Dólar vira para alta e chega a R$ 5,16 após corte da Selic; Ibovespa avança
Moeda abriu em queda, mas mudou de direção durante a manhã; mercado reage ao quinto corte consecutivo dos juros no Brasil, à alta da taxa nos Estados Unidos e ao recuo do petróleo
Publicado em: 17/09/2026 às 11:05hs
O dólar mudou de direção no mercado brasileiro nesta quinta-feira (17). Depois de abrir em queda de 0,38%, cotado a R$ 5,1318, a moeda norte-americana passou a subir e era negociada a R$ 5,158, com valorização de 0,12%, na atualização mais recente consultada.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançava 0,34%, aos 186.187 pontos. Os números são intradiários e podem sofrer alterações ao longo do pregão. UOL Economia
O mercado financeiro ajusta posições após decisões opostas de política monetária: o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, enquanto o Federal Reserve elevou os juros dos Estados Unidos para o intervalo entre 3,75% e 4%.
Dólar muda de direção após abertura em queda
Nos primeiros negócios, o dólar comercial recuou para R$ 5,1318. Por volta das 10h, a moeda ainda apresentava baixa de 0,33%, cotada a R$ 5,134, antes de inverter o sinal e retornar ao campo positivo.
A mudança de direção reflete o ajuste dos investidores ao novo diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, além das oscilações externas da moeda norte-americana.
Na quarta-feira (16), o dólar encerrou o pregão praticamente estável, próximo de R$ 5,15. O Ibovespa caiu 0,51%, aos 185.547 pontos, antes da divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária.
Banco Central corta Selic para 13,75%
O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo promovido pelo Banco Central desde o início do ciclo de flexibilização monetária, em março.
A decisão foi unânime e ficou em linha com a expectativa predominante no mercado. O Banco Central, entretanto, não antecipou seus próximos movimentos e reforçou que a extensão do ciclo dependerá da evolução dos indicadores econômicos.
A autoridade monetária destacou sinais mais claros de desaceleração da atividade, especialmente nos setores mais sensíveis ao crédito e aos juros. A inflação também perdeu força, embora as expectativas permaneçam acima da meta central.
Desde março, a Selic acumula redução de 1,25 ponto percentual. Mesmo após os cortes, o Brasil continua entre as economias com os maiores juros reais do mundo. Reuters
Alta dos juros nos Estados Unidos pressiona o real
Enquanto o Brasil reduziu os juros, o Federal Reserve elevou a taxa norte-americana em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. Foi o primeiro aumento promovido pelo banco central dos Estados Unidos desde julho de 2023.
As decisões diminuíram em 0,50 ponto percentual a diferença entre as taxas brasileiras e norte-americanas. Essa redução pode tornar as aplicações no Brasil relativamente menos atrativas para investidores estrangeiros.
O estreitamento do diferencial também limita as operações conhecidas como carry trade, nas quais investidores captam recursos em países com juros menores e aplicam em mercados que oferecem retornos mais elevados.
Com menor vantagem para os ativos brasileiros, o fluxo de capital estrangeiro e o comportamento do dólar podem apresentar maior volatilidade.
Ibovespa sobe com apoio de Vale e bancos
A Bolsa brasileira iniciou o dia em alta. Na atualização consultada, o Ibovespa avançava 0,34%, aos 186.187 pontos.
Entre as ações de maior peso, Vale subia 0,77% e Itaú avançava 0,54%. Bradesco recuava 0,27%, enquanto Petrobras PN caía 0,70%, acompanhando a forte desvalorização do petróleo no mercado internacional.
O fluxo estrangeiro permanece importante para a sustentação da Bolsa. Investidores internacionais respondem por parcela expressiva das negociações na B3 e acumulavam aportes de R$ 11 bilhões desde 21 de agosto. UOL
Petróleo cai quase 4% no mercado internacional
Os preços do petróleo registraram forte queda nesta quinta-feira. O Brent chegou a recuar 3,92%, cotado a US$ 101,68 por barril, menor valor desde 9 de setembro.
O WTI caiu 3%, para US$ 99,36 por barril, retornando a um patamar inferior a US$ 100 pela primeira vez em uma semana.
O movimento ocorreu após a redução dos ataques envolvendo forças da Arábia Saudita e os houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã. Declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a possibilidade de encerramento do conflito com o Irã também reduziram temporariamente o prêmio de risco sobre a commodity. Folha de S.Paulo
Queda do petróleo alivia inflação, mas pressiona Petrobras
O recuo do petróleo pode contribuir para reduzir as pressões inflacionárias globais, especialmente sobre combustíveis, fretes e custos logísticos. Para o agronegócio, o movimento também influencia as despesas com diesel, transporte rodoviário e operações mecanizadas.
Por outro lado, a desvalorização da commodity pressiona as ações da Petrobras e limita o avanço do Ibovespa, devido ao peso da companhia na composição do índice.
Câmbio afeta custos e receitas do agronegócio
A oscilação do dólar tem efeitos diretos sobre o agronegócio brasileiro. Uma moeda norte-americana mais valorizada tende a favorecer as receitas em reais dos exportadores de soja, milho, café, carnes, açúcar e algodão.
Em contrapartida, o câmbio mais elevado pode encarecer fertilizantes, defensivos, máquinas, combustíveis e outros insumos importados.
Nas próximas sessões, o comportamento do dólar deverá continuar condicionado às expectativas sobre os próximos passos do Copom e do Federal Reserve, ao cenário político brasileiro e às mudanças no mercado internacional de petróleo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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