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Brasil

Dívida bruta do Brasil chega a 82,93% do PIB e atinge maior nível desde março de 2021

Juros pressionam o endividamento em setembro, enquanto o setor público registra déficit primário de R$ 5,5 bilhões, contrariando expectativa de superávit


Publicado em: 29/10/2026 às 19:20hs

Dívida bruta do Brasil chega a 82,93% do PIB e atinge maior nível desde março de 2021

A dívida bruta do Brasil alcançou 82,93% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro, o maior patamar desde março de 2021. Os dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (29) mostram avanço em relação aos 82,87% registrados em agosto.

A alta ocorreu principalmente pela incorporação de juros ao endividamento. O resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional e o crescimento da atividade econômica contribuíram para conter parte dessa pressão, mas não impediram o aumento da relação entre dívida e PIB.

Endividamento alcança maior patamar em mais de cinco anos

O resultado de setembro representa uma elevação de 0,06 ponto percentual frente ao mês anterior.

A última vez em que a dívida bruta havia superado esse nível foi em março de 2021, quando atingiu 85,10% do PIB. Naquele período, as contas públicas refletiam os desembolsos associados às medidas de enfrentamento da pandemia de Covid-19.

Dívida líquida sobe para 70% do PIB

A dívida líquida do setor público também avançou em setembro, passando de 69,3% para 70,0% do PIB, uma alta de 0,7 ponto percentual.

Os dois indicadores têm abrangências diferentes: enquanto a dívida bruta acompanha as obrigações do governo geral, a dívida líquida considera também os ativos financeiros do setor público.

Setor público registra déficit primário de R$ 5,5 bilhões

Além do aumento do endividamento, o Banco Central informou que o setor público apresentou déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro. Esse resultado corresponde ao saldo das receitas e despesas antes do pagamento dos juros da dívida.

O desempenho ficou abaixo da expectativa dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam superávit de R$ 0,5 bilhão.

Embora o governo central tenha registrado saldo positivo, os resultados negativos dos governos regionais e das empresas estatais levaram o consolidado ao déficit.

Estados, municípios e estatais concentram resultado negativo

Segundo o levantamento do Banco Central, os resultados primários de setembro foram:

  • Governo central: superávit de R$ 3,469 bilhões;
  • Estados e municípios: déficit de R$ 5,573 bilhões;
  • Empresas estatais: déficit de R$ 3,393 bilhões.

Os números mostram que o superávit do governo central não foi suficiente para compensar os déficits dos demais componentes do setor público. Ao mesmo tempo, a incidência de juros continuou pressionando a trajetória do endividamento brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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