Bolsas globais recuam com petróleo em alta e Fed sinaliza novo aumento de juros
Ibovespa acompanha cautela externa, enquanto investidores avaliam a escalada do petróleo, a reunião entre Trump e Xi Jinping e a possibilidade de novo aperto monetário nos Estados Unidos
Publicado em: 24/09/2026 às 11:07hs
As bolsas de valores iniciaram esta quinta-feira (24) sob pressão, com investidores atentos à alta do petróleo, ao avanço dos rendimentos dos títulos norte-americanos e à possibilidade de novos aumentos dos juros pelo Federal Reserve (Fed).
No Brasil, o Ibovespa abriu em queda, acompanhando o ambiente internacional mais cauteloso. Por volta das 10h10, o principal índice da B3 recuava 0,16%, aos 185.533 pontos.
No exterior, os futuros de Wall Street operavam no campo negativo antes da abertura dos mercados norte-americanos. As bolsas europeias apresentavam desempenho misto, enquanto os mercados asiáticos encerraram o pregão sem direção única, com forte queda das ações chinesas.
Fed pode elevar juros novamente em 2026
A perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos voltou a pressionar os ativos de risco. O presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, afirmou ser razoável considerar mais um aumento da taxa básica até o final de 2026.
Na semana anterior, o Fed elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Dos 18 integrantes do comitê de política monetária, 16 sinalizaram a possibilidade de pelo menos mais uma alta neste ano.
Williams ponderou que a decisão dependerá dos próximos indicadores econômicos. Segundo ele, a inflação continua sendo o principal desafio para o banco central norte-americano, apesar da resiliência apresentada pela economia diante do choque provocado pela elevação dos preços da energia.
O mercado financeiro já passou a precificar um aumento acumulado de até 0,50 ponto percentual nos juros dos Estados Unidos até dezembro. A expectativa ganhou força após declarações de outros dirigentes do Fed favoráveis à continuidade do aperto monetário.
Juros norte-americanos mais altos reduzem a atratividade relativa das ações e aumentam a procura pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados ativos de menor risco.
Petróleo supera US$ 105 e aumenta temor com inflação
O petróleo voltou a subir diante do impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã e das dúvidas sobre a normalização do transporte da commodity pelo Oriente Médio.
Por volta das 10h, o contrato do Brent para novembro avançava 2,15%, cotado a US$ 105,25 por barril na bolsa de Londres. O WTI subia 1,79%, para US$ 93,81 por barril em Nova York.
A valorização da commodity amplia o receio de novas pressões inflacionárias e reforça a expectativa de que os principais bancos centrais mantenham políticas monetárias restritivas.
Nas bolsas, o movimento favorece empresas de petróleo e energia, mas pressiona companhias mais dependentes de combustíveis, transporte e crédito.
Bolsas chinesas têm maior queda em um mês
Na Ásia, as ações chinesas registraram o pior desempenho diário em aproximadamente um mês. O índice de Xangai caiu 1,22%, enquanto o CSI 300, composto pelas maiores empresas negociadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,73%.
Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,29%. Em sentido contrário, o Nikkei, do Japão, avançou 0,76%, e o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,90%.
Os investidores adotaram uma postura defensiva antes das negociações entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, em Washington.
A reunião deve tratar de comércio, tarifas, inteligência artificial e Taiwan. O mercado busca sinais sobre a possibilidade de extensão da trégua comercial e de redução das tensões entre as duas maiores economias do mundo.
Ibovespa sente pressão externa, mas Petrobras limita perdas
Na B3, a queda do Ibovespa refletia principalmente o ambiente externo desfavorável e a elevação dos juros dos títulos norte-americanos.
A valorização do petróleo ajudava a sustentar as ações da Petrobras e limitava parte das perdas do índice. Os papéis da estatal haviam alcançado máximas históricas na sessão anterior, apoiados pela alta do barril.
A Vale também permanecia no radar após anunciar a retomada parcial das operações na Mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG). Braskem e Iguatemi apareciam entre os destaques do noticiário corporativo.
Projeções do Banco Central influenciam bolsa brasileira
No ambiente doméstico, os investidores também repercutem o Relatório de Política Monetária do Banco Central.
A autoridade monetária reduziu de 2% para 1,8% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto brasileiro em 2026. Para 2027, a estimativa aponta expansão de 1,4%.
O Banco Central manteve em 5,2% a previsão para a inflação acumulada em 2026 e calculou em 90% a probabilidade de o IPCA superar o teto da meta neste ano.
A combinação entre inflação pressionada, juros elevados e crescimento econômico mais moderado adiciona cautela ao mercado de ações. Ao longo do pregão, o comportamento das bolsas deverá continuar condicionado ao petróleo, aos títulos dos Estados Unidos e aos desdobramentos da reunião entre Trump e Xi Jinping.
Fonte: Portal do Agronegócio
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