energia e da política monetária norte-americana.
Os mercados também aguardam indicadores preliminares de atividade econômica dos Estados Unidos e da Europa. Os dados podem influenciar as expectativas sobre inflação, juros e crescimento global.
Encontro entre Trump e Xi Jinping concentra atenções
A reunião entre Donald Trump e Xi Jinping deverá abordar a prorrogação da trégua comercial entre as duas maiores economias do mundo, além de tarifas, inteligência artificial, semicondutores e questões geopolíticas.
Uma sinalização favorável ao comércio poderá melhorar o apetite por risco e beneficiar ações e commodities. Por outro lado, a ausência de avanços concretos tende a manter a volatilidade elevada, especialmente nos mercados de tecnologia, moedas e matérias-primas.
Petrobras, bancos e cenário eleitoral movimentam a B3
No mercado doméstico, Petrobras e grandes bancos permanecem entre os papéis com maior influência sobre o Ibovespa. A valorização do petróleo pode oferecer suporte às ações da estatal, embora o ambiente externo mais cauteloso limite o apetite por ativos de risco.
Investidores também avaliam uma nova pesquisa eleitoral que aponta maior proximidade entre os principais candidatos na disputa presidencial. O mercado busca sinais sobre a condução das contas públicas, o controle dos gastos e a trajetória da dívida no próximo governo.
No cenário corporativo, Embraer, Braskem, Oncoclínicas e Petrobras aparecem entre os destaques da sessão. A Petrobras anunciou o resgate antecipado de US$ 1 bilhão em títulos externos, enquanto a Oncoclínicas informou a venda de sua participação na espanhola Medsir por valor simbólico de € 1.
Fonte: Portal do Agronegócio
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