Exportações brasileiras crescem 10,4% até setembro com avanço da Índia e de novos mercados
Vendas externas somam US$ 284,65 bilhões em 2026; soja, carnes, farelo e algodão estão entre os destaques, enquanto diversificação de destinos ajuda a compensar recuos nos EUA e na Argentina
Publicado em: 08/10/2026 às 10:30hs
As exportações brasileiras alcançaram US$ 284,65 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025. A expansão das vendas para diferentes destinos, com destaque para Índia, Europa e China, sustentou o resultado e ajudou a compensar a retração em mercados tradicionais.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as vendas para a Índia avançaram 85,5%. Também houve crescimento nas exportações para Europa, Oceania, América Central e Caribe e África.
No período, a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 62,4 bilhões. A corrente de comércio, que reúne exportações e importações, chegou a US$ 506,9 bilhões, alta de 8%.
Exportações para a Índia avançam 85,5%
A Índia registrou o maior crescimento proporcional entre os principais destinos analisados. As compras de produtos brasileiros passaram de US$ 4,44 bilhões para US$ 8,23 bilhões, um aumento de aproximadamente US$ 3,8 bilhões entre janeiro e setembro.
Para o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o desempenho reforça o potencial de ampliar relações com o mercado indiano e a importância da diversificação comercial para reduzir a exposição a oscilações em parceiros específicos.
Na Ásia, a China permaneceu como principal destino das exportações brasileiras, com US$ 84,68 bilhões em compras, avanço de 12% no acumulado do ano.
Outros mercados asiáticos também ampliaram a demanda: Bangladesh registrou crescimento de 25,8%, Japão de 14,2% e Singapura de 12,1%.
Europa amplia compras de soja, carne bovina e produtos minerais
As exportações brasileiras para a Europa cresceram 20,2% nos nove primeiros meses de 2026, com expansão distribuída entre diferentes países.
Entre os destaques, as vendas para a Polônia avançaram 73,5%, para a Turquia 37,3% e para a Itália 31,7%. Países Baixos e Alemanha registraram aumentos de 16,6% e 15,8%, respectivamente.
Soja e carne bovina estiveram entre os produtos que contribuíram para o resultado, ao lado de minérios de cobre, ouro e petróleo.
Na Oceania, as vendas externas brasileiras cresceram 20,8% no mesmo período.
África e Oriente Médio abrem espaço para produtos brasileiros
As exportações para a África aumentaram 9,7%, impulsionadas por produtos como soja, milho, minério de ferro e animais vivos.
A África do Sul ampliou suas compras em 28%, enquanto o Egito registrou avanço de 25,2%.
Na América Central e Caribe, o crescimento foi de 14,9%. O Panamá se destacou com alta de 47,9%, acompanhado por expansão das vendas para República Dominicana, Honduras e El Salvador.
No Oriente Médio, as exportações brasileiras cresceram para Jordânia, com avanço de 54,9%, Arábia Saudita, com 13,8%, e Emirados Árabes Unidos, com 7,4%.
EUA registram recuperação em setembro, mas acumulado segue negativo
Apesar da expansão em diferentes regiões, as vendas brasileiras para os Estados Unidos recuaram 6,5% entre janeiro e setembro. Para a Argentina, a queda foi de 18,5%.
O mercado norte-americano, porém, apresentou recuperação em setembro. As exportações brasileiras para o país somaram US$ 3,52 bilhões no mês, alta de 31,9% sobre setembro de 2025.
Carne bovina, aeronaves e café foram os principais responsáveis pelo crescimento mensal.
Na avaliação de Müller, o resultado indica continuidade do interesse das empresas norte-americanas por produtos brasileiros, mesmo diante do aumento das tarifas aplicado pelo governo dos EUA.
Carnes, farelo de soja e algodão impulsionam vendas externas
Produtos do agronegócio tiveram participação importante na expansão da pauta exportadora.
Na indústria de transformação, as exportações de carne bovina cresceram 14,1% no acumulado do ano, com acréscimo de US$ 1,6 bilhão. As vendas de carne de aves avançaram 20,7%, e as de farelo de soja, 21,3%.
Entre os produtos classificados na agropecuária, os destaques foram soja, com alta de 14,9%; algodão, de 15%; frutas, de 20,9%; e animais vivos, de 71,7%.
Fora do segmento agropecuário, as exportações de óleos combustíveis cresceram 32,6%, enquanto as de petróleo bruto aumentaram 28,6% no ano.
Exportações de setembro somam US$ 34,42 bilhões
Considerando todos os destinos, o Brasil exportou US$ 34,42 bilhões em setembro, crescimento de 12,9% na comparação anual. O saldo comercial do mês ficou positivo em US$ 7,74 bilhões.
A indústria extrativa registrou expansão de 39,8%, seguida pela indústria de transformação, com 5,3%, e pela agropecuária, com 4,8%.
Entre os destaques mensais da indústria de transformação, as vendas de aeronaves e partes avançaram 41,9%, enquanto as de celulose cresceram 27,4%.
Fonte: Portal do Agronegócio
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