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Mercado Financeiro

Ibovespa abre em queda e dólar sobe a R$ 5,12; bolsas globais operam cautelosas com petróleo abaixo de US$ 100

Ata do Copom, recuo do petróleo e expectativas para os encontros dos Estados Unidos com China e Irã orientam os mercados nesta terça-feira; investidores também monitoram Petrobras, Vale e entrada de capital estrangeiro na B3


Publicado em: 22/09/2026 às 10:56hs

Ibovespa abre em queda e dólar sobe a R$ 5,12; bolsas globais operam cautelosas com petróleo abaixo de US$ 100

O mercado financeiro iniciou esta terça-feira (22) em clima de cautela. No Brasil, o Ibovespa abriu em queda, enquanto o dólar avançou para a faixa de R$ 5,12, após a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom). No exterior, as bolsas oscilaram perto da estabilidade, acompanhando o recuo do petróleo e as negociações diplomáticas previstas para esta semana.

Nos primeiros minutos de negociação, o principal índice da B3 recuava 0,54%, aos 185.586 pontos. Às 10h, o dólar comercial avançava 0,31%, negociado a R$ 5,124 para venda. Na sessão anterior, o Ibovespa havia subido 0,74%, aos 186.595 pontos, enquanto a moeda norte-americana recuou 0,7%.

Com base no fechamento anterior, a Bolsa brasileira acumulava ganhos de 5,17% em setembro e de 15,81% em 2026. Apesar do desempenho positivo, o índice permanece em uma faixa de consolidação entre aproximadamente 183 mil e 189 mil pontos.

Ata do Copom reforça cautela com novos cortes da Selic

A atenção dos investidores brasileiros está concentrada na ata da última reunião do Copom, que detalhou a decisão de reduzir a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano.

O documento confirmou o início do ciclo de flexibilização monetária, mas indicou que os próximos cortes dependerão do comportamento da inflação, da atividade econômica, das expectativas do mercado e da política fiscal.

Embora o Banco Central reconheça sinais de moderação da economia e os efeitos acumulados dos juros elevados, a autoridade monetária ainda identifica pressões inflacionárias e riscos relacionados à expansão da demanda.

Na avaliação de Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a redução da Selic deve ser interpretada como o começo de um processo gradual, e não como sinal de aceleração automática dos cortes.

O ambiente fiscal também permanece no radar. Uma eventual ampliação dos gastos públicos pode elevar os prêmios exigidos pelos investidores nos títulos de longo prazo e reduzir a velocidade da queda dos juros.

Capital estrangeiro oferece suporte à Bolsa brasileira

Apesar da cautela observada na abertura, a entrada de recursos internacionais continua funcionando como fator de sustentação para os ativos brasileiros.

No dia 18 de setembro, os investidores estrangeiros aportaram aproximadamente R$ 3,6 bilhões na B3. Com isso, o saldo positivo alcançou R$ 9,23 bilhões no mês e R$ 27,52 bilhões no acumulado de 2026.

O movimento reflete a combinação de juros reais elevados, perspectiva de redução gradual da Selic e preços considerados atrativos em diferentes setores da Bolsa.

Entre as ações com maior peso no Ibovespa, os investidores monitoram especialmente Petrobras, Vale e os grandes bancos. As petroleiras são pressionadas pela queda do petróleo, enquanto as mineradoras acompanham o recuo do minério de ferro e as expectativas sobre a economia chinesa.

Petróleo cai mais de 2% e Brent recua para US$ 98

O petróleo ampliou as perdas nesta terça-feira diante da possibilidade de melhora no fluxo de abastecimento do Oriente Médio.

Por volta das 8h51, no horário de Brasília, o contrato do Brent para novembro recuava 2,1%, cotado a US$ 98,23 por barril. O WTI com vencimento mais negociado caía 2,55%, para US$ 90,01 por barril. As cotações atingiram os menores níveis desde 8 de setembro.

A pressão sobre os preços aumentou após o Irã sinalizar que poderá reabrir o Estreito de Ormuz em até sete dias, caso haja redução das pressões militares e comerciais dos Estados Unidos. A Arábia Saudita também retomou as operações do oleoduto Leste-Oeste, ampliando a perspectiva de escoamento pelo Mar Vermelho.

A queda do petróleo reduz parte do prêmio de risco geopolítico incorporado aos mercados de energia, inflação e juros. Para o agronegócio brasileiro, uma descompressão mais consistente pode aliviar custos ligados ao diesel, aos fertilizantes, ao transporte e à logística. No entanto, o efeito dependerá do comportamento do câmbio e da duração do movimento.

Bolsas da Europa avançam com alívio nos preços da energia

Os mercados europeus operaram predominantemente em alta na abertura. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,31%, enquanto o Euro Stoxx 50 subia 0,12%.

Entre as principais bolsas, Frankfurt registrava valorização de 0,55%, Paris avançava 0,39% e Londres subia 0,16%. Milão destoava do movimento, com recuo de 0,13%.

A redução do preço do petróleo favorece especialmente a Europa, região fortemente dependente da importação de energia. Se mantido, o movimento pode diminuir custos industriais e logísticos, além de aliviar as pressões sobre a inflação ao consumidor.

Os investidores também acompanham declarações da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, e novos indicadores de confiança na zona do euro.

Wall Street acompanha juros e agenda diplomática

Nos Estados Unidos, os índices futuros apresentaram variações reduzidas antes da abertura. O Dow Jones avançava 0,03%, enquanto o S&P 500 recuava 0,08% e o Nasdaq registrava baixa de 0,05%.

O mercado acompanha novos discursos de dirigentes do Federal Reserve em busca de indicações sobre a trajetória dos juros norte-americanos. A queda do petróleo contribui para reduzir a inflação de curto prazo, mas ainda existem preocupações com o comportamento dos serviços, dos salários e das expectativas inflacionárias.

Também permanecem no radar os encontros previstos entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, além das possíveis negociações entre Washington e Teerã.

Bolsas asiáticas fecham com variações moderadas

Na Ásia, os principais mercados encerraram a sessão sem uma direção única, embora tenha predominado o campo positivo.

O Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,18%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,15%. Em Taiwan, o Taiex ganhou 0,17%.

Na China continental, o índice de Xangai teve alta de 0,06%, enquanto o Shenzhen Composite recuou 0,01%. A Bolsa de Tóquio permaneceu fechada devido a feriado local.

Os investidores asiáticos aguardam o encontro entre Trump e Xi Jinping, previsto para quinta-feira, diante da possibilidade de prorrogação da trégua comercial entre Estados Unidos e China.

Petrobras, Vale e bancos concentram as atenções

Na B3, a Petrobras tende a acompanhar a queda do petróleo e as discussões sobre medidas destinadas a reduzir os efeitos da instabilidade internacional sobre os combustíveis.

A Vale também está no radar após confirmar a aquisição de 30% da mineradora Ligga por US$ 190 milhões. A empresa adquirida opera a mina Ferro Sul, no Pará, com capacidade aproximada de 2 milhões de toneladas de minério de ferro por ano.

Os grandes bancos, como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, seguem entre os ativos de maior liquidez do Ibovespa. O setor reage às expectativas para a trajetória da Selic, para a expansão do crédito e para a atividade econômica.

O cenário desta terça-feira combina queda do petróleo, início da flexibilização monetária no Brasil, cautela dos bancos centrais e persistência dos riscos geopolíticos. Para os mercados, a perspectiva de juros menores oferece suporte aos ativos de risco, mas o ritmo desse movimento continuará condicionado à inflação, ao quadro fiscal e aos acontecimentos internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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