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Mercado Financeiro

FMI corta previsão para o Brasil a 2,2% em 2026 e reduz crescimento da América Latina

Choque energético, financiamento mais caro e ganhos limitados com inteligência artificial pesam sobre a região; economia brasileira deve desacelerar para 1,9% em 2027


Publicado em: 14/10/2026 às 10:35hs

FMI corta previsão para o Brasil a 2,2% em 2026 e reduz crescimento da América Latina

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu suas projeções de crescimento para a América Latina e o Caribe em 2026 e 2027, diante da pressão dos custos de energia e do baixo aproveitamento regional dos investimentos em inteligência artificial. Para o Brasil, a estimativa caiu de 2,4% para 2,2% neste ano e de 2,2% para 1,9% no próximo.

No relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado na terça-feira (13), em Bangcoc, o Fundo projetou expansão de 2,3% para a América Latina e o Caribe em 2026, abaixo dos 2,4% estimados em julho. Para 2027, a previsão regional passou de 2,7% para 2,5%.

A revisão contrasta com o cenário mundial. O FMI elevou ligeiramente a projeção de crescimento global para 2026, de 3% para 3,1%, apontando o redirecionamento dos suprimentos energéticos e os investimentos ligados à inteligência artificial como fatores de resistência à crise.

Energia mais cara pressiona empresas e famílias

Segundo o FMI, a guerra no Oriente Médio transformou a energia em uma fonte de pressão inflacionária global. O petróleo Brent está cerca de 45% acima do nível anterior ao conflito, encarecendo combustíveis e energia para empresas e consumidores.

As preocupações com a persistência da inflação também contribuíram para elevar os custos globais de financiamento a patamares não observados em várias décadas.

Na América Latina, o impacto varia conforme a posição de cada economia no comércio internacional. O Fundo destaca que o resultado depende do equilíbrio entre os ganhos dos exportadores de commodities e as perdas dos importadores de energia, além da credibilidade das metas de inflação dos bancos centrais.

Brasil deve desacelerar com juros restritivos e menor apoio fiscal

A projeção de crescimento de 1,9% para o Brasil em 2027 considera a manutenção de condições monetárias restritivas, destinadas a levar a inflação de volta à meta.

O FMI também menciona a retirada do apoio fiscal do governo e a incerteza internacional como fatores que devem limitar a atividade econômica brasileira.

A avaliação representa uma mudança em relação ao relatório de julho, quando o Fundo esperava que o crescimento do país permanecesse resiliente em 2026.

Inteligência artificial oferece pouca compensação à região

Enquanto os investimentos em inteligência artificial ajudam algumas economias a enfrentar o choque energético, o FMI avalia que a maior parte da América Latina recebe poucos benefícios desse movimento.

Segundo o relatório, a recuperação do setor tecnológico oferece compensação limitada para a maioria dos países da região. Isso contribui para a diferença entre a revisão positiva do crescimento mundial e os cortes nas estimativas latino-americanas.

O México aparece como uma exceção parcial, por sua participação nas exportações e nas cadeias de suprimentos relacionadas à inteligência artificial.

Argentina tem maior corte entre as principais economias analisadas

Entre Argentina, Brasil e México, países apresentados separadamente na atualização de julho, a Argentina sofreu a maior redução na previsão para 2026.

O FMI passou a projetar crescimento argentino de 2,1% neste ano, ante os 3,5% estimados anteriormente e os 4,5% registrados em 2025. Para 2027, a previsão caiu de 4% para 3,5%.

O relatório também estima desaceleração da inflação argentina, de 41,9% em 2025 para 32,5% em 2026.

México tem revisão positiva em 2026, mas perde fôlego em 2027

A previsão para o crescimento mexicano neste ano subiu de 1,2% para 1,5%. O Fundo aponta as exportações, inclusive aquelas ligadas às cadeias de inteligência artificial, e a estabilização do investimento como elementos de sustentação.

Para 2027, entretanto, a estimativa foi reduzida de 1,9% para 1,8%. Incertezas comerciais e outros riscos devem continuar limitando a expansão da economia.

Em outros países, as projeções indicam dificuldades mais acentuadas. O crescimento do Chile deve desacelerar de 2,5% em 2025 para 0,6% em 2026. Na Bolívia, o FMI prevê contração de 3%, após queda de 1,6% no ano anterior.

Para a Venezuela, o relatório aponta aceleração da inflação, de 252% para 467,9%.

Riscos financeiros podem ampliar pressão sobre emergentes

O FMI considera que os riscos para o cenário econômico continuam predominantemente negativos. Turbulências nos mercados podem atingir os países emergentes por meio do aumento dos custos de endividamento público, da pressão sobre as moedas e do aperto das condições financeiras domésticas.

Para as economias latino-americanas, a combinação de energia cara, crédito mais restrito e incerteza global mantém o desafio de controlar a inflação sem comprometer ainda mais o crescimento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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