Publicidade
Setor Sucroalcooleiro

Produção de açúcar recua 12,4% na safra 2026/27, enquanto etanol dispara 20,4% no Centro-Sul

Usinas brasileiras aumentam a destinação de cana para biocombustíveis diante de condições mais favoráveis, reduzindo a participação da matéria-prima destinada à fabricação de açúcar


Publicado em: 12/08/2026 às 17:00hs

Produção de açúcar recua 12,4% na safra 2026/27, enquanto etanol dispara 20,4% no Centro-Sul

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil recuou 12,38% no acumulado da safra 2026/27 até o fim de junho, enquanto a fabricação de etanol avançou de forma expressiva no mesmo período. Os dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) mostram uma mudança significativa no direcionamento da cana pelas usinas brasileiras.

Entre abril e junho, a produção acumulada de açúcar chegou a 10,75 milhões de toneladas, contra um volume maior registrado no mesmo intervalo da temporada anterior.

Em sentido contrário, a produção total de etanol, incluindo o biocombustível produzido a partir do milho, alcançou 11,36 bilhões de litros, alta de 20,44% em relação ao mesmo período da safra 2025/26.

Usinas aumentam produção de etanol

A principal mudança observada no início da safra está no chamado mix de produção, indicador que mostra a parcela da cana direcionada para açúcar ou etanol.

De abril até o fim de junho, 57,48% da cana processada no Centro-Sul foi destinada à produção de etanol. No mesmo período da safra anterior, essa participação era de 48,96%.

O movimento representa uma alteração relevante na estratégia das usinas, que encontraram condições econômicas mais favoráveis para direcionar uma parcela maior da matéria-prima para o biocombustível.

Com isso, a produção de etanol ganhou espaço justamente no período inicial da safra, quando as usinas definem parte importante de sua estratégia de processamento.

Participação do açúcar cai para 42,52%

Enquanto o etanol ganhou participação, o mix de açúcar perdeu espaço.

Na safra 2026/27, até o final de junho, 42,52% da cana foi destinada à fabricação de açúcar, ante 51,04% no mesmo período do ciclo anterior.

A diferença evidencia a mudança na alocação da matéria-prima pelas unidades produtoras e ajuda a explicar a queda de 12,38% na produção acumulada do adoçante.

Na prática, as usinas passaram a priorizar uma parcela maior da cana para o mercado de combustíveis, reduzindo a quantidade disponível para fabricação de açúcar.

Produção de etanol cresce mais de 20%

A produção total de etanol no Centro-Sul alcançou 11,36 bilhões de litros no acumulado da safra até junho, alta de 20,44%.

O resultado considera tanto o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar quanto aquele fabricado a partir do milho, cuja participação na indústria brasileira de biocombustíveis vem crescendo.

O avanço reforça a importância do etanol na matriz energética brasileira e mostra a capacidade das usinas de adaptar o mix de produção de acordo com as condições de mercado.

Açúcar perde espaço no início da safra

A redução da produção de açúcar ocorre em um momento de mudanças importantes no mercado global da commodity.

Ao direcionarem mais cana para o etanol, as usinas brasileiras diminuem a oferta potencial de açúcar no mercado internacional. Como o Brasil é um dos principais fornecedores globais, alterações no mix de produção do Centro-Sul podem influenciar a disponibilidade internacional e, consequentemente, as expectativas para os preços.

O movimento também evidencia a importância da relação econômica entre açúcar e etanol nas decisões das usinas.

Quando as condições de comercialização do biocombustível se mostram mais atrativas, a indústria possui capacidade de alterar o destino da cana e aumentar a produção de etanol.

Centro-Sul muda estratégia de processamento

Os números acumulados até junho mostram uma mudança clara em relação ao início da safra anterior.

Na temporada 2025/26, o açúcar absorvia 51,04% da cana, enquanto o etanol representava 48,96%. Já na safra 2026/27, a relação se inverteu: o etanol passou a responder por 57,48%, contra 42,52% do açúcar.

Essa alteração de quase dez pontos percentuais no direcionamento da matéria-prima tem impacto direto sobre os volumes produzidos de cada produto.

Mercado acompanha próximos meses

A evolução do mix de açúcar e etanol continuará sendo um dos principais indicadores para acompanhar a safra 2026/27.

Caso as condições econômicas permaneçam favoráveis ao biocombustível, as usinas poderão manter uma parcela elevada da cana direcionada ao etanol, limitando o crescimento da produção de açúcar.

Por outro lado, mudanças nos preços relativos entre açúcar e etanol podem provocar novas alterações na estratégia das unidades produtoras ao longo da temporada.

Os dados da Unica mostram, portanto, que o início da safra 2026/27 é marcado por uma importante reorientação da indústria sucroenergética: menos cana para açúcar e mais matéria-prima para etanol, movimento que já se reflete nos números de produção do Centro-Sul brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias