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Brasil

Balança comercial do Brasil acumula superávit de US$ 52 bilhões até agosto, com soja e café em alta

Exportações brasileiras avançam 10,5% no acumulado do ano, enquanto vendas externas de soja e café ganham força e ajudam a sustentar o resultado positivo do comércio exterior


Publicado em: 20/08/2026 às 11:35hs

Balança comercial do Brasil acumula superávit de US$ 52 bilhões até agosto, com soja e café em alta
Foto: Freepik

O Brasil acumulou superávit de US$ 52,08 bilhões na balança comercial em 2026, até a segunda semana de agosto, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado representa crescimento de 29,2% em relação ao mesmo período de 2025 e reforça a contribuição das exportações do agronegócio para o desempenho do comércio exterior brasileiro.

No acumulado de janeiro até a segunda semana de agosto, as exportações brasileiras somaram US$ 234,64 bilhões, alta de 10,5% na comparação anual. As importações alcançaram US$ 182,56 bilhões, crescimento de 6,1%.

Com isso, a corrente de comércio brasileira chegou a US$ 417,20 bilhões, avanço de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Exportações crescem 14,3% em agosto

Considerando apenas as duas primeiras semanas de agosto, o Brasil exportou US$ 16,09 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 13,05 bilhões. O saldo positivo ficou em US$ 3,05 bilhões, alta de 7% sobre o mesmo período de 2025.

As exportações cresceram 14,3%, enquanto as importações avançaram 16,2%. A corrente de comércio alcançou US$ 29,14 bilhões, aumento de 15,1%.

O desempenho mostra uma expansão simultânea das operações de comércio exterior, mas com as exportações mantendo participação decisiva para a formação do saldo positivo acumulado no ano.

Agronegócio mantém papel estratégico nas exportações

A agropecuária brasileira movimentou US$ 3,49 bilhões em exportações até a segunda semana de agosto, crescimento de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Entre os principais destaques do setor estão soja e café, dois produtos de grande relevância para a pauta exportadora brasileira.

As exportações de soja cresceram 13,2%, enquanto as vendas externas de café não torrado avançaram 22%. Também houve forte expansão nos embarques de animais vivos, exceto pescados e crustáceos, que aumentaram 180,7%.

O resultado reforça a importância das commodities agrícolas para a geração de divisas e para a manutenção do superávit comercial brasileiro.

Farelo de soja e carnes de aves também ganham espaço

Além dos grãos, produtos processados e derivados do agronegócio apresentaram desempenho expressivo.

As exportações de farelos de soja e outros alimentos para animais, além de farinhas de carnes e outros animais, cresceram 55,8%. Já as vendas externas de carnes de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas avançaram 48,1%.

O movimento evidencia não apenas a força da produção agrícola brasileira, mas também a crescente participação de produtos de maior valor agregado na pauta de exportações.

Por outro lado, algumas commodities registraram queda. As exportações de milho não moído recuaram 25,6%, enquanto as vendas externas de mel natural diminuíram 32,9%. As exportações de sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras apresentaram retração de 42%.

Indústria extrativa registra forte crescimento

A indústria extrativa apresentou uma das maiores taxas de crescimento entre os setores exportadores, com alta de 27,8%, movimentando US$ 4,36 bilhões até a segunda semana de agosto.

Entre os destaques estão os minérios de cobre e seus concentrados, cujas exportações cresceram 289,5%. As vendas de minérios de metais preciosos e seus concentrados avançaram 1.410,8%.

Os embarques de óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos também apresentaram crescimento significativo, de 32,3%.

Na indústria de transformação, responsável por US$ 8,08 bilhões em exportações no período, o crescimento foi de 8,8%.

Importações avançam puxadas pela indústria de transformação

Do lado das importações, a indústria de transformação foi o principal destaque. As compras externas do setor cresceram 19%, alcançando US$ 12,05 bilhões.

A agropecuária, por sua vez, registrou queda de 5,3%, para US$ 200 milhões, enquanto a indústria extrativa recuou 13,5%, para US$ 720 milhões.

Entre os produtos agropecuários importados, houve crescimento nas compras de pescado inteiro, vivo, morto ou refrigerado, com alta de 24,1%. Os produtos hortícolas frescos ou refrigerados avançaram 74,4%, enquanto outras sementes oleaginosas de copra ou linhaça registraram crescimento de 110,4%.

Importações de soja e fertilizantes recuam

Apesar do avanço das compras externas em algumas categorias, produtos importantes para o agronegócio apresentaram retração.

As importações de soja caíram 8,7%, enquanto as compras de trigo e centeio não moídos diminuíram 8,2%. As importações de frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, recuaram 35,8%.

Também houve redução nas compras externas relacionadas a insumos agrícolas. As importações de fertilizantes brutos, exceto adubos, recuaram 65,7%, enquanto as compras de adubos ou fertilizantes químicos diminuíram 27,3%.

As importações de gás natural, liquefeito ou não, também apresentaram queda expressiva, de 62,5%.

Brasil mantém trajetória positiva no comércio exterior

Os dados do MDIC mostram que o Brasil mantém uma trajetória favorável no comércio exterior em 2026. O crescimento das exportações, combinado ao avanço mais moderado das importações no acumulado do ano, resultou em um superávit comercial de US$ 52,08 bilhões até a segunda semana de agosto.

Para o agronegócio, o desempenho de produtos como soja, café, farelo de soja e carnes de aves reforça a importância das cadeias agroindustriais brasileiras na geração de receitas externas.

O cenário também evidencia uma pauta exportadora diversificada, que combina commodities agrícolas, produtos da indústria de transformação e recursos minerais.

Com a continuidade dos embarques nos próximos meses, o desempenho das exportações agrícolas, os preços internacionais das commodities, a demanda global e o comportamento do câmbio devem permanecer entre os principais fatores de influência sobre o resultado da balança comercial brasileira em 2026.

Fonte: Portal do Agronegócio

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