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Mercado Financeiro

Dólar sobe a R$ 5,19 com exterior, juros dos EUA e eleição no radar

Moeda acompanha valorização global, enquanto investidores avaliam projeções do Banco Central para o PIB, possível redução da Selic, saída de recursos do País e nova pesquisa eleitoral


Publicado em: 24/09/2026 às 11:09hs

Dólar sobe a R$ 5,19 com exterior, juros dos EUA e eleição no radar

O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (24) em alta diante do real, refletindo o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior e a cautela dos investidores com os juros dos Estados Unidos, o cenário eleitoral brasileiro e as novas projeções econômicas do Banco Central.

Às 9h37, o dólar à vista avançava 0,32%, negociado a R$ 5,1857. Na B3, o contrato futuro com vencimento em outubro, atualmente o mais líquido, subia 0,44%, cotado a R$ 5,1945.

O Ibovespa abriu perto da estabilidade, oscilando ao redor dos 185,7 mil pontos. O mercado acionário brasileiro acompanha a alta do petróleo, o desempenho das bolsas internacionais e os desdobramentos do cenário político nacional.

Dólar acompanha valorização da moeda no exterior

A alta do câmbio brasileiro acompanha o movimento internacional do dólar contra moedas de países desenvolvidos e emergentes.

Às 9h36, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana diante de uma cesta de seis divisas, avançava 0,16%, aos 101,290 pontos. O dólar também ganhava força contra a rupia indiana, o rand sul-africano e o peso chileno.

O mercado internacional mantém a expectativa de que os juros norte-americanos possam voltar a subir no curto prazo. A possibilidade ganhou força diante dos sinais de atividade econômica resiliente nos Estados Unidos e das pressões provocadas pela valorização do petróleo.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano também avançaram. Por volta das 10h, o Treasury de dez anos operava a 5,147%, após atingir na véspera o maior patamar desde 2007. Juros elevados nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos ativos denominados em dólar e podem reduzir o fluxo de recursos direcionado aos mercados emergentes.

Banco Central reduz projeção para o PIB brasileiro

No cenário doméstico, os investidores analisam o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central.

A autoridade monetária reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2026. Para 2027, a estimativa é de expansão de 1,4%.

As previsões do Banco Central são mais conservadoras que as apresentadas pelo Ministério da Fazenda, que espera crescimento de 2% em 2026 e de 2,3% no próximo ano. O mercado financeiro, conforme o último Relatório Focus, projeta avanços de 1,88% e 1,43%, respectivamente.

A revisão do PIB reforça os sinais de desaceleração da economia brasileira. Esse movimento pode favorecer novos cortes da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, caso a inflação e as expectativas apresentem evolução compatível com a meta.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, concede entrevista coletiva nesta quinta-feira para explicar o relatório. O mercado busca indicações sobre a velocidade e a extensão do ciclo de redução dos juros.

Diferença de juros entre Brasil e Estados Unidos pressiona o real

A perspectiva de redução da Selic no Brasil ocorre ao mesmo tempo em que aumentam as apostas de novas elevações dos juros norte-americanos, atualmente situados no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.

Essa combinação pode diminuir o diferencial de juros entre os dois países. Quando a distância entre as taxas brasileiras e norte-americanas fica menor, aplicações no Brasil podem perder parte da atratividade relativa para investidores estrangeiros.

O movimento tende a afetar o fluxo de capitais, com potencial de pressionar o real e elevar a cotação do dólar.

Banco Central realiza leilões de US$ 1 bilhão

O Banco Central programou para esta quinta-feira dois leilões simultâneos de linha, modalidade em que a autoridade monetária vende dólares com compromisso de recompra.

O volume total das operações é de até US$ 1 bilhão. O leilão A prevê recompra em 2 de fevereiro de 2027, enquanto o leilão B estabelece retorno dos recursos em 2 de abril de 2027. A liquidação da venda está prevista para 28 de setembro.

A operação amplia temporariamente a oferta de moeda estrangeira e ajuda a atender à demanda por liquidez no mercado cambial.

A intervenção ocorre após o Banco Central informar que o fluxo cambial brasileiro ficou negativo em US$ 7,078 bilhões em setembro até o dia 18. O saldo indica que a saída de dólares do País superou a entrada de recursos no período.

Pesquisa eleitoral aumenta cautela no mercado

O cenário político também influencia os negócios. Investidores aguardam uma nova pesquisa Datafolha sobre a disputa pela Presidência da República, com divulgação prevista para o início da noite desta quinta-feira.

O levantamento deverá atualizar os cenários envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, que aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas mais recentes.

Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na quarta-feira (23) apontou Lula com 47,7% e Flávio Bolsonaro com 47,4% em eventual segundo turno. A diferença está dentro da margem de erro.

A proximidade da eleição aumenta a sensibilidade dos mercados às pesquisas, especialmente diante das incertezas sobre política fiscal, controle das despesas públicas e condução da economia a partir de 2027.

Petróleo e reunião entre Trump e Xi Jinping entram no radar

No exterior, os investidores também acompanham o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. A expectativa é de que os dois líderes discutam a prorrogação da trégua tarifária, as relações comerciais e temas ligados à tecnologia.

As negociações entre Estados Unidos e Irã permanecem entre os principais focos de risco. A troca de ameaças entre os dois países aumentou a preocupação com possíveis interrupções no fornecimento de petróleo pelo Estreito de Hormuz.

Por volta das 10h, o petróleo Brent avançava mais de 2%, sendo negociado próximo de US$ 105 por barril. A valorização da commodity amplia as preocupações com a inflação mundial e com a permanência dos juros elevados nas principais economias.

Dólar acumula queda no mês e no ano

Na quarta-feira (23), o dólar subiu 1,28% e encerrou o pregão cotado a R$ 5,1680. O Ibovespa caiu 0,85%, aos 185.824 pontos, em uma sessão marcada pelo avanço do petróleo e pelo aumento da aversão ao risco.

Mesmo com a valorização recente, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 0,23% em setembro e recuo de 5,84% desde o início de 2026. Na semana, porém, o dólar apresenta alta de 0,47%.

Fonte: Portal do Agronegócio

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