Inflação perde força no Brasil, mas cenário externo mantém pressão sobre juros, dólar e agronegócio
Relatório do RaboResearch aponta desaceleração da inflação, alívio nos preços dos alimentos e estabilidade da Selic, enquanto incertezas envolvendo Estados Unidos, Irã e economia global seguem influenciando câmbio, commodities e decisões do Banco Central.
Publicado em: 04/08/2026 às 19:20hs
A economia brasileira iniciou o segundo semestre com sinais mais consistentes de desaceleração da inflação, especialmente nos preços dos alimentos. O movimento reforça a expectativa de manutenção do processo de desinflação ao longo dos próximos meses, embora o ambiente internacional continue impondo desafios para a política monetária, o comportamento do dólar e o desempenho das commodities agrícolas.
A avaliação faz parte do relatório semanal divulgado pelo RaboResearch, que destaca um cenário doméstico mais favorável para a inflação, mas ainda cercado por riscos externos relacionados às tensões geopolíticas, ao comportamento da economia norte-americana e às perspectivas para os juros internacionais.
Alimentos lideram desaceleração da inflação
O principal destaque da economia brasileira foi o resultado do IPCA-15 de julho, que surpreendeu positivamente ao registrar alta de apenas 0,06%, desempenho significativamente inferior às expectativas do mercado.
Segundo o levantamento, a desaceleração ocorreu principalmente em função da forte queda dos preços da alimentação no domicílio, movimento que compensou as pressões ainda existentes em itens como energia elétrica e serviços.
O comportamento dos alimentos representa um fator importante para o controle da inflação, reduzindo pressões sobre consumidores, cadeias produtivas e custos operacionais do agronegócio, especialmente nos segmentos de proteína animal, processamento de alimentos e distribuição.
Mercado de trabalho segue aquecido
Apesar da perda gradual de força da inflação, o mercado de trabalho continua apresentando resiliência.
O relatório observa que ainda existem sinais de aquecimento da atividade econômica, embora alguns indicadores já apontem início de uma desaceleração moderada.
Esse equilíbrio entre atividade e inflação deverá continuar sendo um dos principais fatores monitorados pelo Banco Central nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Banco Central deve manter postura cautelosa
Mesmo com o avanço do processo de desinflação, a avaliação do RaboResearch é de que a autoridade monetária continuará adotando uma postura prudente.
A combinação entre melhora dos indicadores internos e elevado nível de incerteza internacional reduz o espaço para mudanças bruscas na política monetária.
O cenário continua exigindo acompanhamento permanente da inflação, das expectativas do mercado e do comportamento do câmbio.
Cenário internacional continua sendo principal fonte de risco
No ambiente externo, as atenções permanecem voltadas para a evolução das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã.
Embora o conflito permaneça sem uma escalada significativa, a ausência de definições mantém elevado o nível de incerteza nos mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, a economia norte-americana apresentou desaceleração no segundo trimestre, enquanto o Federal Reserve optou por manter sua taxa de juros entre 3,50% e 3,75%, reforçando uma postura de cautela diante da evolução da inflação e do crescimento econômico.
Petróleo e dólar seguem no radar
Outro fator acompanhado pelos investidores é o comportamento do petróleo Brent, que permanece negociado próximo de US$ 90 por barril, refletindo as incertezas geopolíticas e os riscos para o abastecimento global.
No mercado cambial, o real apresentou valorização na última semana analisada pelo estudo, encerrando o período com o dólar cotado em R$ 5,0587.
Entretanto, os economistas do Rabobank avaliam que, ao longo dos próximos meses, o dólar poderá voltar para níveis próximos de R$ 5,35, considerando a redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, além das incertezas fiscais e do ambiente eleitoral brasileiro.
Reflexos para o agronegócio
Para o agronegócio brasileiro, o cenário combina fatores positivos e desafios importantes.
A redução da inflação dos alimentos tende a favorecer o consumo interno e aliviar parte dos custos da cadeia produtiva.
Por outro lado, a volatilidade cambial, os preços internacionais do petróleo e as incertezas geopolíticas continuam influenciando diretamente os custos logísticos, fertilizantes, combustíveis, defensivos agrícolas e a competitividade das exportações brasileiras.
Além disso, oscilações no dólar seguem impactando a formação dos preços de commodities como soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes.
Perspectivas
O cenário traçado pelo RaboResearch indica que o Brasil atravessa uma fase de consolidação do processo de desinflação, impulsionado principalmente pela redução dos preços dos alimentos e pela menor pressão sobre os índices de preços ao produtor.
Entretanto, o ambiente internacional permanece como principal variável de risco para a economia brasileira.
A evolução das negociações entre Estados Unidos e Irã, as próximas decisões do Federal Reserve, o comportamento do petróleo e do dólar, além da política fiscal doméstica, deverão continuar determinando o ritmo da inflação, dos juros e dos mercados financeiros nos próximos meses, fatores que terão impacto direto sobre o planejamento e a rentabilidade do agronegócio brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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