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Mercado Financeiro

Dólar sobe a R$ 5,13 após ata do Copom; Ibovespa abre em queda com petróleo abaixo de US$ 100

Moeda norte-americana avança nesta terça-feira após recuar na véspera, enquanto investidores avaliam os próximos cortes da Selic, o cenário geopolítico e os impactos do petróleo sobre a Bolsa brasileira


Publicado em: 22/09/2026 às 11:05hs

Dólar sobe a R$ 5,13 após ata do Copom; Ibovespa abre em queda com petróleo abaixo de US$ 100

O dólar comercial abriu em alta nesta terça-feira, 22 de setembro, com o mercado financeiro repercutindo a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Às 9h47, a moeda norte-americana avançava 0,51% e era negociada a R$ 5,133, após ter encerrado a sessão anterior perto de R$ 5,108.

Na B3, o contrato futuro de dólar para outubro também operava em valorização durante a manhã. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, abriu em queda, pressionado principalmente pelo recuo do petróleo no mercado internacional e pelo movimento de realização de lucros depois dos ganhos registrados na segunda-feira.

Na véspera, o dólar caiu aproximadamente 0,70%, enquanto o Ibovespa avançou 0,74% e encerrou aos 186.595 pontos.

Ata do Copom mantém cautela sobre novos cortes da Selic

O principal fator doméstico do pregão é a ata da reunião em que o Copom reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros, mas o Banco Central evitou antecipar os próximos passos da política monetária.

O documento reconhece sinais de desaceleração da atividade econômica e de moderação da inflação, mas ressalta que o ambiente continua marcado por incertezas. Segundo o Comitê, eventuais novos cortes dependerão da evolução dos preços, das expectativas de inflação, do câmbio, da atividade econômica e do cenário fiscal.

A postura cautelosa limita apostas mais agressivas em uma redução acelerada dos juros. Parte do mercado ainda trabalha com a possibilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual até o fim de 2026, o que levaria a Selic para 13,50% ao ano.

Para o câmbio, a perspectiva de juros menores pode reduzir gradualmente a atratividade dos ativos brasileiros, especialmente se a diferença entre as taxas praticadas no Brasil e no exterior diminuir. Por outro lado, o nível ainda elevado da Selic segue oferecendo suporte ao real.

Petróleo abaixo de US$ 100 influencia ações da Petrobras

No exterior, o petróleo voltou a operar abaixo de US$ 100 por barril. Por volta das 9h, o Brent recuava cerca de 2%, para aproximadamente US$ 98,39, diante das expectativas de avanços diplomáticos relacionados à guerra no Oriente Médio e de melhora na oferta global da commodity.

A queda do petróleo tende a pressionar ações de empresas ligadas ao setor de energia, especialmente a Petrobras, que possui peso relevante na composição do Ibovespa. Ao mesmo tempo, preços menores da commodity podem aliviar parte das preocupações com a inflação e os custos dos combustíveis.

Para o agronegócio, o comportamento do petróleo também merece atenção. A cotação internacional influencia os preços do diesel, dos fertilizantes, dos fretes e dos biocombustíveis, com reflexos diretos sobre os custos de produção e de transporte das safras.

Mercado internacional opera próximo da estabilidade

As bolsas internacionais apresentaram variações moderadas durante a manhã. Nos Estados Unidos, os índices futuros operavam próximos da estabilidade, enquanto as principais bolsas europeias registravam leves altas.

O mercado global acompanha os desdobramentos das tensões geopolíticas, os discursos durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas e as perspectivas para os juros nas maiores economias.

Na Ásia, os mercados fecharam sem uma direção única. Hong Kong, Coreia do Sul, Taiwan e Austrália registraram ganhos discretos, enquanto a Bolsa de Tóquio permaneceu fechada por feriado.

Banco Central atua no mercado de câmbio

Além da ata do Copom, investidores acompanham a atuação do Banco Central no mercado cambial. A autoridade monetária programou para esta terça-feira um leilão regular de rolagem de swap cambial, com oferta de 50 mil contratos com vencimento em 1º de outubro.

A operação não representa necessariamente uma intervenção para direcionar a cotação, mas ajuda a dar liquidez e permite a renovação de contratos que estão próximos do vencimento.

Mesmo com a valorização registrada nesta manhã, o dólar acumula queda de aproximadamente 0,70% na semana, 1,38% em setembro e 6,93% em 2026.

Dólar interfere nos preços e nas margens do agronegócio

A oscilação do dólar tem impacto direto sobre o agronegócio brasileiro. Uma moeda norte-americana mais valorizada tende a favorecer as receitas em reais de exportadores de soja, milho, café, açúcar, carnes e celulose. Em contrapartida, também pode elevar o custo de fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos importados.

No curto prazo, a direção do câmbio continuará condicionada às sinalizações do Banco Central sobre a Selic, ao comportamento do petróleo, às expectativas fiscais e eleitorais e ao ambiente internacional.

Para produtores e empresas do setor, o cenário reforça a importância de acompanhar não apenas a cotação nominal do dólar, mas também sua combinação com os preços das commodities, os prêmios de exportação, os custos dos insumos e as oportunidades de proteção cambial.

Fonte: Portal do Agronegócio

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