Publicado em: 18/06/2026 às 11:15hs
O ciclo de flexibilização monetária ganhou um novo capítulo com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Apesar do corte amplamente esperado pelo mercado, o avanço das projeções de inflação e as incertezas no cenário internacional continuam limitando o espaço para uma redução mais acelerada dos juros no Brasil.
De acordo com análise do Rabobank, a decisão foi unânime e refletiu a avaliação de que a trajetória atual da política monetária é suficiente para conduzir a inflação à meta estabelecida pelo Banco Central no horizonte relevante, atualmente concentrado no quarto trimestre de 2027.
Embora a redução da Selic represente um sinal positivo para a atividade econômica, o ambiente inflacionário segue exigindo atenção. O Rabobank destaca que a projeção de inflação para o quarto trimestre de 2027 avançou 20 pontos-base, passando para 3,7%.
As expectativas para os próximos anos também sofreram deterioração. A estimativa para a inflação de 2026 subiu de 4,9% para 5,3%, enquanto as projeções para 2027 e 2028 registraram ajustes marginais para cima.
Esse movimento reforça a percepção de que o processo de convergência da inflação à meta ainda enfrenta desafios, especialmente em um contexto marcado por incertezas no ambiente econômico global.
Além dos fatores domésticos, o cenário externo permanece como um dos principais pontos de atenção para a política monetária brasileira.
As incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio continuam impactando as projeções econômicas e dificultando a avaliação dos efeitos sobre preços de commodities, energia e cadeias globais de abastecimento.
Diante desse quadro, o Copom optou por não antecipar os próximos passos da política monetária, condicionando futuras decisões à evolução do cenário inflacionário e aos impactos dos eventos internacionais sobre a economia.
Para a reunião de agosto, o Rabobank avalia que um novo corte de 0,25 ponto percentual representa o cenário mínimo esperado pelo mercado.
No cenário-base da instituição, a Selic ainda teria espaço para acumular reduções de até 2,5 pontos percentuais ao longo de 2026, podendo encerrar o ano em 12,50%.
Apesar disso, o banco mantém projeções mais conservadoras, estimando a taxa básica em 13,25% ao final de 2026 e em 11,25% ao término de 2027, com viés de alta diante dos riscos inflacionários.
O mercado agora volta suas atenções para a divulgação da ata da reunião do Copom, prevista para 23 de junho, e para o Relatório de Política Monetária, programado para 25 de junho.
Os documentos deverão fornecer mais detalhes sobre a avaliação do Banco Central e poderão ajudar investidores, produtores rurais e agentes econômicos a recalibrar as expectativas para juros, inflação e atividade econômica nos próximos trimestres.
Para o agronegócio, a trajetória da Selic segue sendo um fator estratégico, influenciando diretamente o custo do crédito rural, os investimentos no setor e a competitividade das cadeias produtivas brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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