Unica rebate ação do MPF e defende E32 com base em estudos técnicos sobre mistura de etanol na gasolina
Entidade afirma que aumento da mistura obrigatória de etanol para 32% foi aprovado após ampla validação científica, testes com veículos e participação da indústria, governo e academia.
Publicado em: 23/07/2026 às 11:25hs
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) contestou a ação civil pública apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) que busca suspender a adoção da gasolina E32 — mistura com 32% de etanol anidro — aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Segundo a entidade, a decisão foi respaldada por um amplo processo de validação técnica, conduzido em conformidade com a Lei do Combustível do Futuro e baseado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
O posicionamento da Unica ocorre após o MPF ingressar na Justiça com pedido de liminar para impedir a entrada em vigor da nova mistura, aprovada pelo CNPE em 14 de julho. Para a entidade, a decisão do governo foi fundamentada em evidências científicas e em uma extensa avaliação dos impactos da utilização do E32 na frota brasileira.
Estudos avaliaram desempenho de carros e motocicletas
De acordo com a Unica, os testes foram conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia e tiveram como foco veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, considerados os modelos mais sensíveis ao aumento da participação do etanol no combustível.
Ao todo, foram avaliados 16 automóveis fabricados entre 1994 e 2024 e 13 motocicletas representativas da frota nacional. Os ensaios analisaram indicadores como:
- desempenho do motor;
- consumo de combustível;
- partida a frio;
- dirigibilidade;
- aceleração;
- funcionamento dos sistemas eletrônicos de gerenciamento do motor.
Segundo a entidade, os resultados não apontaram impactos relevantes decorrentes da utilização da gasolina E32 nos veículos submetidos aos testes.
Processo contou com participação de diversos setores
A Unica destaca que a metodologia dos ensaios foi construída de forma colegiada, envolvendo representantes do governo federal, indústria automotiva, fabricantes de motocicletas, cadeia de combustíveis, universidades e entidades do setor produtivo.
Além dos estudos laboratoriais, o processo incluiu reuniões técnicas e audiência pública para discussão dos protocolos utilizados nas avaliações.
Para a entidade, esse modelo garantiu transparência, rigor científico e ampla participação dos segmentos diretamente envolvidos na mudança da especificação da gasolina.
Regulamentação impede percentual superior ao E32
Outro ponto enfatizado pela Unica é que a regulamentação aprovada pelo CNPE estabelece o teor nominal de 32% de etanol anidro na gasolina, eliminando margens de tolerância que poderiam resultar em percentuais superiores durante a fiscalização.
Segundo a entidade, isso garante que o combustível comercializado permaneça dentro da especificação utilizada nos estudos técnicos que embasaram a decisão do governo.
Segurança energética e redução das emissões
Na avaliação da Unica, a adoção do E32 representa um avanço para a política energética brasileira por ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz de transportes.
A entidade argumenta que a substituição de parte da gasolina fóssil por etanol nacional proporciona benefícios econômicos e ambientais, incluindo:
- redução da dependência das importações de gasolina;
- menor exposição às oscilações do mercado internacional de petróleo;
- fortalecimento da produção nacional de biocombustíveis;
- geração de empregos e investimentos no setor sucroenergético;
- diminuição da intensidade de carbono dos combustíveis utilizados no transporte.
A Unica também ressalta que o Brasil utiliza misturas obrigatórias de etanol na gasolina desde 1931 e afirma que o E32 representa mais um passo na estratégia nacional de descarbonização, segurança energética e valorização de uma fonte renovável produzida internamente.
Debate sobre o E32 continua na Justiça
Enquanto o Ministério Público Federal questiona judicialmente a medida e pede sua suspensão, a Unica sustenta que a aprovação do E32 seguiu critérios técnicos, científicos e regulatórios previstos na legislação vigente.
O tema deverá continuar em debate no Judiciário, envolvendo questões relacionadas à segurança da frota, à política energética, ao mercado de combustíveis e à ampliação do uso de biocombustíveis no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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